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É muito cedo para dizer que a Linha 13-Jade foi um erro

Novamente, jornal aponta baixa utilização da nova linha da CPTM, apenas um mês após o início da operação comercial
Trem da Linha 13 vazio: essa cena não deve durar muito (Felipe Salomão)

No início de 2011, ela transportava menos de 30 mil passageiros por dia com três estações e horário comercial não integral, mas a expectativa era que o movimento quase dobrasse com a ampliação do horário em maio daquele ano. Não, não estamos falando de uma linha de ônibus qualquer, mas de uma linha de metrô bem localizada e conectada a outros ramais e que ainda estava bem distante do atual movimento de passageiros (próximo de atingir 1 milhão de usuários por dia nos próximos meses).

Visto dessa forma, poderia se afirmar na época que a Linha 4-Amarela (da qual citamos os números acima) seria um fracasso, mas a realidade mostrou que era questão de tempo e também de sua ampliação para que a operação mostrasse seu potencial. É provavelmente o que ocorrerá com a Linha 13-Jade, da CPTM, a primeira que a companhia constrói e opera em sua história.

A nova linha, que abriu de forma apressada no final de março para que o então governador Geraldo Alckmin do PSDB pudesse inaugurá-la (antes de se desligar do governo e se lançar candidato à presidência), está desde então evoluindo em sua operação. Em abril operou apenas aos fins de semana sem cobrança de passagem, situação que foi estendida aos dias de semana em maio. No mês passado foi iniciada a operação comercial, porém, com apenas dois trens disponíveis e um intervalo alto até mesmo para os padrões da CPTM, de 30 minutos.

Agora, em julho, o intervalo foi reduzido para 20 minutos nos horários de pico, ainda uma eternidade se pensarmos que na Linha 9-Esmeralda ele seja de 3 minutos apenas. A ideia é que essa espera seja gradualmente reduzida para algo em torno de 8 a 12 minutos nos próximos meses. Além disso, haverá a estreia dos serviços Connect, que levará alguns trens até o Brás, e Expresso Aeroporto, com quatro partidas diretas até a Luz.

Nesse cenário, a expectativa da CPTM é que 120 mil pessoas utilizem o ramal diariamente. Bem mais que os parcos 7.147 usuários diários que passaram por ela em junho. Ou seja, é cedo para dizer que a Linha 13 foi um erro de projeto ou que é um elefante branco. No entanto, para o jornal Folha de São Paulo, o novo ramal da CPTM parece ser fracasso retumbante, como já havia insinuado num artigo publicado no final de maio e em nova matéria que foi ao ar nesta quarta-feira (11).

Se no primeiro texto o jornal arriscou um palpite para o baixo movimento no primeiro dia de funcionamento em dia útil (a distância de terminais de ônibus de Guarulhos para a linha) agora a publicação fez um paralelo entre o movimento diário e as linhas de ônibus que saem do aeroporto até São Paulo. Segundo a Folha, eles levam mais passageiros que a linha de trem.

Cada quilômetro de trilhos conta

Assim como em muitos artigos sobre o assunto, a grande imprensa costuma se concentrar apenas na manchete de impacto e em algum tema que provoque algum tipo de indignação na população sem se aprofundar sobre as razões de certos fatos. Os artigos da Folha não fogem à regra. Poderiam explicar que linhas de metrô e trem, com raras exceções, não  lotam da noite para o dia. Existem várias razões para isso sendo uma delas o fato de ser preciso tempo para que elas atinjam seu pico operacional – como é o caso da Linha 13.

Os intervalos altos tornam o serviço lento e desvantajoso perante outros modais. Além disso, os trens ainda não estão percorrendo os quase 12 km na velocidade ideal, o que acrescenta tempo à viagem. O site fez o trajeto há alguns meses e constatou que se perde muito tempo não só com o trecho da Linha 13 e do ônibus do aeroporto mas sobretudo com a lenta Linha 12-Safira, que leva os usuários de Engenheiro Goulart à Tatuapé e Brás, onde eles podem seguir para outros ramais. Quando essa situação melhorar, a linha ganhará eficiência e o serviço será mais competitivo.

