Metrô coloca à venda restos dos trens M22 e M23, danificados após colisão na Linha 15-Prata
Caixas dos carros das duas composições envolvidas em acidente em 2019 serão leiloadas; partes dos trens foram usadas posteriormente na recuperação de M14 e M15
O Metrô de São Paulo decidiu colocar à venda as caixas remanescentes dos carros dos trens M22 e M23 da Linha 15-Prata, composições envolvidas em uma colisão em janeiro de 2019 e que nunca mais voltaram ao serviço.
Os restos dos dois monotrilhos aparecem no regulamento do Leilão 03/2026, que será realizado pelo Metrô no próximo dia 29 de setembro. O documento identifica o lote 84 como “caixas dos carros dos trens M22 e M23” e informa que o material está armazenado no Pátio Oratório.
O leilão ajuda a esclarecer o destino das duas composições, assunto que o MetrôCPTM acompanha há vários anos. Embora M22 e M23 tenham desaparecido da frota operacional depois do acidente, os dois trens não tiveram a baixa oficialmente divulgada.
Os dois trens colidiram em 29 de janeiro de 2019 nas proximidades da Estação Jardim Planalto. O acidente ocorreu durante a operação comercial e deixou passageiros feridos.
Uma investigação conduzida pelo Metrô apontou posteriormente que o M22, que estava parado, deixou de ser detectado pelo sistema de sinalização após uma intervenção humana. O M23 acabou avançando sobre o trecho ocupado e atingiu a outra composição.
Carro M14, orginalmente da composição M23 (Trilhos que Movem SP)
Apesar dos danos, partes dos dois trens permaneceram armazenadas pelo Metrô. A destinação desse material ganharia importância quatro anos depois, quando outro acidente atingiu duas composições da Linha 15.
Segunda colisão permitiu reaproveitamento
Em 8 de março de 2023, os trens M14 e M15 colidiram frontalmente entre as estações Sapopemba e Jardim Planalto durante o posicionamento das composições antes do início da operação comercial.
Os dois monotrilhos sofreram danos significativos, mas, diferentemente de M22 e M23, acabaram recuperados e retornaram posteriormente à operação.
Trens M14 e M15 após a colisão (Reprodução/TV Globo)
Em outubro daquele ano, o MetrôCPTM apurou que a recuperação havia utilizado carros preservados dos trens envolvidos no acidente de 2019. Segundo fontes ouvidas pelo site na ocasião, três carros do M23 foram aproveitados no M14, enquanto dois carros do M22 foram incorporados ao M15.
O processo também teria ocorrido no sentido contrário. Os carros danificados de M14 e M15 foram transferidos para as composições M22 e M23, concentrando nelas os veículos que não seriam recuperados.
O Metrô não confirmou oficialmente ao MetrôCPTM os detalhes dessa operação, embora M14 e M15 tenham retornado ao serviço e M22 e M23 tenham permanecido fora da frota operacional.
Documento oficial identifica caixas
A documentação do novo leilão não explica quais carros ou partes de M22 e M23 compõem o lote 84 nem menciona o reaproveitamento realizado após a segunda colisão. Pela primeira vez, no entanto, um documento oficial do Metrô identifica explicitamente caixas remanescentes das duas composições e revela sua destinação para venda.
Além do material proveniente de M22 e M23, o leilão inclui trilhos de aço, dormentes de madeira, discos de freio, equipamentos e outros bens considerados disponíveis pelo Metrô. A disputa ocorrerá exclusivamente pela internet às 10 horas de 29 de setembro.
As caixas dos carros de M22 e M23 poderão ser vistoriadas no Pátio Oratório entre 23 e 25 e em 28 de setembro, mediante agendamento prévio.
