Linha 4-Amarela usará múltiplos pontos de ataque para acelerar escavação até Taboão da Serra

Túneis serão abertos simultaneamente a partir de estações e estruturas intermediárias, sem utilização de tuneladora

Primeiro poço da estação Taboão da Serra já está sendo escavado
Primeiro poço da estação Taboão da Serra já está sendo escavado (Reprodução)

As obras de extensão da Linha 4-Amarela entre Vila Sônia e Taboão da Serra entrarão nos próximos meses em uma fase mais complexa, com o início da abertura dos túneis. Para cumprir o cronograma, a estratégia será escavar a ligação a partir de vários pontos simultaneamente, aproveitando os poços das futuras estações e de estruturas intermediárias como acessos ao subsolo.

A solução é diferente daquela empregada em expansões como a da Linha 2-Verde, onde tuneladoras percorrem longos trechos sucessivamente. Na Linha 4, a extensão de cerca de 3,3 km será executada pelo método convencional (NATM) de escavação de túneis, permitindo criar diversos pontos de ataque e trabalhar em sentidos opostos ao mesmo tempo.

O MetrôCPTM mostrou recentemente como essa estratégia será aplicada na futura Estação Taboão da Serra. Dos cinco grandes poços previstos no local, três estão atualmente em escavação, identificados como 1, 3 e 5. Os dois situados nas extremidades terão papel direto na abertura dos túneis.

O poço 1, no lado noroeste da estação, dará acesso à frente que seguirá para além de Taboão, onde haverá estruturas operacionais associadas ao término da linha. No extremo oposto, o poço 5 permitirá iniciar a escavação no sentido da futura Estação Chácara do Jockey.

A expectativa apresentada anteriormente pelo governo paulista é que o poço 5 alcance a profundidade necessária em novembro. Com isso, a abertura da frente horizontal entre Taboão e Chácara do Jockey poderá ocorrer entre o fim de novembro e o começo de dezembro.

Planta das imediações da estação Taboão da Serra (Willian Moreira)

Até dez frentes simultâneas

A mesma lógica será empregada em outros pontos do prolongamento. Além das estações Taboão da Serra e Chácara do Jockey, poços destinados à ventilação e saídas de emergência poderão ser utilizados para acessar o túnel e criar novas frentes de trabalho.

Em entrevista ao portal O Taboanense, o engenheiro André Delmondes, da Motiva, afirmou que, consideradas essas estruturas, as obras poderão chegar a dez frentes simultâneas de escavação.

O número ajuda a dimensionar a estratégia adotada para compensar uma característica do método construtivo. Enquanto uma tuneladora concentra a escavação em uma frente que progride continuamente pelo traçado, o método convencional permite distribuir equipes por diferentes acessos e executar vários segmentos ao mesmo tempo.

Em Chácara do Jockey, os trabalhos ainda estão em uma etapa anterior aos de Taboão. A previsão divulgada pelo governo é iniciar a escavação dos poços da estação entre novembro e dezembro. Depois que as estruturas atingirem a profundidade necessária, novas frentes poderão seguir tanto no sentido de Taboão quanto de Vila Sônia.

Terrenos sendo limpos para a estação Chácara do Jockey (iTechdrones)

Encontro dos túneis

Os diferentes segmentos serão escavados até se encontrarem no subsolo, formando progressivamente o túnel contínuo da extensão. Além das estações, o projeto inclui estruturas de ventilação e saída de emergência distribuídas pelo percurso, que também ajudam a reduzir a distância que precisa ser vencida por cada frente.

A técnica exige acompanhamento constante das condições geológicas. Dependendo do tipo de solo ou rocha encontrado, a escavação pode empregar equipamentos mecânicos e outros métodos de desmonte, com o revestimento e a estabilização do túnel executados à medida que o avanço ocorre.

A extensão acrescentará duas estações à Linha 4-Amarela: Chácara do Jockey, ainda na capital paulista, e Taboão da Serra, primeira estação de metrô fora do município de São Paulo. O empreendimento também inclui um novo terminal de ônibus integrado em Taboão.

As obras começaram neste ano e têm previsão de conclusão em 2030. Antes de os túneis se tornarem a principal frente do projeto, os trabalhos estão concentrados na implantação e aprofundamento dos poços que darão acesso às futuras estruturas subterrâneas.