Mas há outros fatores que o jornal dá pouca importância. A Linha 13, por exemplo, nunca foi pensada para ser a melhor opção de transporte sobre trilhos no município de Guarulhos. Esse papel caberá primeiro à extensão da Linha 2-Verde que a levará até próxima do Shopping Internacional, às margens da Via Dutra, e mais tarde para a Linha 19-Celeste, do Metrô, que sairá da região do Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo, e seguirá quase em linha reta até a região central de Guarulhos. Ambas, no entanto, não têm previsão de início de obras por enquanto.

Para a Linha 13, a CPTM tem outros planos. O ramal atenderá a região de Bonsucesso, logo após o Aeroporto de Guarulhos, e irá sentido o bairro da Mooca, na Zona Leste de São Paulo. Esse é o plano de longo prazo da linha que, como se vê, não levará os passageiros até o centro da capital. Em outras palavras, o aeroporto não é seu objetivo principal e sim um dos geradores de tráfego, sejam eles passageiros ou funcionários.

O percurso completo da Linha 13 (CPTM)

Com essa perspectiva colocada na mesa fica claro que a demanda da Linha 13 surgirá à medida que o serviço seja ampliado. Sempre foi e será assim por uma simples razão: cada quilômetro de trilhos conta. Numa rede integrada como a de São Paulo e com tarifa sem restrição de distância, utilizar o trem é quase obrigatório por ser muito vantajoso financeiramente para viagens de média e longa distância. Não é à toa que os trens andem cheios enquanto muitos ônibus da capital paulista “batam lata”, numa gíria roubada do setor metroferroviário.

Ambos os artigos da Folha, aliás, citam a Linha 11-Coral para mostrar sua enorme demanda (acima de 700 mil pessoas por dia) como contraponto. Pois ela possui uma extensão operacional entre Guaianases e Estudantes que se assemelha às linhas 12 e 13. É preciso trocar de trem na primeira e seguir viagem até a Luz. Apesar desse incômodo, o ramal é cheio.

Esse período de reconhecimento ocorreu com a Linha 4, como dissemos, mas também com a Linha 5-Lilás, que está prestes a finalmente se conectar à rede metroviária. Quem vê a linha do Metrô hoje, lotada, nem deve se lembrar dos tempos em que ele era usado por pouca gente, logo após a inauguração do primeiro trecho, em 2002. Parecia um grande elefante branco, que ligava nada a lugar nenhum, como disse recentemente um promotor pouco informado.

O tempo passou e a linha já está perto de se tornar um dos principais eixos de mobilidade da cidade, algo que vai acontecer também com a Linha 13. Basta esperar um pouco em vez de julgá-la precipitadamente.

Veja também: CPTM terá de entregar 21 trens novos até o final do ano

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

24 Comentários

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  • a matéria do jornal é extremamente tendenciosa, é obvio q a linha 13 tem uns problemas e q ela só com estas 3 estações não é tã atrativa, porem a linha ainda é desconhecida por uma grande parcela do povo, e o intervalo dos trens e alto, no futuro com os trens específicos para as malas, o expresso aeroporto, o tal shopping do lado do aeroporto, e mais estações na linha 13 (e mais estações em outras linhas), será outros quinhentos

    só ver quando inauguraram a linha 5 do metro, q era piada q não ligava nada a nada, e etc… o tempo passa e o povo começa a usar o serviço e as coisas vao entrando nos eixos (pena q aqui as coisas demoram demais)

  • Gente como vcs querem que os passageiros dos bairros próximos peguem o trem sendo que a bosta deste Bilhete único de Guarulhos não passa no trem, ninguém vai pagar mais R$ 4,30 pra chegar em casa ou na estação..

  • A linha 13 facilitou muito minha vida, em stress do transito e custo de gasolina. O tempo ainda não é uma vantagem , mas certamente será em pouco tempo. Parto de Guarulhos e vou até Vila Olímpia, fazendo 4 baldeações e com somente 4 reais.

