Veja como o Metrô pretende vender os ‘naming rights’ das suas estações

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Companhia obteve autorização da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana para exibir marcas de patrocinadores em parte de suas 84 estações. Prazo de concessão deverá ser de 20 anos, mas Metrô estima oferecer o diferencial em cerca de 15 estações
Entrada da estação Consolação com a marcação para o “naming right” (CMSP)

O Metrô de São Paulo conseguiu avançar com o projeto de concessão do direito de nomeação de suas estações, mais conhecido pelo termo em inglês “naming rights”. A companhia obteve aprovação da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana, da Prefeitura de São Paulo, para exibir marcas em totens e testeiras das estações, sem ferir a Lei Cidade Limpa.

Na apresentação, realizada no dia 10 de fevereiro, o diretor comercial do Metrô, Claudio Ferreira, mostrou algumas simulações de como será o produto. Segundo ele, a concessão não apenas servirá para ampliar as receitas não-tarifárias, mas também implantar uma imprescindível padronização da sinalização visual da companhia, hoje caótica.

O próprio Claudio se referiu à mistura de estilos existente hoje como “esquizofrênica”. A ideia, segundo o executivo, é que todas as 84 estações passem a exibir um layout predominamente na cor preta com inscrições brancas. Nas testeiras, uma faixa inferior com fundo da cor da linha ou branco em paradas com mais de um ramal listará as linhas com suas cores características e operadoras, um layout parecido com o que existe hoje nos totens.

As empresas que arrematarem o patrocínio das estações terão duas áreas para exibir sua marca, um retângulo de 30×30 cm ou 30×60 cm e a denominação abaixo do nome da estação.

Exemplos dos totens com patrocínio (Reprodução/CMSP)

Para o diretor comercial do Metrô, trata-se na verdade dos direitos pelo “sobrenome” das estações, já que não haverá troca de nenhum nome atual. Pereira também explicou que a venda dos ‘naming rights’ se restringirá a algumas estações apenas, cerca de 15 paradas entre as seis linhas que participarão da concessão – os ramais 4 e 5, operados pela iniciativa privada, também estão incluídos.

O prazo de concessão será de 20 anos no máximo, com 10 anos iniciais e renovação por mais 10 anos. A empresa pagará uma mensalidade pelo uso do espaço e terá direito também a chamadas nos áudios dos trens, presença nos mapas, sites, redes sociais e aplicativos do Metrô.

“Ótimo dinheiro”

Embora não tenha citado quais estações estão entre as potencialmente a serem exploradas, Claudio citou o caso da estação Conceição, vizinha da sede do Banco Itaú. Além dela, o funcionário do Metrô também mencionou a estação Saúde como interessante para empresas do setor de saúde. Na apresentação também foram mostradas as estações da Sé, Brás e Consolação.

O Metrô não aceitará patrocínios de produtos como bebidas alcóolicas ou cigarro ou de segmentos como o religioso, por exemplo. A ideia é que a concessão ocorra apenas uma vez já que na visão da empresa a associação da marca ficará na mente dos usuários por muitos anos ainda.

Os recursos levantados com os ‘naming rights’ serão usados com prioridade na padronização da sinalização em todas as estações, mesmo as que não serão oferecidas, garantiu Pereira. Ele não estimou valores mínimos para obter a concessão, mas que a licitação será feita com base na maior oferta e que espera um “ótimo dinheiro”.

O nome da marca patrocinadora será escrita na mesma fonte que a da estação (Reprodução/CMSP)

A comissão chegou a votar por limitar a quantidade de estações a serem oferecidas, mas a ideia acabou negada em favor da liberdade para que o Metrô possa comercializar da melhor forma que entender.

Faltou, no entanto, esclarecer como ficarão as estações da CPTM após a padronização do Metrô. Muitas paradas hoje recebem trens de ambas e o sensato seria que todas elas passassem a exibir o mesmo formato visual, independentemente de ‘naming rights’, algo que inclusive está previsto na concessão das linhas 8 e 9. O ideal seria que esse novo padrão passe a valer para todo o sistema metroferroviário.

A apresentação não detalhou quais serão os próximos passos do Metrô, mas é de se esperar que com o aval da CPPU, a companhia formalize a concorrência nos próximos meses.

Sinalização do Metrô atualmente: “esquizofrenia” (Reprodução/CMSP)
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  1. O nome da estação deveria ter o único propósito de localizar os passageiros. Já tinhamos situações como homenagem a políticos e personalidades, times de futebol, nomes de estações diferentes da real localização (Como a vila madalena por ex). E agora mais essa idéia absurda de naming rights.

    1. Vila Madalena não é um distrito (única forma oficial de divisão da cidade), logo sua real localização não existe.

      1. A estação fica no Sumarezinho, quem descer na estação Vila Madalena, não estará no que se conhece por Vila Madalena. Muito simples

  2. Mais gastos desnecessários, o passageiro não liga se a placa é amarela, roxa ou preta, só basta estar bem sinalizado. Já foi gasto um dinheirão para troca de placas em várias estações, agora trocar tudo de novo só para ficar padronizado com um estilo visual é pedir para brincar com o dinheiro público.

    1. Leia a matéria novamente. O valor arrecadado com os patrocínios, será utilizado na padronização das fachadas. Gasto de dinheiro público fica em zero.

      E padronização de sinalização é o primeiro passo para a usabilidade. Todas falam a mesma coisa, todos se acham em todas as estações… Isso é também fortalecimento de marca.

  3. Parabéns! O Novo Padrão Visual da CMSP (instalados nas novas estações) é perfeito. Aí vem uns “qualquer” e vem ferrar com tudo isso?! DEPRIMENTE! Espero que essa paranóia não vá pra frente.

  4. É louvável a busca tanto do metrô quanto CPTM em receita não tarifária. Mas essa busca quase desesperada nisso, mostra o caminho errado dos transportes. Primeiro que a câmara de compensação já causa o desequilíbrio das empresas estatais, ainda mais num cenário de entrada de mais concessionárias. E segundo que deveria haver uma política pública de financiamento ao transporte público, seja com pedágio urbano ou algum tipo de tarifação sobre os automóveis que subsidiasse o transporte.

  5. lixo… deveria sim ser privatizado… cheio de camelôs e trombadinhas nas estações…. exceto a linha amarela… pq será?

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