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Sem recursos, Metrô pode ‘perder’ duas novas linhas

Licitadas, Linhas 18 e 2 correm risco de não saírem do papel
Estação Paço Municipal, no centro de São Bernardo do Campo
Estação Paço Municipal, no centro de São Bernardo do Campo
Estação Paço Municipal, no centro de São Bernardo do Campo
Estação Paço Municipal, no centro de São Bernardo do Campo

A situação econômica do país e, consequentemente, do estado de São Paulo, podem levar o Metrô a perder duas novas linhas já licitadas e com contrato assinado. O monotrilho da Linha 18 e a extensão da Linha 2 – Verde, que é praticamente uma nova linha, estão congeladas por falta de recursos, embora ‘prontas’ para começar as obras.

A companhia tenta obter alguns adiamentos para que a licitação não perca a validade, mas os obstáculos no caminho são bem complexos.

Sem verba federal

O monotrilho da Linha 18 – Bronze, que atenderá o ABC paulista, está licitado desde 2014. No entanto, a falta de dinheiro para pagar as desapropriações travou o sinal verde para início das obras. Como é de responsabilidade do governo, o processo de desapropriação exige recursos do estado, mas a gestão Alckmin ficou sem um prometido repasse do governo federal dentro do PAC.

Mesmo depois que desistiu de obter esse valor, de cerca de R$ 400 milhões, o governo do estado ainda tenta aprovar um financiamento internacional, porém, novamente a União impede que o negócio siga em frente ao não liberar a autorização para o empréstimo – responsabilidade do Cofiex, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.

O contrato assinado com o consórcio ABC Integrado (formado pelas empresas Primav, CR Almeida, Cowan, Encalso e Benito Roggio) vence em agosto e por isso o governo tenta prolongar sua vigência enquanto não encontra uma solução.

Enquanto isso, o consórcio diz que trabalha nos projetos executivos da obra a fim de ganhar tempo.

Mapa das estações do prolongamento da Linha 2 - Verde
Mapa das estações do prolongamento da Linha 2 – Verde

Desafogo para a Linha 3

Extensão de importância vital para que a rede metroferroviária se equilibre, a nova fase da Linha 2 – Verde está congelada até o final deste ano. A licitação para construção de mais 14,4 km de vias e 13 estações foi contratada em setembro de 2014 e no mês seguinte as primeiras ordens de serviço (autorização efetiva para início dos trabalhos) foram emitidas para parte dos oito lotes.

No entanto, sem verba para obra, o governo decidiu congelar o projeto até dezembro deste ano. O financiamento existente acabou repassado para outras obras mais adiantadas.

A questão é que parte das construtoras vencedoras do certame está envolvida na operação Lava Jato e com dificuldades para obter crédito no mercado. É o caso da Mendes Junior que venceu quatro deles, incluindo o que envolve a operação dos tatuzões.

Recentemente, a Mendes Junior foi condenada em âmbito federal e não poderá participar de licitações nos próximos dois anos. Resta saber se haverá condições de assumir esses lotes caso eles sejam “descongelados”.

A extensão da Linha 2 fará dela a maior linha do Metrô, com quase 29 km e uma missão vital: desafogar a Linha 3, a mais lotada do sistema. Como fará conexão com ela na estação Penha, o Metrô espera que parte dos passageiros opte por seguir pela linha Verde no sentido da Avenida Paulista e da Zona Sul da cidade.

Por enquanto, esse cenário parece bastante incerto.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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