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Trem expresso de Guarulhos: mais barato mas com menos viagens comparado a outros aeroportos do mundo

Tarifa do serviço Airport Express chega a ser seis vezes mais em conta que o RER de Paris, mas peca por oferecer apenas cinco partidas diárias
Estação Aeroporto Guarulhos: viagem expressas devem facilitar chegada ao aeroporto, mas serviço poderia ser mais eficiente

Ao estrear nesta terça-feira (16), o Airport Express, serviço de trens que conectará a estação da Luz, no centro de São Paulo, ao Aeroporto de Guarulhos, pode ser considerado uma das ligações mais baratas disponíveis nos grandes aeroportos internacionais do mundo. Por 8 reais, o passageiro levará cerca de 35 minutos para chegar à região do aeroporto, que fica a uma distância de aproximadamente 18 km da região central da capital paulista. De lá ele ainda precisará se deslocar até um terminal de ônibus para então seguir até os dois principais terminais do aeroporto numa viagem que deve durar ao todo 45 minutos.

Mas, afinal, o serviço oferecido pela CPTM pode ser comparado ao de outras metrópoles globais como Nova York, Londres ou Tóquio? A resposta é sim. O tempo total de deslocamento é semelhante ao de outros serviços, embora a lentidão da viagem, por culpa do uso de vias compartilhadas e com problemas de sinalização, impeça que ele possa ser mais eficiente. Para se ter uma ideia, o trem Skyliner, que liga o Aeroporto Narita ao centro de Tóquio, leva o mesmo tempo que o trem da CPTM, porém, cobrindo uma distância de 57 km (em linha reta).

A Linha 13 é, no entanto, mais rápida do que a Picadilly Line, linha do metrô londrino que sai do Aeroporto de Heathrow e que precisa de uma hora para que o usuário desembarque na estação Picadilly Circus, por exemplo. É claro que aqui o problema está nas inúmeras paradas no caminho – existe um serviço expresso também que leva apenas 15 minutos, mas a um custo muito alto, de pelo menos 108 reais.

Veja a seguir como é a ligação de trem de cinco grandes aeroportos internacionais no mundo comparados ao serviço da CPTM.

Aeroporto John F. Kennedy (Nova York)

Mais importante aeroporto de Nova York, o John F. Kennedy possui um serviço de trem leve, o AirTrain, que liga seus terminais até estações de trem e metrô da MTA, a agência de transportes da cidade. O valor para percorrer os quase 8 km que separam os terminais até a estação Jamaica, no entanto, é alto, de 5 dólares (quase 19 reais). De lá o passageiro terá uma enorme variedade de linhas para seguir viagem, mas a mais barata é tomar a Linha E se estiver indo para Manhattan. O custo total, sem contar a aquisição do cartão, é de 7,75 dólares (29 reais) por viagem.

Segundo o site do aeroporto, o tempo de viagem até o centro é de 50 minutos – o JFK está distante 21 km da região de Times Square. Os intervalos do AirTrain variam de 7 a 20 minutos enquanto a Linha E, que funciona inclusive de madrugada, vai de 4 a  5 minutos no pico a 7 minutos em horários mais tranquilos.

Trens e metrô estão bastante distantes do aeroporto internacional, porém, o AirTrain facilita o deslocamento até estações com muitas conexões, ao contrário de Engenheiro Goulart. No entanto, o tempo gasto é tão alto quanto o do sistema paulista.

O AirTran de Nova York: trem leve é o que Guarulhos precisa para levar passageiros até estação da CPTM (Jim.henderson)

Aeroporto Heathrow (Londres)

Mais movimentado aeroporto da Europa, Heathrow possui um sistema de transporte sobre trilhos invejável. Além de um trem realmente expresso é possível utilizar o metrô para chegar ao centro de Londres ou fazer uso de sua enorme rede. Mas a viagem pela Picadilly Line é demorada: são cerca de 23 km e 20 estações até Picadilly Circus percorridos em uma hora. O preço do bilhete unitário é alto (6 libras ou quase R$ 30), porém, há como adquirir os cartões com direito a uso por dia, semana ou mês, por exemplo.

O passageiro que desembarca em Heathrow precisa caminhar poucos metros para chegar até as estações de metrô e esperar no máximo 10 minutos por um trem. Mas usar a linha com muitas malas não chega a ser uma tarefa agradável. Com trens de dimensões modestas é preciso encontrar espaço para acomodar sua bagagem e não importunar outras pessoas. Os trens da CPTM, nesse aspecto, são bem maiores, porém, com demanda pendular.

