Obras da estação Varginha voltam a ser paralisadas

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Imagens recentes da estação da Linha 9-Esmeralda mostram canteiro de obras esvaziado e sem evolução há pelo menos um mês
A estação Varginha no início de janeiro de 2021: mais uma vez parada (iTechdrones)

Enquanto o governo Doria não se cansa de postar imagens e vídeos de obras cujo andamento está fluindo bem, a futura estação Varginha, parte da extensão da Linha 9-Esmeralda em direção ao sul de São Paulo, segue esquecida da pauta de seus executivos e o motivo não é dos mais agradáveis, já que os trabalhos estão paralisados há várias semanas. O canal iTechdrones, parceiro do site, flagrou o canteiro de obras vazio nesta sexta-feira, 8, sem qualquer funcionário visível.

Não se trata de uma coincidência, afinal em vídeo postado de 18 de novembro as obras já mostravam indícios de terem sido descontinuadas e o canteiro, desmobilizado (veja vídeo no final do texto). De lá para cá, a única mudança visível foi a retirada das estruturas que davam suporte à concretagem de vigas da cobertura da plataforma. Segundo um comerciante vizinho ao canteiro ouvido pelo canal, teriam ocorrido demissões de funcionários da Engibrás, empresa responsável pela obra.

A empresa assinou contrato com o governo do estado em abril de 2019 no chamado lote 2, porém, desde então pouca coisa avançou. Além de retomar a construção da plataforma (iniciada por outro consórcio), a construtora executou alguns serviço de alvenaria, terraplanagem, construção das paredes de uma passagem subterrânea e a montagem das instalações dos canteiros. Muito pouco para uma obra prometida para o ano que vem.

A lentidão das obras de Varginha, em contraste com o bom andamento de Mendes-Vila Natal, tem sido observada por este site há bastante tempo. O governo, no entanto, várias vezes anunciou o reinício dos trabalhos sem que algo relevante ocorresse de fato. Apenas em setembro do ano passado pode-se notar um movimento significativo de trabalhadores no local mas, como se viu, por pouco tempo.

Previsão real diferente

Estranha-se o silêncio da CPTM a respeito. A companhia publicou um relatório de transparência de obras e projetos em seu site em dezembro como se a situação estivesse normal em Varginha. Inclusive uma imagem da estação esvaziada foi acrescentada, mas na previsão de entrega do documento mantém-se sua abertura para 2022.

Como mostrou o site semanas atrás, a gestão atual trabalha com outra data, junho de 2023. Essa previsão consta de documentos do edital de concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda e é um dado mais acurado afinal os possíveis interessados em participar da licitação precisam de informações confiáveis para avaliar os riscos do negócio e formatar suas propostas.

Apesar disso, com a nova parada nas obras ignora-se se também se esse prazo não acabará sendo afetado. A estação Varginha terá 5 mil m² de área além de um terminal de ônibus anexado e que não faz parte do escopo do contrato. Ela deverá atrair cerca de 50 mil passageiros em dias úteis, o que fará dela uma das mais movimentadas da rede. Por essa razão, os atrasos frustam os moradores do entorno, que estão pelo menos desde 2012 esperando por sua conclusão.

Sabe-se que um dos motivos para os atrasos envolve o repasse de recursos federais para a obra. Foi essa burocracia que prejudicou o reinício dos trabalhos tempos atrás e pode ter sido a razão dessa nova parada. Ainda assim é preciso ser transparente também quando o assunto é desagradável. O site enviará questionanentos à CPTM e atualizará a nota quando receber uma resposta.

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  1. Estou procurando novas palavras no dicionário que possam definir a extrema vergonha que representam essas obras para a capacidade administrativa do nosso país, mas não estou conseguindo encontrar, temos de criar uma palavra nova capaz de traduzir isso.

    Isso sem falar do escândalo do corte das passagens gratuitas das pessoas com mais de 60 anos enquanto houve aumento extraordinário de salário do Covas e toda a malta que o cerca.

    1. É próxima, mas não ao lado. Futuramente, é dito que o terminal varginha será realocado para um local mais próximo ainda da estação.

  2. Em torno de 800 metros (uns 10 minutos de caminhada). Não é tão longe, mas ainda assim é uma boa caminhada.
    A previsão é de que tenha um novo terminal, que sabe-se lá Deus quando terá a construção iniciada.

  3. Nas gestões técnicas financeiras de quaisquer empresas ou empreendimentos, é importante e imprescindível que se faça a retomada seletiva pelos que possuem chances consistentes e reais de retorno do investimento, principalmente no atual cenário econômico, e não se ficar anunciando de forma simultânea e aleatória como já acontece frequentemente novas linhas e estações sem concluir as que se iniciaram.

    É fundamental em engenharia que a construção e montagem devam ter seu cronograma cumprido a risca dentro do prazo e não se adicione inúmeros aditivos alterando o orçamento original.

    Também neste principio, existe um ditado que diz “Em engenharia, quando a construção e montagem inconclusas conforme o planejado, os gastos com ás desmobilizações, retomada, mobilização, a única coisa que é certa é o prejuízo”.

    Como resultado tem se elevados gastos com equipamentos ociosos, alguns em deterioração e em estado de condicionamento e comissionamento devido ao adiamento constante dos projetos, montagens, construções e testes até as partidas de operações das Linhas.

  4. Em São Paulo, obras públicas sob a tutela de governos do PSDB sempre foram sinônimos de descaso, corrupção, omissão e negligência com a população e o erário público.
    Por isto, este tipo de notícia não me surpreende. É muita incompetência e má-fé. A única estação que está sendo executada dentro do prazo e orçamento previsto é a João Dias, uma vez que sua construção não é dependente dos burocratas politiqueiros associados ao partido mencionado acima, e é tocada pela iniciativa privada que certamente possui muito mais seriedade, competência e eficiência que a contrapartida pública. Privatizar deixou de ser uma opção, e se tornou uma necessidade diante do quadro lamentável que vivemos há décadas sob os burocratas que sempre agem com descaso, e saem impunes. Podemos contar nos dedos as vezes que vimos responsáveis sendo punidos por Improbidade Administrativa aqui em São Paulo.
    Enquanto a população não cobrar mais resultados dos responsáveis por tais obras, exigir mais seriedade com obras fundamentais tais como as de mobilidade e ficar sob eterna vigilância, seguiremos na eterna inércia e subdesenvolvimento.

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