Foi há pouco mais de 50 anos que o bairro de Moema perdeu seus trilhos. Em 1967, com o Brasil deixando de lado as vias férreas para investir no modal rodoviário, os bondes pararam de circular no bairro com o fim da linha que ligava o centro de São Paulo à região de Santo Amaro. Foram 60 anos em que o serviço funcionou por onde hoje estão a avenida Ibirapuera e Vereador José Diniz, já no bairro de Campo Belo. Agora, possivelmente até o final de fevereiro, Moema voltará a ter trilhos, desta vez subterrâneos e com um potencial de mobilidade nunca visto na região.

A Linha 5-Lilás do Metrô terá duas estações em Moema e a primeira delas, batizada de Eucaliptos (por literalmente cortar a rua do mesmo nome), está prestes a ser concluída. Localizada em frente ao Shopping Ibirapuera, o segundo mais antigo da capital (atrás apenas do Iguatemi da Faria Lima), a estação Eucaliptos passará a receber os trens vindos do Brooklin numa operação assistida possivelmente em horário reduzido das 10h00 às 15h00. Entre março e abril será a vez da estação Moema, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Aparecida, abrir em conjunto com as paradas AACD-Servidor e Hospital São Paulo – Santa Cruz e Chácara Klabin, que ligarão a linha 5 à outras linhas do Metrô, ficaram para abril.

A volta ao dos trilhos à Moema promete ser um marco divisório para o bairro, hoje infestado de veículos em ruas mal conservadas e que é cercado por vias expressas como a Rubem Berta e Bandeirantes. Mas não será agora que esse cenário mudará afinal a estação Eucaliptos, por enquanto, será uma alternativa apenas para quem vem e vai ao extremo sul. Assim mesmo promete começar a mudar esse panorama ao permitir que o público possa se deslocar por metrô para regiões onde praticamente apenas o automóvel e os ônibus são opção viável (não há ciclovia ligando Moema à Santo Amaro, por exemplo).

O blog visitou no começo da semana a estação Eucaliptos e pôde ver os preparativos finais antes de sua inauguração. Assim como as três estações abertas recentemente em Santo Amaro, a nova parada é formada na superfície pelo conjunto cúpula arredondada e prédio técnico externo além de uma praça com poucas árvores e várias clarabóias circulares. Um acesso secundário no terreno da Aeronáutica exibe um formato retangular menos ousado, mas deve receber um fluxo grande de pessoas do chamado lado dos “índios” de Moema.

Estação contará com duas praças

A escolha de Eucaliptos como próxima estação a ser aberta ao público obedece a uma questão de operação. Como é a estação seguinte à Brooklin (excluindo Campo Belo, a mais atrasada da obra), hoje parada da linha, ela passou à frente de outras duas estações que têm obras mais adiantadas, AACD e Hospital São Paulo. Para que ela seja inaugurada, o Metrô terá de realizar uma operação um tanto complicada não pelo esquema em si, mas pela distância entre as duas estações, de mais de 2 km. Como só há uma área em que os trens podem trocar de via, haverá uma operação de revezamento entre as plataformas de Eucaliptos com um trem seguindo direto de Brooklin para Eucaliptos e o próximo indo para a “contramão” e chegando na plataforma sentido Capão Redondo.

Como estava um pouco mais atrasada que as demais, Eucaliptos virou prioridade do consórcio Via Planova II, que assumiu o acabamento da estação. Durante a visita foi possível constatar que obra civil já está concluída, restando pequenos ajustes como troca de pisos quebrados ou correções apontadas pelos fiscais do Metrô. A maior parte das equipes é de contratadas para instalar os sistemas variados como o do sistema de câmeras, bloqueios, bilheteria e os que permitem a operação dos trens na plataforma.

Assim como Brooklin e AACD, que vocês viram aqui no blog, Eucaliptos também tem a cúpula central por onde os usuários acessarão por escadas o piso das bilheterias e bloqueios, porém em dois lances de escadas em vez de uma como na atual estação terminal da Linha 5. No primeiro piso inferior, além dos bloqueios, há o túnel de ligação com o acesso secundário e também os banheiros públicos. Mas nesse caso, como as plataformas são separadas os banheiros ficaram nas laterais também.

Linha de bloqueios

Após passar pelas catracas, o passageiro encontra logo em frente as escadas para o segundo piso que fica acima da plataforma. Desse piso, que já estava recebendo a limpeza fina já na preparação da entrega, escolhe-se o lado da plataforma. Como o pé direito do piso da plataforma é muito alto nesse projeto, as escadas fixas têm três lances o que deve fazer com que muitos passageiros optem pelas escadas rolantes e elevadores.

Já na plataforma a constatação que o blog já havia adiantado: a estação abrirá sem as portas de plataforma. A Bombardier, responsável pela sua instalação, está bastante atrasada com esse trabalho, que só foi iniciado em Brooklin até onde se sabe. Se não é tão espaçosa quando AACD, Eucaliptos também possui plataformas bastante confortáveis e largas. É possível notar também que a estação já conta com eletricidade própria, fornecida pela subestação Bandeirantes, próxima do local e ponto chave para que a linha possa chegar até Chácara Klabin nos próximos meses.

O acabamento da estação usa pastilhas na cor lilás, mas em quantidade pequena, preferindo exibir o concreto envernizado na maior parte das superfícies. É um visual mais bruto do que o visto na nova estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4, porém, ainda passa uma impressão melhor do que Borba Gato e Alto da Boa Vista, cuja simplicidade incomoda.

Sob pressão

O aspecto da estação no momento é de que mais duas semanas e tudo estará pronto. Um dos trabalhos que pareciam ainda mais crus eram os elevadores, já por outro lado, o sistema de monitores com informações da linha estava funcionando mesmo com a estação fechada.

O gargalo atual para abertura da estação está mais ligado ao sistema de sinalização e controle, o famoso CBTC, a cargo da Bombardier também. Segundo apurou o blog, ela tem o prazo de entregar o trecho em condições de operar até o dia 15 de fevereiro. Ou seja, caso isso ocorra, o Metrô precisará de mais alguns dias para verificar seu tudo está funcionado, levar os funcionários para receberem treinamento no local e marcar a inauguração.

Apesar da pressão em cima da Bombardier, que tem feito testes aos domingos na linha para fazer o CBTC funcionar de forma confiável, é possível crer que a estação abrirá nas próximas semanas, colocando Moema no mapa do Metrô de São Paulo finalmente.

Veja também: Primeiro trem da linha 5-Lilás chega à estação Santa Cruz