Destaques Linha 18 Transporte ferroviário no mundo

Londres estuda construir seu primeiro monotrilho

Linha, que pode ser também um VLT, deve ser criada na região leste da capital britânica com traçado perimetral
Monotrilho de Londres
Meca do metrô, Londres estuda monotrilho

Enquanto no Brasil o governador João Doria (PSDB) cogita retroceder no modal previsto para a Linha 18-Bronze, Londres, a “meca” do transporte sobre trilhos, vejam só, também está estudando a implantação de um monotrilho. Hoje o sistema da capital britânica opera de linhas subterrâneas a elevadas, passando por trechos em superfície, ramais de metrô leve equivalentes a um monotrilho (DLR) e VLT, conhecidos como Trams.

Toda essa rede é administrada pela TFL (Transpor For London) que também é responsável pelos ônibus, entre outros, afinal a missão de oferecer transporte público é unificada, ao contrário do Brasil que divide a atribuição entre governo do estado e prefeituras. Mas nem com sua rede exemplar e densa, a mobilidade de Londres deixa de ter gargalos e um deles ocorre na região leste da cidade. Por essa razão a administração regional de Havering revelou que está estudando a implantação de uma linha de monotrilho que cortaria alguns bairros no sentido norte-sul.

Embora seja servida por trilhos e esteja perto de ganhar um novo acesso graças ao Crossrail, a maior obra ferroviária da Europa, a região sofre com congestionamentos perimetrais, daí a ideia de implantar um monotrilho ou um VLT. E o corredor de ônibus BRT, tão elogiado no Brasil? Nem sinal dele. Assim como São Paulo, capital do Reino Unido carece de vias largas que comportem um sistema que precisa de espaço para que os veículos possam fazer ultrapassagens e não repetir o absurdo de alguns corredores brasileiros, onde ônibus fazem filas imensas no trânsito.

Segundo a imprensa local, a questão está mais relacionada ao custo mais alto do monotrilho comparado ao do VLT, que hoje tem um pequeno trecho em funcionamento na periferia de Londres. Não se trata da primeira vez que um monotrilho é cogitado para a capital do país. Na década de 60 surgiu um projeto para substituir parte dos ônibus que circulam na região central. Na década passada, durante os estudos do Crossrail a opção pelo monotrilho também foi abordada. Batizado de “MonoMetro”, era uma versão suspensa e que ressaltava seu custo baixo de construção e as curvas mais fechadas que seria capaz de fazer.

A proposta do “Monometro”, um monotrilho suspenso, foi estudada na década passada (Monometro)

O BRT pode ser implantado em Londres…mas na cidade homônima canadense

“Solução mágica” de transporte coletivo, o BRT também tem um projeto em estudo em Londres, mas na cidade homônima que existe no Canadá, na província de Ontario. Com cerca de 400 mil habitantes, a Londres norte-americana ainda não possui um transporte de massa e há anos tenta convencer a população a aceitar a implantação de um corredor de ônibus.

No entanto, o projeto tem encontrado resistências em parte da sociedade pelo seu custo e impacto. Mesmo com vias extremamente espaçosas, há o temor de que a linha de ônibus acabe criando outros problemas por onde passará – se passará já que numa reunião recente, o conselho que gerencia o programa cortou boa parte da sua extensão.

Segundo um jornal local, “O plano de BRT foi criticado por seu custo, uma redução em outras faixas de veículos em cinco quilômetros da rede e dezenas de propriedades que teriam que ser demolidas para abrir espaço. ‘Eu acho que nos últimos anos eles se concentraram no BRT como a solução quando na melhor das hipóteses ele é parte de uma solução maior’, afirmou Gord Hume, conselheiro da cidade”.

Se no Canadá, com sua malha viária organizada e infraestrutura bem planejada já é difícil tirar do papel um corredor de ônibus o que esperar de uma região em que há constantes alagamentos, vias estreitas e níveis elevados de poluição como o ABC Paulista?

BRT de Londres, no Canadá
Mesmo com avenidas espaçosas, cidade canadense não consegue tirar BRT do papel

 

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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