Implantação do CBTC nas Linhas 1 e 3 do Metrô deixa de ter previsão de entrega

Jean Carlos
Novo sistema de sinalização, que deverá reduzir tempo de espera entre os trens, deveria ser entregue neste ano
Implantação do CBTC vai aprimorar o carregamento das Linhas (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Nos sistemas metroviários de alta capacidade um dos pontos mais importantes a serem observados é o atendimento adequado da grande demanda de passageiros. Para realizar esse serviço com total segurança e eficiência é necessário muito mais do que “mais trens” rodando nas linhas, deve haver um sistema que seja capaz de manter toda essa operação ativa de forma funcional, dinâmica e com alto índice de confiabilidade. Essas são as premissas que levaram o Metrô a realizar a modernização do seu sistema de sinalização original, o ATC, para o CBTC.

Dos adiamentos à indefinição

Infelizmente, o processo de modernização da sinalização com a implantação do CBTC, que já havia sido adiado para fevereiro de 2021 na Linha 1-Azul e para julho de 2021 no caso da Linha 3-Vermelha, agora está sem previsão de conclusão. Os dados foram retirados do relatório de empreendimentos do Metrô de dezembro, que indica que a implantação dos sistemas está em fase de “reprogramação”.

Conjugada a esse fato está a instalação de portas de plataforma em quatro estações: Jabaquara e Tucuruvi na Linha 1-Azul e as estação Palmeiras-Barra Funda e Corinthians- Itaquera na Linha 3-Vermelha. Como o contrato da instalação do sistema CBTC está atrelado à implantação das PSDs, equipamentos que promovem a segurança dos passageiros ainda nas plataformas, todas essas melhorias acabam por estar comprometidas.

Prazos para a conclusão dos sistemas consta como “Em reprogramação” (CMSP)

A modernização

O conceito por trás da modernização do sistema de sinalização é influenciado por uma forte tendência, que foi freada temporariamente pela pandemia, a do aumento constante de demanda. O atual sistema de sinalização que opera nas Linhas 1-Azul e 3-Vermelha é o ATC (Controle Automático de Trens). Entender esse sistema é simples: magine uma linha férrea que é dividida em vários setores, e que cada um desses setores só pode ser ocupado por um trem. Para que um trem tenha autorização para prosseguir viagem, o setor que estiver à frente dele deve estar livre, ou seja, sem a presença de trens. A ideia é muito boa e, por curiosidade, é usada inclusive para a manutenção dos trilhos quando um desses setores sofre uma “falsa ocupação” o que pode indicar uma ruptura dos trilhos.

Entretanto, o sistema ATC possui limites. Quando muitos trens estão em operação simultaneamente podem acontecer de vários desses setores estarem ocupados. Nesse momento qualquer atraso, desde uma falha complexa até o passageiro que impeça o fechamento das portas, pode fazer com que os trens tenham que esperar mais tempo para circularem com segurança.

Entenda as diferenças dos sistemas de controle de trens ATC e CBTC
Entenda as diferenças dos sistemas de controle de trens ATC e CBTC

O CBTC (Controle de Trens Baseado em Comunicação) é uma solução que reúne a tecnologia com a ferrovia para propiciar um sistema que, em suas versões mais modernas, podem dispensar o uso do condutor. Nesse sistema a divisão por setores, como no ATC, praticamente inexiste. Toda a comunicação é feita por meio de antenas de rádio dedicadas que captam e transmitem informações aos trens em tempo real. Dessa forma é possível precisar de forma automática qual a posição do trem que está adiante e, de forma precisa, traçar uma curva de desaceleração suave.

Essa tecnologia é utilizada nas Linhas 2-Verde, 4-Amarela, 5-Lilás e 15-Prata. Muito mais do que permitir que as linhas possam aumentar o seu carregamento, o CBTC permite a economia de energia elétrica e equilíbrio de intervalos quando o sistema estiver em baixa demanda.

Antenas que recebem e emitem informações para os trens (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Conclusão

Apesar da pandemia ter freado o crescimento continuo da demanda no sistema metroviário paulista, a implantação do CBTC se faz necessária ante ao regresso massivo dos passageiros em um período que poderíamos chamar de “novo normal”. Levando em consideração que a partir do ano de 2025 as linhas 1 e 3 passarão a contar com novas integrações, como a Linha 6 – Laranja na estação São Joaquim e a Linha 2-Verde na Estação Penha, ter o CBTC implantado e de fato funcional em sua versão final é imprescindível para os novos cenários que estão por vir.

O Metrô de São Paulo está em franco crescimento e todas as medidas que são adotadas e colocadas em pratica hoje vão refletir na comodidade e efetividade dada ao passageiro do amanhã.

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1 comment
  1. Caro Ricardo
    Muito bom o seu artigo e vamos complementar com mais informações
    O CBTC deveria permitir um melhor desempenho da circulação de trens mas na prática até hoje o sistema da linha 2 não atingiu sequer o desempenho operacional igual ao do ATC, por.várias razões técnicas do projeto, que é limitado. O fornecedor deveria ser multado por isso , além dos atrasos nas entregas das outras linhas.
    Apesar disso os sistemas das linhas 1 e 3 tem que ser trocados urgentemente pois são projetos das décadas de 1960 e 1970 e usam componentes eletrônicos que não são mais fabricados há décadas. O Metrô tinha grandes estoques destes componentes mas estão acabando. Os cabos e Contatos elétricos estão com a vida útil vencida e só com muito esforço e competência da manutenção não pararam de funcionar , o que seria uma tragedia.
    O contrato de fornecimento do CBTC é da STM e não do Metrô. Procure saber quanto custou e como ficou o acordo de arbitragem entre a STM e o fornecedor.

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