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A linha da CPTM que possui trens modernos sobrando

Por uma questão contratual, Linha 8-Diamante possui mais composições do que precisa enquanto Linha 10 sofre com trens deteriorados e lentos. Mas essa situação poderia mudar
Trem da Série 8000: 36 unidades sobram na Linha 8-Diamente e não podem ser usados em outros ramais (GESP)

Há vários anos, o governo do estado faz propaganda a respeito dos novos trens que tem adquirido para a CPTM. Esta semana, inclusive, marcou o final da entrega de uma das mais modernas composições da companhia, a Série 9500, produzida pela Hyundai Rotem e utilizada com exclusividade pela Linha 7-Rubi, até então um dos ramais com serviço mais precário da rede. Mas o que poucos sabem que é outra linha da CPTM vive uma situação privilegiada.

Trata-se da Linha 8-Diamante, que vai de Itapevi até a estação Júlio Prestes, no centro de São Paulo. Por uma infeliz coincidência – e também uma pitada de mandos e demandos -, o ramal possui hoje nada menos que 36 trens da Série 8000, uma das mais atuais da CPTM. O problema é que a linha hoje só comporta cerca de 20 composições em horário de pico. Ou seja, sobram cerca de 16 trens e que, por absurdo que pareça, não podem ser utilizados em outros ramais.

A razão para isso é um tanto desconcertante. Quando decidiu modernizar os trens da Linha 8, o governo do estado decidiu contratar um pacote em que a fabricante teria também a responsabilidade de gerenciar a frota em uma Parceria Público-Privada. A vencedora foi a CAF, maior fornecedora de trens hoje na CPTM, que fabricou a Série 8000, uma evolução da 7000 utilizada em várias linhas, sobretudo na 9-Esmeralda. O problema é que o contrato é exclusivo para o ramal Diamante, ou seja, os novos trens não estão autorizados a circular em outras linhas.

A situação soa absurda: enquanto outros ramais sofrem com falta de composições ou então operam com trens lentos e deteriorados, como a Linha 10-Turquesa, a Linha 8-Diamante têm o privilégio de fazer rodízios com sua imensa frota de 36 unidades e que só serão completamente utilizados quando a CPTM concluir a instalação do sistema CBTC no ramal. Assim será possível reduzir os intervalos para 3 minutos em vez de 5 atuais e inserir mais trens no carrossel. Sem a nova sinalização, não há como fazer isso mesmo que houvesse uma demanda.

O ex-governador Geraldo Alckmin: na sua gestão distorção permaneceu mesmo com falta de composições em outras linhas (GESP)

Rumores de mudança

Esse cenário persistiu durante os governos anteriores, mas agora, na gestão de João Doria, surgiram rumores nas redes sociais de que a Secretaria dos Transportes Metropolitanos têm um plano em curso para acabar com essa distorção.

O perfil Paparazzi Ferroviário revelou nesta semana, sem citar fontes, que a CPTM enviará 10 unidades da Série 7000 que hoje estão na Linha 9-Esmeralda para a Linha 10-Turquesa a fim de reduzir a presença da Série 2100, os famoso trens espanhois, trazidos para o país nos anos 90. Eles se juntariam à oito trens da Série 7500, também transferidos da Linha 9, e cinco Série 3000, da Siemens, totalizando então 21 unidades no ramal.

Para preencher a lacuna do Série 7000, teríamos então a “jogada de mestre”: o envio de 10 trens da Série 8000 para a Linha 9-Esmeralda.

Os trens da Série 8000 possuem passagem livre entre os vagões que acabam facilitando o comércio ambulante (GESP)

Modus operandi

Ignora-se se a teoria tem realmente um fundo de verdade. O site perguntou à Secretaria dos Transportes Metropolitanos sobre a suposta troca, mas não obteve resposta até sexta-feira (28).

No entanto, a forma como essa ideia seria implementada se encaixa bastante com o “modus operandi” da gestão Doria, que tem buscado soluções mais heterodoxas em relação aos governos anteriores que literalmente não ousavam mexer em alguma regra estabelecida.

Pegue-se o caso do “people mover” do Aeroporto de Guarulhos, cuja proposta existia desde o começo da década, mas que permaneceu esquecido até que Doria resolvesse tirar o projeto do limbo.

Se realmente essa hipotése ocorrer e desde que seja feita às claras é sem dúvida uma boa notícia e sinal de bom senso da atual administração. Nos resta esperar para saber se estamos diante do fim do absurdo dos trens modernos sobrando na CPTM.

Os velhos trens da série 2100 na Linha 10-Turquesa da CPTM: lentos e deteriorados

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

7 Comentários

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  • Só um adendo: os série 3000 só fazem o expresso ABC. No serviço normal são os 8 série 7500 e cerca de 19 série 2100.

  • Os trens da linha 10 são, em verdade, mais velozes e mais confortáveis que as composições mais modernas empregadas na CPTM. O grande problema da L10 é a malha ferroviária centenária e cheia de acidentes que obrigam os trens a circularem longos trechos a 20, 30 km/h, quer sejam os antigos 2100, ou os aerodinâmicos 7500.

  • A situação é um tanto quanto estranha mesmo. De início, vemos que mesmo com a unificação do serviço de trens metropolitanos numa única empresa (fim da CBTU e da FEPASA e unificação numa única empresa, no caso a CPTM), ainda demora a ocorrer. Por óbvio que as demandas, peculiaridades e até mesmo problemas são distintos em cada ramal, mas a CPTM por muito tempo olhou cada ramal de forma isolada, como se eles não se conversassem. A concentração de fluxo em estações finais como ocorre na Estação da Luz, na Barra Funda e no Brás demonstra um pouco disso, fazendo com que ocorra uma grande saturação em tais localidades.

    Mas com relação aos trens, não consegui acessar esse contrato, mas pelo o que entendi da matéria (me corrijam se eu estiver errado) a questão da Parceria Público-Provada foi muito provavelmente para que a manutenção das unidades fosse feita no pátio destinado aos trens da Linha 08 – Diamante, não é? Salvo engano é o pátio da Lapa, onde também ficam as composições da Linha 09 – Esmeralda. Sendo assim, creio que a utilização dos trens em outro ramal como pensado pelo governo era apenas uma questão lógica, sendo que houve uma certa “preguiça” de pensar um pouco mais além. A única justificativa que eu vejo como plausível para a manutenção dos trens naquela linha seria unicamente se ela estivesse em vias de ser concedida à iniciativa privada. Porém iniciativas como essa somente agora se tornaram mais concretas.

    De qualquer forma, vamos torcer para que esse alocamento ocorra, para melhora de um dos últimos ramais que ainda conta com composições ultrapassadas, mas que isso também não sirva de cortina de fumaça para postergar a compra de novas composições, como dito poucos dias atrás.

  • Boa tarde, Ricardo, estamos aguardando ansiosamente qual será o destino da Linha 18 Bronze, o prazo já passou e o nosso querido governador tem mostrado o quanto se importa com a região do abc, e o quanto ele mente nas promessas, aguardo a notícia!

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