Reequilíbrio de R$ 3,69 bilhões da Linha 6-Laranja segue sem acordo quase um ano depois
Artesp afirma que forma de compensação à Linha Uni continua em discussão; início da operação comercial também não tem data definida
Quase um ano depois de reconhecer um desequilíbrio econômico-financeiro de R$ 3,69 bilhões no contrato da Linha 6-Laranja, o governo de São Paulo ainda não chegou a um acordo com a concessionária Linha Uni sobre como será feita a compensação.
Em posicionamento enviado ao Metrópoles, a Artesp afirmou que a forma de recomposição do desequilíbrio continua em discussão entre o poder concedente e a concessionária. Segundo a agência, o termo aditivo ainda não foi pactuado e, por isso, não há modalidade de reequilíbrio nem cronograma de pagamentos definidos.
O valor foi reconhecido pela Artesp em dezembro de 2025 devido aos impactos provocados pelo chamado risco geotecnológico identificado durante as obras da Estação Higienópolis-Mackenzie e à adoção de um cronograma acelerado para reduzir seus efeitos sobre a implantação da linha.
Na época, o desequilíbrio foi calculado em R$ 826,1 milhões na data-base do contrato, montante equivalente a cerca de R$ 3,69 bilhões em valores atualizados até março de 2025. O reconhecimento, no entanto, não definiu como a concessionária seria compensada.
Vista do canteiro de obras da nova estação Higienópolis-Mackenzie da Linha 6-Laranja ((MetrôCPTM))
Processo continuou tramitando em 2026
A deliberação da Artesp de dezembro determinou a continuidade dos procedimentos necessários para a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro e posterior formalização por meio de termo aditivo.
O processo administrativo relacionado ao caso continuou tramitando ao longo de 2026. Registros do sistema SEI mostram novos documentos e movimentações durante o ano, inclusive requerimentos e uma planilha incluída em agosto e novas movimentações em setembro.
Parte da documentação, porém, não está disponível para consulta pública. Embora seja possível visualizar a relação de documentos e o histórico de tramitação, registros do próprio SEI mostram que documentos tiveram seu nível de acesso alterado para restrito.
A manifestação mais recente da Artesp confirma que, apesar do reconhecimento feito no fim do ano passado, a etapa de definição da forma de compensação ainda não foi concluída.
Área onde ficará a ‘passarela’ já com terreno limpo e tapumado (Willian Moreira)
Operação comercial ainda sem data
Outra questão ainda sem definição precisa é o início da operação comercial da Linha 6. As seis estações abertas ao público em julho funcionam em operação assistida, sem cobrança de tarifa e com horário reduzido.
Segundo a Artesp, essa etapa corresponde à Fase I da concessão e não aciona o pagamento da contraprestação mensal prevista no contrato. A obrigação está vinculada ao início da operação comercial, marco que ainda não foi alcançado.
O governo paulista indicou que a operação comercial deverá começar em 2027, mas até agora não apresentou uma data específica para a mudança de fase.
Em julho, o governador Tarcísio de Freitas também anunciou que a Linha 11-Coral será prolongada provisoriamente de Palmeiras-Barra Funda até Água Branca a partir de janeiro de 2027. A medida permitirá uma integração com a Linha 6 antes da conclusão da futura estação definitiva da Linha 11 no local.
Na ocasião, o governador relacionou a chegada da Linha 11 a Água Branca ao avanço da operação da Linha 6 ao longo de 2027, mas não estabeleceu esse prolongamento como marco formal para o início da operação comercial.
Atualmente, a Linha 6 atende o trecho entre as estações João Paulo I e Perdizes, com seis estações abertas em operação assistida. Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, que completam a primeira etapa prevista para 2026, devem ser inauguradas em dezembro.
