Trens da frota K rodam mais sem falhas, mas ainda são os mais problemáticos do Metrô de SP
Composições reformadas percorrem em média 8,2 mil km entre falhas, pior resultado entre sete frotas avaliadas no primeiro semestre
A Frota K de trens continua apresentando o pior índice de confiabilidade entre os trens em operação regular no Metrô de São Paulo, apesar de ter reduzido a frequência de falhas nos últimos anos. Dados obtidos pelo MetrôCPTM mostram que as composições percorreram em média 8.237,5 km entre falhas no primeiro semestre de 2026.
O indicador utilizado pela companhia é o MKBF (Mean Kilometers Between Failures, ou quilômetros médios entre falhas). Ele indica quantos quilômetros, em média, uma frota percorre antes da ocorrência de uma falha contabilizada pelo Metrô. Quanto maior o MKBF, portanto, maior o intervalo entre problemas.
Os dados mensais mostram que o desempenho inferior da Frota K foi constante durante o semestre, e não consequência de um mês particularmente ruim. O MKBF variou de 7.286 km, em fevereiro, a 9.097 km, em junho.
Entre as sete frotas avaliadas, a J teve o segundo menor MKBF semestral, de 11.428 km, seguida pela M, com 11.453 km. Depois aparecem H (12.341 km), I (15.805 km), L (16.493 km) e G (18.765 km).
Isso significa que a Frota G, fabricada pela Alstom e dona do melhor resultado, percorreu em média 2,3 vezes a distância da K antes de registrar uma falha. Mesmo em relação à J, imediatamente acima no levantamento, a distância média entre falhas da K foi cerca de 28% menor.
Os dados não incluem as duas frotas mais novas adquiridas pelo Metrô. A Frota N, destinada à Linha 17-Ouro, começou a transportar passageiros recentemente e ainda opera de forma assistida. Já a Frota S, adquirida para ampliar a capacidade da Linha 15-Prata, ainda não entrou em operação comercial.
Frota K do Metrô de São Paulo (Jean Carlos)
Frota K melhorou, mas continua atrás
O resultado é uma melhora em relação aos índices anteriores da própria Frota K. Levantamento publicado pelo MetrôCPTM em 2025, com dados de 2020 a novembro de 2024, já havia mostrado a baixa confiabilidade dessas composições em comparação com outras frotas.
Naquela série, a K apresentava MKBF médio de 6.429 km. Portanto, os 8.237,5 km registrados no primeiro semestre deste ano mostram que os trens passaram a percorrer uma distância maior entre falhas.
A melhora, porém, não foi suficiente para retirar a frota da última posição. A situação chama ainda mais atenção porque os trens K também vêm sendo menos utilizados que outras composições do Metrô.
Novos trens reforçarão frota atual do Metrô (Jean Carlos)
Em janeiro deste ano, o MetrôCPTM mostrou que, pelo segundo ano consecutivo, os trens K haviam percorrido a menor quilometragem entre as frotas disponíveis para as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. Dados obtidos pelo perfil Trilhos que Movem SP apontavam média de cerca de 7,5 mil km mensais por composição K, enquanto um trem da Frota G rodava aproximadamente 15,3 mil km.
São indicadores diferentes. A quilometragem mensal mostra quanto os trens efetivamente são utilizados, enquanto o MKBF mede a distância média percorrida antes de uma falha. Considerados em conjunto, entretanto, os números revelam que a Frota K é menos utilizada e, ainda assim, apresenta o menor intervalo entre falhas.
Problemas remontam à modernização
A história conturbada da Frota K começou com a própria modernização. Os 25 trens são antigas composições da Frota C, fabricadas pela Cobrasma e posteriormente reformadas pelo consórcio MTTrens, formado por MPE, Temoinsa e TTrans.
O contrato para modernizar os 25 trens foi assinado em 2009 por R$ 427,7 milhões. As composições receberam novos sistemas de tração, ar-condicionado, câmeras, equipamentos de diagnóstico e outras alterações, mantendo principalmente as estruturas dos carros e os truques dos trens originais.
Mas a relação entre o Metrô e o MTTrens acabou de forma problemática. Em setembro de 2021, a companhia rompeu unilateralmente o contrato. Três anos depois, aplicou ao consórcio uma penalidade de R$ 26,7 milhões por prejuízos relacionados ao descumprimento de obrigações para correção de defeitos de projeto e fornecimento de peças.
Frota I (Jean Carlos)
Os problemas de manutenção também produziram situações incomuns. Em 2016, o Sindicato dos Metroviários denunciou que três composições da Frota K — K09, K17 e K21 — estavam sendo utilizadas como uma espécie de “almoxarifado”, com componentes retirados para permitir a manutenção de outros trens.
Uma década depois, o problema ainda não havia desaparecido completamente. Em levantamento publicado pelo MetrôCPTM em janeiro de 2026, duas das 25 composições permaneciam sendo utilizadas como fonte de componentes para as demais.
Na ocasião, o Metrô afirmou ao site que a retirada temporária de componentes é uma prática de manutenção e que a disponibilidade da Frota K permanecia acima da meta estabelecida pela companhia. A empresa também destacou que o MKBF dessas composições havia melhorado.
Três trens foram deslocados para a Linha 1-Azul
Outro movimento recente foi o deslocamento de algumas unidades da Linha 3-Vermelha, onde a Frota K historicamente esteve concentrada, para a Linha 1-Azul.
O primeiro foi o K11, que começou a circular na Linha 1 em junho de 2025. Na época, o Metrô relacionou sua presença no ramal aos testes e à homologação da frota com o CBTC, sistema de sinalização já utilizado na Linha 1 e que ainda não entrou em operação comercial na Linha 3.
O que inicialmente parecia ser uma experiência isolada ganhou continuidade. Em fevereiro deste ano, o K22 também passou a circular na Linha 1. Em maio foi a vez do K24, elevando para três o número de composições deslocadas.
Nova frota de 44 trens reforçará linhas 1, 2 e 3 (CMSP)
Informações obtidas pelo MetrôCPTM apontaram que a mudança também permitiria reduzir a utilização dessas composições na exigente Linha 3-Vermelha, que concentra a maior demanda da rede metroviária.
Apesar do histórico de problemas desde a modernização, oficialmente os trens K permanecem incorporados normalmente à frota operacional do Metrô.
O MetrôCPTM procurou a companhia para obter esclarecimentos sobre os dados de MKBF e o desempenho da Frota K, mas a assessoria de imprensa ainda não havia respondido até a publicação deste texto.
