Portuguesa Mota-Engil pode “herdar” obras de metrô em SP via Odebrecht

Negociação para compra de 40% da OEC daria ao grupo participação indireta em contratos da expansão da Linha 5-Lilás e da futura Linha 19-Celeste

A Linha 19-Celeste ligará São Paulo a cidade vizinha, Guarulhos
Futura obra contará com 15 estações atendendo duas cidades.

A construtora portuguesa Mota-Engil estaria em negociações para compra de cerca de 40% da Odebrecht Engenharia & Construção (OEC), operação que poderá colocá-la, de forma indireta, em dois dos principais projetos de expansão metroviária em andamento em São Paulo.

Embora a negociação ainda não tenha sido concluída, a OEC já foi escolhida para executar as obras de extensão da Linha 5-Lilás até Jardim Ângela e lidera dois dos três lotes da futura Linha 19-Celeste. No caso da nova linha, entretanto, o Metrô de São Paulo ainda não assinou os contratos com os consórcios vencedores das licitações.

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Caso adquira a participação na OEC, a Mota-Engil passará a ter exposição a um mercado em que grandes contratos de engenharia costumam ser bastante disputados. A empresa portuguesa já atua no Brasil e mantém parceria com a construtora brasileira em outros empreendimentos de infraestrutura, mas ainda não participa diretamente de obras metroviárias no estado de São Paulo.

A extensão da Linha 5-Lilás será executada para a Motiva (antiga CCR) e prevê duas novas estações, Comendador Sant’Anna e Jardim Ângela, além da ampliação da linha em cerca de 4,3 quilômetros.

Extensão da Linha 5-Lilás até Jardim Ângela é aguardada há anos (Jean Carlos)

Já a Linha 19-Celeste ligará Guarulhos ao centro da capital paulista com 17,6 km e 15 estações. A OEC ficou à frente de dois lotes da obra, que abrangem os trechos dentro da capital paulista. Apesar do resultado das licitações, a contratação ainda depende da formalização pelo Metrô.

Segundo informações publicadas pela imprensa econômica, a Mota-Engil pretende adquirir aproximadamente 40% da OEC. As empresas já integraram, ao lado da gestora Galápagos, o consórcio vencedor da concessão da Rota dos Sertões, na Bahia e em Pernambuco.

Entre as sócias da Mota-Engil está a CCCC (China Communications Construction Company), um dos maiores grupos do setor na China.

Nem a Mota-Engil nem a OEC confirmaram a operação. A construtora brasileira informou apenas que mantém uma longa relação de parceria com o grupo português em projetos de infraestrutura no Brasil e na África e que não comenta especulações de mercado.