    • Danielle, otimo exemplo ! como o seu existem milhares de outros e quando a linha tiver todos os 8 trens funcionando e intervalos menores entre trens certamente o movimento aumento 10x o que eh hoje !!

  • Parabéns pela matéria Ricardo.
    Infelizmente, muitas vezes a mídia presta um desserviço à sociedade, ao invés de provê-la com boas informações e críticas refletidas. O sensacionalismo ainda impera.
    Ainda estou para ver uma matéria de um grande veículo de comunicação ELOGIAR a ampliação da rede metroferroviária ou PARABENIZAR os governantes que fizeram investimentos em obras de longo prazo.
    Continuarei acompanhando seu site pela qualidade das informações.

  • Ricardo Meier: o cara não é nem formado em jornalismo porém fez a matéria muito mais esclarecedora,
    imparcial, com mais detalhes e sem precisar vomitar ideologias diferentemente do jornal Foice de São Paulo e outros pseudo-blogs que se dizem ser entusiastas da mobilidade urbana. Parabéns, isso sim é informação

  • Não bastasse o costumeiro atraso nas obras de mobilidade do GESP, entendo que a linha Jade seja meramente eleitoreira. O governo abriu mão de construir a estação Aeroporto junto ao terminal de passageiros (devido à construção do tal shopping que o concessionário GRU nem tem data pra começar) e aceitou de bom grado que o passageiro (que, em tese, carrega bagagens e volumes), ao desembarcar no aeroporto, fizesse mais uma baldeação no monotrilho que GRU afirmou que construiria (e, adivinhe só, finge que nem é com ele).

    Ou seja: O GESP trocou o mínimo esperado (estação com desembarque junto ao terminal) para fazer a vontade de GRU, construindo a estação a uma distância inviável e enfiando mais uma baldeação nos usuários, esta ainda feita com ônibus.

    Isso tudo sem contar que a linha sai de Engenheiro Goulart. Oras, uma pessoa que precise chegar ao aeroporto fora do horário dos “expressos” que a CPTM pretende implantar, vai precisar de muito boa vontade e tempo livre para se chegar primeiro até a estação da linha Safira (lembre-se: isso carregando bagagem) e acessar a Jade.

    Enfim, quem sabe dentro de algumas décadas (com fé em Deus), a linha esteja minimamente conectada a outras linhas que acessem centralidades importantes da metrópole. Por enquanto, é flop mesmo.

    • Falou e disse tudo. No fim de Junho eu estava em Pinheiros (entre as estações Hebraica e Faria Lima) e tinha de pegar um Vôo que partiria de Guarulhos as 20:30. Não tinha bagagem, estava sozinho e gosto das opções econômicas de transporte. Mesmo assim, quando comparei o tempo e o esforço para chegar lá, desisti.
      Esta linha é inútil e mal projetada. O Expresso (prometido para Junho) e que partirá da Luz pode até ser que melhore esta percepção, mas descer de uma estação e pegar um ônibus circular até o terminal é de uma burrice sem tamanho. Burrice do GRU e do Governo Alckmin que aceitou a condição.

    • Vc sabe o que eh area de jurisdição? Simplesmente o aeroporto de guarulhos eh da União, que foi concedida a GRU AIRPORT, ou seja, o Governo de SP nao pode simplesmente querer alongar a linha ate os terminais sem a anuencia da concersionaria. O terreno não eh do Estado. Se voce entendesse um pouco das coisas nao falaria tanta merda.

      • Onde eu disse que o terreno pertence ao estado de SP ou que a obra deveria ser feita à revelia? Esforce-se mais na interpretação de texto. Enfim, sobre a estação “Aeroporto”, questiono como o governo paulista empenhou mal e porcamente seu poder de negociação diante de uma obra de tal magnitude. É querer muito que se dedicasse mais para sentar à mesa e entrar em consenso com o concessionário e a União? Pelo jeito é, e estou falando merda.

        Mais fácil acabar logo o que deu pra fazer, cortar a fita e sair na foto.

