Sem esclarecer situação, Baldy fala em tomar “atitudes drásticas” em relação às obras da estação Varginha

Situação das obras da estação Varginha em novembro e na semana passada (iTechdrones)

Após o canal iTechdrones publicar um vídeo flagrando o canteiro de obras da estação Varginha vazio na semana passada, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, se pronunciou em sua conta no Instagram a respeito da paralisação dos trabalhos. “…retomei essa obra enquanto Ministro e me dedico diariamente para sua conclusão. Apesar das dificuldades, não hesitaremos em tomar atitudes drásticas assim como foi feito na Linha 17-Ouro“, afirmou sem esclarecer o que ocorre com o contrato com a empresa Engibrás.

Ao citar a Linha 17, Baldy dá a entender que houve algum tipo de descumprimento por parte da construtora como os que ocorreram com o consórcio Monotrilho Integração. O site questionou a CPTM a respeito dessa situação na segunda-feira e aguardava uma resposta da companhia até a publicação desta nota.

A obra foi contratada em maio de 2019 junto à empresa Engibrás por um valor de R$ 87 milhões. O prazo de execução é de 18 meses, mas pouca coisa evoluiu desde então. A estação, que será terminal da Linha 9-Esmeralda, deverá atender 50 mil passageiros por dia quando estiver pronta. A previsão oficial do governo é 2022, porém, um dos documentos do edital da concessão das linhas 8 e 9 mostra uma previsão mais distante: 2023.

Repasses federais

A extensão da Linha 9 até Varginha é um projeto lançado há quase uma década e cujas obras começaram a ser tocadas em 2014, mas o edital não obedeceu os padrões do governo federal e por isso não teve direito ao repasse de verbas, como estava acordado. O governo Alckmin decidiu então rescindir contrato com os primeiros consórcio e relançar o certame, desta vez adequado aos requerimentos do Ministério da Cidadania, atual Desenvolvimento Regional.

Situação dos repasses do governo federal para as obras da extensão da Linha 9

O governo do estado afirmou que a União repassaria a fundo perdido cerca de R$ 500 milhões, mas nos dados do programa do Ministério consta um convênio de R$ 246,8 milhões, dos quais R$ 222,8 milhões haviam sido liberados até dezembro de 2020. Se em 2019, a obra contou com a injeção de R$ 151 milhões, no ano passado o valor depositado na conta do estado foi de R$ 29,6 milhões, disponibilizados apenas no final do ano.

Com esses recursos, a obra de Varginha pouco avançou. Há apenas a plataforma e algumas colunas da cobertura, além do esqueleto do edifício que receberá as salas técnicas, necessárias para a instalação de sistemas. A Engibrás chegou a realizar alguns serviços de alvenaria e de concretagem das vigas do mezanino da estação, além de montar alojamentos e outras estruturas de apoio para os funcionários, além de outros serviços menores.

O andamento vagaroso de Varginha contrasta enormemente com as obras da estação João Dias, também da Linha 9-Esmeralda, e que está sendo bancada quase que integralmente pela iniciativa privada. Sem a burocracia estatal, os trabalhos fluem como se espera de uma obra pública. A previsão de entrega, inclusive, deve ocorrer já no segundo semestre, antes do esperado. Varginha, por sua vez, voltou a ser uma incógnita.

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