Linha 17-Ouro deve chegar a Paraisópolis até 2032, diz diretor do Metrô
Extensão do monotrilho terá pela frente desafios técnicos e urbanos enquanto projeto segue em revisão
O diretor de engenharia e planejamento do Metrô de São Paulo, Roberto Torres, afirmou que a extensão da Linha 17-Ouro até Paraisópolis tem previsão de conclusão em 2032, em meio a uma nova etapa de revisão do projeto, segundo declaração ao jornal Folha de São Paulo.
O trecho adicional, com cerca de 4,6 km, inclui três novas estações — Panamby, Paraisópolis e Américo Maurano — além da estação Vila Paulista na outra extremidade do ramal.
Segundo o Metrô, o projeto passa por novos estudos para viabilizar sua retomada. Em março, foi lançada a licitação para revisão do projeto básico da expansão, enquanto estudos anteriores já haviam tratado da atualização das desapropriações necessárias ao longo do traçado.
A expectativa oficial é iniciar as obras em 2028, embora ainda não esteja claro como a execução será conduzida após a transferência da linha para a ViaMobilidade, prevista para o quarto trimestre deste ano.
Ao fundo o local onde ficará a estãção Vila Paulista (iTechdrones)
Torres destacou que o principal desafio da expansão está nas condições de implantação do monotrilho. Um dos trechos mais críticos envolve a travessia do Rio Pinheiros e da Marginal Pinheiros, exigindo o uso de guindastes de grande porte em uma das vias mais movimentadas da cidade. A operação deve implicar interdições relevantes no trânsito durante a construção.
Após esse ponto, a linha avançará por áreas urbanizadas do Morumbi, onde o traçado passa por regiões de alto valor imobiliário, além de trechos próximos a equipamentos sensíveis, como um cemitério. Esses fatores já haviam gerado controvérsias em versões anteriores do projeto, ainda na década passada.
No canto direito inferior, estação Panamby da Linha 17 em imagem do complexo Parque Global (V3rso)
O diretor também reiterou o papel do monotrilho dentro da rede metroviária, classificando a Linha 17 como complementar aos sistemas de maior capacidade. Segundo ele, a expectativa é reduzir o custo médio por quilômetro com a ampliação do ramal, diluindo os valores elevados registrados na implantação inicial, que sofreu atrasos e mudanças contratuais ao longo dos anos.
De fato, o chamado trecho prioritário concentra etapas mais complexas do ramal, como implantação de um grande pátio de manutenção, centro de controle operacional e subestação primária de energia, além de todo o processo de desenvolvimento de sistemas, incluindo os trens, sinalização, telecomunicações, portas de plataforma e outros.
São aspectos que a grande mídia frequentemente ignora, preferindo apelar para manchete sensacionalistas sobre custos elevados – alguns, inclusive, ‘caem’ na narrativa bancada pela indústria de ônibus, que vê o monotrilho como ameaça aos seus corredores ‘BRT’.