    • Vi as obras, muito bom o projeto, pena não informarem que essa linha não fica dentro do aeroporto como na grande maioria das cidades europeias. É necessário andar de 3 a 4 quilômetros para chegar ao aeroporto da estação.

  • Gostaria de me expressar a falta de organização referente a linha 13, pois se os governantes e prefeitura, tivessem o bom senso, de investir em um terminal de ônibus próximo a estação parque Cecap, abrangendo toda a malha de ônibus Guarulhos municipal, colocando bilhete único guarupass integração ônibus/trem cptm, com uma tarifa mais barata, com certeza facilitaria muito a vida da população de Guarulhos.
    Mais trens no horário de pico, com intervalos menores, e me desculpe estação engenho Goulart não serve pra nada, tem que ser feito ligação direta para Estação Luz.
    Muito obrigado

  • O intervalo da 9 já está em 3 minutos,já virou metro faz tempo.Aqui no Rio o intervalo do metrô é 5 minutos e a integracão é paga como também os trens da Supervia,e pra terminar esse jornaleco e esse promotor não conhecem nada de transporte público,é isso!!

  • Esse artigo é de uma falta de honestidade imensa. Primeiro, falar que essa linha foi feita de forma apressada é descaradamente mentira. Segundo, comparar a linha 4-amarela, que é uma linha muito, mas muito mais rápida, estrutura e organizada do que qualquer outra linha da CPTM e do Metrô, é também outra desonestidade. Não consigo entender o real propósito desta matéria, mas a tendenciosidade chega a ser repugnante e desnecessária, na minha opinião. Acho muito difícil que alguém que utilize essas linhas acredite ou leve a sério esse texto.

  • Sou Adriano, morador de Guarulhos e trabalho na zona sul de São Paulo. A baixa utilização da linha 13 jade se dá pelo intervalo entre os trens, inicialmente a cada 30 min e agora a cada 20min no horario de pico, o que torna a viagem com tempo superior. Além disse, a cidade de Guarulhos tem que ser melhor estruturada para essa demanda, como mais onibus com destino ou passando pela estação, além de integração de tarifa, onde com mesmo cartão poder utilizar tanto trem como onibus municipal em Guarulhos.

  • A começar: Imprensa infelizmente só faz matérias que “vendem”, pq o povo adora isso…sensacionalismo, criticas e mimimis.

    A Linha 13 ainda seguirá até o Brás através do connect e terá seus intervalos reduzidos com o passar do tempo.

    Porém, a unica coisa que foi errada é inaugurar ela as pressas e sem ter pelo menos o sistema de sinalização e energia testados e plenamente operacional, que permitiria a operação da linha com velocidade máxima de 90 Km/h adotada como padrão pela CPTM e até com intervalos menores.

    Alias, deveriam usar trens de 4 carros e intervalos de 10 minutos nessa primeira fase. Mas como o ego politico falou mais alto, não..tem que usar os 9500 que são uma TUE unica e não daria para dividir em 2 de 4 carros, como os 7000 (que estão um pouco surrados, mas nada que uma rapida reforma e troca das janelas riscadas não resolvessem….

    O grande problema mesmo está nesses politicos FDP do PSDB…

  • Não sei se é cedo, mas que a CPTM poderia colocar trens menores lá, isso poderia, 2100 de 3 carros ou 7500 de 4 carros e os trens de lá ir pra Linha 10 ou pra outras Linha no momento. A Extensão da Linha 7 carrega mais de 30 mil com alguns trens de 4 carros, na minha opinião a operação dela no momento é um erro.

  • O erro dessa linha é que não há uma estação no terminal de passageiros. Isto faz com que os passageiros sejam estimulados a utilizar o carro. Congonhas será a mesma coisa. Um erro grosdeiro que qualquer cidadão enxerga. Menos o governo

  • quem tem condições de viajar de avião, ainda mais voo internacional, não anda de trem, vai pro aeroporto de uber ou de táxi, essa linha ajuda no máximo os funcionários no aeroporto

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