Linha 3-Vermelha pode iniciar etapa final de testes do CBTC ainda em novembro
Metrô e Alstom preparariam uma sequência de ensaios com número crescente de trens para colocar novo sistema de sinalização em operação até fevereiro de 2027, segundo canal
A Linha 3-Vermelha pode começar ainda neste mês uma nova e decisiva etapa dos testes para colocar em operação o sistema de sinalização CBTC, tecnologia contratada pelo Metrô de São Paulo há 18 anos e cuja implantação no ramal acumula uma longa sequência de atrasos.
Segundo informações divulgadas pelo canal Trilhos que Movem SP, o Metrô e a Alstom preparariam uma programação intensiva de ensaios a partir de novembro, com o objetivo de liberar o CBTC para operação comercial até fevereiro de 2027.
O MetrôCPTM vai buscar uma confirmação oficial da companhia sobre esse cronograma. A informação, no entanto, é compatível com a previsão fornecida pelo próprio Metrô ao site em setembro.
Na ocasião, durante a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, um integrante da Diretoria de Operações citou janeiro de 2027 como alvo para a entrada em funcionamento do CBTC na Linha 3. Questionado posteriormente pelo MetrôCPTM, o Metrô informou que trabalhava com a ativação entre o fim de 2026 e o começo de 2027.
Testes começariam pelas madrugadas
A nova informação detalha como essa transição poderá ocorrer. Os primeiros ensaios seriam realizados durante as madrugadas, inicialmente com uma quantidade reduzida de composições circulando simultaneamente sob controle do CBTC, numa espécie de operação simulada sem passageiros.
Caso os resultados sejam satisfatórios, mais trens seriam acrescentados gradualmente até reproduzir uma operação próxima daquela encontrada durante o serviço comercial. O objetivo seria chegar a cerca de 40 composições circulando ao mesmo tempo.
Essa é uma etapa especialmente sensível na Linha 3. Além de trabalhar com intervalos muito reduzidos nos horários de maior movimento, o ramal apresenta uma demanda fortemente pendular, concentrando grandes volumes de passageiros em uma direção pela manhã e no sentido contrário no fim do dia.
Veja por que o CBTC é um sistema de controle de trens mais capaz que o ATC
Essa característica deixa pouca margem para perturbações na operação. Uma retenção ou aumento de intervalo pode provocar rapidamente acúmulo de passageiros nas plataformas e afetar os trens seguintes, com o efeito se propagando pela linha.
A complexidade operacional ajuda a explicar por que a Linha 3 foi deixada por último na implantação do CBTC entre as três linhas mais antigas do Metrô. A Linha 2-Verde serviu inicialmente para o desenvolvimento e consolidação do sistema, enquanto a Linha 1-Azul passou a utilizá-lo comercialmente em 2022.
À medida que os testes avançassem, os períodos destinados aos ensaios também poderiam aumentar. Uma das possibilidades seria utilizar parte de fins de semana e feriados, o que eventualmente exigiria interrupções temporárias da operação comercial.
Esse cenário teria ainda de conviver com a experiência de funcionamento 24 horas do Metrô entre sábado e domingo. A Linha 3 participa da operação ininterrupta, atualmente prevista até 31 de janeiro de 2027.
Em uma etapa posterior, o CBTC poderia passar a controlar trens com passageiros aos fins de semana, ainda em caráter assistido. Os dados coletados seriam usados para ajustes antes da adoção definitiva do sistema.
Painel de intervalo entre trens funcionando, recurso do CBTC (@pilantropico)
Portas de plataforma dependem do novo sistema
A entrada do CBTC também é importante para outra modernização que se arrasta na Linha 3: as portas de plataforma.
Várias estações já contam com os equipamentos instalados, mas o funcionamento ideal depende da integração com o novo sistema de sinalização. O CBTC permite controlar com maior precisão a parada das composições e sincronizar a abertura das portas dos trens com as fachadas instaladas nas plataformas.
Corinthians-Itaquera, por exemplo, teve suas portas instaladas pela Alstom ainda em dezembro de 2022, mas elas só foram liberadas para operação comercial em maio de 2025.
A integração desses equipamentos será, portanto, uma das interfaces importantes na fase final de implantação do novo controle de trens.
Contrato de 2008 segue até agosto de 2027
O CBTC da Linha 3 é a última grande pendência de um contrato assinado pelo Metrô com a Alstom em julho de 2008 para modernizar os sistemas de sinalização das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha.
Portas de plataforma na estação Corinthians-Itaquera (Jean Carlos)
A tecnologia utiliza comunicação contínua entre os trens e os equipamentos instalados na linha para determinar com maior precisão a posição e o movimento das composições. Com isso, é possível controlar a separação entre os trens sem depender apenas dos blocos fixos utilizados pelo atual sistema ATC.
A Linha 2 foi a primeira das três a utilizar o CBTC, seguida pela Linha 1 em 2022. A Linha 3 permaneceu como a principal pendência do contrato.
Em 2024, o Metrô chegou a retirar uma previsão de entrada do sistema em operação e passou a classificar os testes estáticos, integrados e dinâmicos como “em reprogramação”.
Outro aditivo posteriormente estendeu a vigência do contrato com a Alstom até agosto de 2027. Isso não significa que o CBTC precise esperar até essa data para entrar em operação, já que o acordo inclui atividades posteriores à sua ativação.
Se o cronograma agora apontado for confirmado, a Linha 3 poderá abandonar o ATC como sistema principal de controle entre o fim deste ano e fevereiro de 2027, quase 19 anos depois da assinatura do contrato que previa sua modernização.