Estação do Terminal 5 de Heathrow: metrô embaixo do aeroporto em Londres (Sunil060902)

Aeroporto Charles de Gaulle (Paris)

O terminal aeroportuário francês é conectado pelo RER, uma espécie de CPTM de Paris. A linha B, inclusive, vai do Charles de Gaulle até Orly, o outro aeroporto da capital francesa. A viagem até a região central leva 28 minutos, segundo o site da empresa responsável, e custa 11,40 euros (quase 50 reais). Das duas estações do aeroporto, uma está próxima da ala mais nova e requer uma caminhada razoável, dependendo de onde o passageiro desembarcar – há ainda ônibus gratuitos que circulam entre os terminais.

Os trens do RER B são espaçosos e cumprem intervalos de cerca de 6 minutos, ou seja, lembra realmente a nossa CPTM, com a diferença de levar os usuários até regiões centrais de forma direta.

O RER B de Paris: sistema lembra o da CPTM mas vai até o centro da cidade (ProtoplasmaKid / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0)

Aeroporto Narita (Tóquio)

O distante aeroporto de Narita concentra a maior parte dos voos internacionais da capital japonesa, mas fica a 57 km do centro de Tóquio. Por isso existem alguns serviços de trens expressos disponíveis. O mais veloz deles é o Skyliner que leva 47 minutos para chegar a Tokyo Station, bem no centro da cidade. O preço, obviamente, é o mais salgado: cerca de 75 reais, dependendo do horário. A ligação, no entanto, não é direta, sendo necessária uma baldeação. Mas há outros serviços que levam um pouco mais de tempo, porém, levam o usuário direto ao centro. Os intervalos são bem variados, podendo sair em 5 minutos ou meia hora.

O Skyliner em nada se assemelha ao que temos em São Paulo. Com velocidade de 160 km/h, é um trem muito veloz, necessário para cobrir a distância três vezes maior do que a de Guarulhos e o centro de São Paulo. Se um dia o governo construir o trem regional que chegará a Campinas e levá-lo até Viracopos aí sim teremos um exemplo parecido.

Trem do aeroporto de Narita: serviço mais veloz até o centro de Tóquio (RSA)

Aeroporto de Pequim

O serviço expresso da capital chinesa é o mais eficiente dos seis analisados aqui. Ele precisa de apenas 20 minutos para levar o passageiro do aeroporto internacional até a região central, uma distância em linha reta de 20 km. Com intervalos de 10 a 15 minutos, o trem chinês custa pouco, apenas 13,50 reais, e deixa o usuário conectado com o restante da malha de metrô da capital chinesa.

As estações do expresso ficam próximas dos terminais e, assim como a Linha 13, o ramal percorre boa parte do percurso por via aérea para depois seguir por túneis (também a solução prevista para a linha paulista). É o sistema que mais se aproxima do que se esperava da CPTM e não é à toa. Ela foi inaugurada em 2008, para facilitar o acesso de turistas ao Jogos Olímpicos de Pequim.

Trem expresso do aeroporto de Pequim: serviço eficiente, trem leva passageiros até o centro da capital chinesa por um preço acessível (snowyowls)

Aeroporto de Guarulhos

Como dito, o serviço expresso da CPTM é muito barato. Por 8 reais, o gasto do passageiro para chegar ao Aeroporto de Guarulhos é cerca de 10 vezes mais barato que usar táxis ou uber. A estação da Luz é bem melhor conectada ao restante da rede do que Brás, onde para o serviço Connect, porém, o baixo número de partidas e ainda fora do horário de rush denunciam que o serviço expresso nada mais é do que uma adaptação. Ele poderia funcionar de acordo com o esperado, mas isso exigiria que a CPTM tivesse modernizado as vias e sinalização entre Engenheiro Goulart e Luz para que fosse possível operar com até três serviços diferentes pelo caminho. No entanto, isso não ocorreu e restou a alternativa de encaixar os trens da Linha 13 em períodos em que as linhas 11 e 12 estão menos carregadas.

Além desse problema, que talvez não tenha solução afinal a Linha 13 deve seguir para outros destinos no futuro, há também a distância da estação Aeroporto Guarulhos dos terminais 2 e 3 do aeroporto. Ela é bem mais próxima do que a estação Jamaica do John F. Kennedy, porém, lá o AirTrain faz o papel que aqui deveria ter sido assumido pela GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto e que prometeu e não cumpriu a construção de um monotrilho.

Vale lembrar que num aspecto o passageiro que utilizar trilhos para chegar à São Paulo estará em franca desvantagem em relação a outras cidades, a falta de informações claras no site do Aeroporto de Guarulhos. Enquanto em Nova York ou Londres os sites dos aeroportos explicam com detalhes como se deslocar de trem a partir deles a GRU Airport exibe apenas informações básicas em sua página na internet, um grande desserviço da concessionária.

Mas no geral, a experiência do passageiro que escolher usar o Airport Express não será tão inferior ao de outros grandes aeroportos do mundo. E por uma tarifa bem mais baixa.

