Linha 9-Esmeralda vai contar com mais energia elétrica a partir de 2027

Duas subestações de energia estão sendo finalizadas em Socorro e Cidade Jardim e são cruciais para eliminar um dos gargalos que limitam a operação do ramal

Trem da Série 8900 circulando na Linha 9-Esmeralda
Trem da Série 8900 circulando na Linha 9-Esmeralda (Jean Carlos)

Um dos problemas estruturais da Linha 9-Esmeralda, que contribuiu para as panes registradas sobretudo no início da concessão e limita uma oferta maior de trens, deve começar a ser resolvido no próximo ano. A Motiva planeja colocar em operação em 2027 duas novas subestações de energia, construídas nas regiões de Socorro e Cidade Jardim.

Para quem não sabe, a função de uma subestação de energia é receber eletricidade da rede externa, transformar e adequar a tensão e a distribuir para a alimentação dos trens ao longo da linha. Dependendo da demanda, um ramal de trens precisa de várias delas ao longo da sua extensão.

Das duas, a unidade de Socorro está mais adiantada. Segundo a concessionária, toda a estrutura física foi concluída e agora são instalados os sistemas eletromecânicos. Depois virão os testes, com previsão de entrada em operação até o fim do primeiro trimestre de 2027.

Em Cidade Jardim, a obra estrutural está na fase final e os primeiros equipamentos elétricos e de automação serão instalados na sequência. A Motiva prevê colocar a subestação em funcionamento também em 2027, mas ainda não estabeleceu uma data mais precisa.

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Subestação de Socorro está na fase final de implantação e entrará em funcionamento no começo de 2027 (Divulgação ViaMobilidade)

Cada uma das novas unidades terá capacidade instalada de 8 MW. Embora pouco perceptível para os passageiros, esse reforço é fundamental para aumentar a quantidade de energia disponível ao longo da Linha 9 e permitir que mais trens possam circular simultaneamente sem sobrecarregar o sistema.

Gargalo antigo da Linha 9

A insuficiência da infraestrutura elétrica é um problema conhecido do ramal e ficou mais evidente após a ViaMobilidade assumir a Linha 9, em janeiro de 2022. Nos primeiros anos da concessão, falhas de alimentação estiveram entre as causas de diversas interrupções e restrições de circulação.

A questão também impõe limites à redução dos intervalos. Quanto maior o número de trens circulando simultaneamente, maior é a demanda sobre a rede elétrica, o que torna necessário aumentar a capacidade de alimentação antes de ampliar de forma mais significativa a oferta.

Mais oferta de energia deve permitir intervalo menor (Jean Carlos)

As subestações de Socorro e Cidade Jardim já faziam parte do plano de modernização contratado pela concessionária em 2022. Além delas, o projeto contempla melhorias nas unidades de Imperatriz Leopoldina, Santa Rita, Osasco, Santa Terezinha, Villa Lobos-Jaguaré, Morumbi e Cidade Dutra, ou seja, também incluindo a Linha 8-Diamante.

O investimento nesse conjunto é estimado em cerca de R$ 190 milhões. De acordo com a Motiva, as obras deverão elevar em 46% a capacidade de fornecimento de energia das duas linhas.

Mais trens dependem também da sinalização

Ter energia suficiente, porém, é apenas uma das condições para aumentar a frequência dos trens. A Linha 9 também depende de uma sinalização capaz de controlar as composições com intervalos menores e manter a regularidade da circulação.

Sistema de sinalização ETCS (Alstom)

A concessionária contratou a implantação do ETCS (European Train Control System), sistema que substituirá a sinalização existente nas linhas 8 e 9. A conclusão desse projeto está prevista para 2030.

A combinação de maior capacidade elétrica e nova sinalização deverá dar à Linha 9 condições para operar uma oferta mais elevada e estável. O ramal hoje se estende por cerca de 36 km entre Osasco e Varginha, após a abertura das estações Mendes-Vila Natal e Varginha, acrescentando demanda e distância a uma infraestrutura elétrica concebida para uma operação menor.