Metrô de SP revela ter recebido ressarcimento de seguro pelo acidente com dois trens da Linha 15-Prata

Companhia deu baixa patrimonial nos trens M22 e M23 após colisão e agora colocará caixas remanescentes dos carros em leilão

Caixas dos trens de monotrilho que serão leiloados como sucata
Caixas dos trens de monotrilho que serão leiloados como sucata (Nosso Leilão)

O Metrô de São Paulo confirmou ao MetrôCPTM que deu baixa patrimonial nos trens M22 e M23 da Linha 15-Prata, envolvidos em uma colisão em 2019. Segundo a companhia, os prejuízos decorrentes do acidente foram integralmente cobertos pelo seguro vigente na época.

A confirmação ocorre após o Metrô colocar em leilão caixas remanescentes dos carros das duas composições. Até então, a companhia não havia esclarecido oficialmente o destino dos M22 e M23, que permaneceram fora de serviço desde o acidente.

Em resposta ao site, o Metrô afirmou que os carros passaram por uma avaliação técnica conjunta do fabricante e das equipes técnicas da companhia. A análise concluiu que os danos estruturais sofridos por determinados carros inviabilizavam sua recuperação técnica e sua segurança operacional.

Diante do resultado, foi recomendada a baixa patrimonial desses veículos e sua posterior destinação como material inservível. A companhia acrescentou que peças que ainda apresentavam condições de uso foram incorporadas ao estoque de manutenção do sistema.

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Trens M22 e M23 que se chocaram em 2019 teriam sido dado como irrecuperáveis (Reprdoução/Instagram)

O Metrô informou ainda que foi ressarcido integralmente pelos prejuízos decorrentes da ocorrência por meio da apólice de seguro vigente à época, sem impacto financeiro para a companhia relacionado aos veículos.

O Metrô afirma na nota que a ocorrência envolvendo M22 e M23 foi registrada em 2020, mas a colisão ocorreu em 29 de janeiro de 2019.

Colisão ocorreu fora do horário de operação

M22 e M23 colidiram na região da Estação Jardim Planalto quando a Linha 15-Prata já estava fora do horário de operação. Posteriormente, uma investigação do Metrô atribuiu o acidente a uma ação humana que tornou o M22, então parado na estação, invisível ao sistema de sinalização CBTC, levando à colisão com o M23.

Os dois trens nunca retornaram à operação. Em março de 2023, outro acidente envolvendo monotrilhos ocorreu, desta vez entre M14 e M15, durante o posicionamento das composições antes da abertura da linha.

Carro M14, orginalmente da composição M23 (Trilhos que Movem SP)

Em dezembro daquele ano, o MetrôCPTM revelou que M14 e M15 haviam retornado ao serviço após uma reconstrução que incluiu o aproveitamento de carros provenientes de M22 e M23. Segundo fontes ouvidas pelo site, o M14 recebeu três carros do M23, enquanto dois carros do M22 foram incorporados ao M15.

A resposta da companhia não confirma essa recomposição, mas revela oficialmente que peças em condições de uso dos trens baixados foram incorporadas ao estoque de manutenção.

Restos serão vendidos por pelo menos R$ 285 mil

O destino final do material que restou dos dois trens agora será o Leilão 03/2026 do Metrô. O lote 84 é descrito pela companhia como “caixas dos carros dos trens M22 e M23”.

No site do leiloeiro, o lote aparece com lance inicial de R$ 285.368,72 e encerramento previsto para as 10 horas de 29 de setembro. A página informa aproximadamente 14 peças e exibe uma fotografia em que é possível identificar ao menos uma caixa com a inscrição M22, além de outras estruturas cobertas.

Trens M14 e M15 após a colisão (Reprodução/TV Globo)

Há uma divergência sobre a localização do material. O regulamento do Metrô informa que as caixas de M22 e M23 estão no Pátio Oratório, enquanto a página do leilão identifica o lote como localizado no Pátio Jabaquara.

Segundo o Metrô, a destinação do material não afeta a operação da Linha 15-Prata. A companhia afirmou que dispõe de trens suficientes para atender à demanda de passageiros e citou também a futura incorporação dos novos trens da Frota S.