Veja também: É muito cedo para dizer que a Linha 13-Jade foi um erro

Plataforma do Airport Express na estação Luz: serviço barato, mas com intervalos enormes

 

 

 

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

10 Comentários

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  • É como eu sempre digo, o metrô de sp é muito bom, oq nos prejudica por demais é a corrupção e a burocracia brasileira para construir novas linhas, a cptm pode ser uma ótima alternativa também porém tem muitos entraves no caminho como o compartilhamento dos trilhos com trens de carga. É preciso muitos anos de boa gestão e decisões certas para conseguir fazer da nossa rede a melhor do mundo mas enquanto dependermos da burocracia e da boa dos políticos e empreiteiras de ganhar dinheiro não vamos sair do lugar.

    • Concordo com você, já conheci várias cidades grandes em países desenvolvidos e o metrô de São Paulo está entre os melhores, exceto pelo minúscula extensão.

      • Realmente, o metrô Paulista é excelente principalmente na manutenção
        Claro que é bem mais novo, mas por exemplo o metro de Paris e Roma tem um cheiro bem desagradável.

  • O trem expresso de Heathrow ao centro de Londres não deixa bem no “centro”, mas em Paddington, ainda na zona oeste. Isso obriga à maior parte dos usuários a tomar um metro/táxi para hotéis ou destinos. Quanto à linha Piccadilly, que liga ao aeroporto, esta sim corta a cidade, mas é uma solução precária. Trens abarrotados, ou dependendo do horário/estação do ano podem ser muito quentes. O novo tipo de trem só daqui a uns dez anos. Neste ínterim a nova linha Crossrail foi adiada mais uma vez por um ano, com várias atrações atrasadas e sem qualquer explicação do poder público.

  • Olá, Ricardo.

    Na verdade, no aeroporto Charles de Gaulle usa-se um “shuttle train” (um minimetrô automático) para ir do terminal internacional até a estação do RER (mas acho que já fiz o mesmo trajeto a pé, por dentro do aeroporto).

    A linha B do RER é a única que não usa trens de dois andares (provavelmente para não atrapalhar o uso de malas). Mas os trens, apesar de muito mais espaçosos do que os do metrô da linha Picadilly, não são apropriados para o transporte de malas. Se o usuário com malas grandes pegar a linha paradora, então, pode passar um certo apuro, porque a lotação pelo caminho será garantida. As malas ficarão atrapalhando os usuários, no meio do corredor, por exemplo.

    Há trens que seguem direto e só começam a parar a partir de Gare du Nord e outros que param em todas as estações do caminho. O trem direto, de fato, leva uns 30 min até chegar a Châtelet. O outro, o dobro do tempo.

    O RER B não vai para Orly. Na estação Antony, paga-se para pegar a chamada “navette” até o aeroporto (há bilhete integrado). A linha 14 do metrô é que se estenderá, daqui a alguns anos, de Olympiades até Orly.

    Abs.

  • Em Madrid o transporte entre terminais é feito por ônibus, porém tem estações de metrô no terminal 4 e terminal 1 (o terminal 1,2 e 3 são juntos como em Guarulhos, mas o 4/4s são bem distantes), então pode ser um pouco parecido com SP

    Eu acho que o maior problema seria pegar o trem na linha 13 e ter que baldear na lotada linha 12.
    Com esses serviços expressos, melhora bastante

    Acho que colocarem ônibus com piso baixo, poderia dar uma ajudada tbm.

  • Do aeroporto de Narita ao centro de Tokyo também existe o Narita Express, que corre literalmente ao lado do Skyliner nas proximidades do aeroporto. Além disso existem outros serviços expressos com diversas variações, como por exemplo o serviço que liga o aeroporto de Narita ao de Haneda, passando por 3 linhas e empresas diferentes.

  • Vale lembrar que a linha expressa não aceita bilhete único, caso a pessoa já tenha um, que esteja carregado.
    Achei desnecessário isso, acho que a linha deveria ir até a Luz normalmente, sem ser um serviço expresso e exclusivo. Talvez ajudaria a desafogar metrô de SP e também aumentar o fluxo de pessoas na linha Jade, que é baixo, por ser uma linha inviável para a maioria das pessoas. Se eu pego um ônibus no Terminal Taboão, que é ligado ao Terminal Aeroporto da CPTM, eu chego em alguns lugares de SP mais rápido do que se eu fosse de trem.

  • Se os trens q vão ao aeroporto utilizam linhas férreas da linha 11 Coral e 12 Safira, ambas as linhas irão continuar dando seus problemas quase q diários? Ou qdo der alguma paralisação, a linha connect para tb ou continua? Pq todos sabem dos problemas constantes nas linhhas da CPTM.

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