Metrô troca nome de estação da Linha 2-Verde para Fernão Dias

Futura parada da extensão do ramal tinha nome provisório de “Paulo Freire”, educador morto em 1997

Estação Fernão Dias (ex-Paulo Freire)(Fernandes Arquitetos)

O Metrô de São Paulo decidiu alterar o nome da futura estação Paulo Freire para Fernão Dias. A parada faz parte da extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos, mas ainda está na fase de desapropriações. A informação foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, e confirmada pela companhia em nota.

Segundo o Metrô, a mudança foi motivada pela maior associação dos moradores da região com o nome “Fernão Dias”, cuja rodovia tem início a poucos metros do local onde será a estação. A empresa diz ter feito uma pesquisa em que 57% das pessoas preferiram o nome “Fernão Dias” contra 29% de “Paulo Freire” e 14% de “Parque Novo Mundo”.

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A futura estação ficará localizada num terreno que é delimitado pela Marginal Tietê e Avenida Educador Paulo Freire, porém, as pessoas não costuma se referir à via por esse nome e sim Fernão Dias já que ela é um trecho urbano que dá sequência ao trajeto da rodovia.

A colunista, conhecida no meio jornalístico por ser uma espécie de “porta-voz informal” de movimentos de esquerda, alegou que a decisão teria surpreendido funcionários da empresa que souberam da mudança.

A localização da estação Fernão Dias (ex-Paulo Freire) e do pátio Paulo Freire (CMSP)

Mônica também buscou associar a mudança ao governo Jair Bolsonaro, que criticava constantemente o legado do educador, morto em 1997. A manchete, por exemplo, destaca o nome do atual governador, Tarcísio de Freitas, como responsável pela mudança de “educador Paulo Freire para bandeirante Fernão Dias” – Tarcísio foi ministro da gestão federal até deixar o cargo para concorrer ao governo de São Paulo.

Após um período em que foram tratados como heróis nacionais, empenhados no desbravamento do interior do Brasil, os bandeirantes têm sido descritos por alguns historiadores como exploradores de indígenas e escravos.

Nomes provisórios

A despeito do tom da reportagem da Folha, sugerindo que a mudança ocorreu sob influência do novo governo, conhecido pelo perfil de direita, a decisão de batizar as estações é uma tarefa normalmente feita por estudos do Metrô.

A empresa costuma informar nomes provisórios a esses locais enquanto os projetos são desenvolvidos ou mesmo construídos. Na própria expansão da Linha 2-Verde, o Metrô mudou o nome de duas estações, Guilherme Giorgi e Santa Isabel, que antes eram conhecidas como Nova Manchester e Guilherme Giorgi, respectivamente. A alteração ocorreu em outubro de 2020, já com as obras civis ocorrendo.

A estação Nova Manchester tornou-se Guilherme Giorgi em 2020, em meio às obras civis da Linha 2

Além da pesquisa de opinião, o Metrô também realiza outra pesquisa, de toponímia, que envolve pesquisar referências geográficas e urbanas para definir a denominação mais adequada para batizar a estação. No caso da agora estação Fernão Dias, esses estudos foram finalizados em 2022, de acordo com a empresa.

Não será, contudo, a primeira estação do Metrô a usar a referência de uma rodovia. A própria Linha 2-Verde tem outras duas paradas que informam estradas, Dutra, que também faz parte da expansão para Guarulhos, e Santos-Imigrantes, que fica na Avenida Abrãao de Morais, cuja continuidade ao sul se conecta à Rodovia dos Imigrantes.

Vale lembrar ainda que o educador Paulo Freire batizará o nome do Pátio de Manutenção da Linha 2-Verde, que será erguido nas proximidades da estação. Nesse caso, por não ser um local de uso público, a escolha do nome não deve passar pelo mesmo tipo de estudo.