A Linha 13-Jade causou boa impressão na sua primeira viagem. Em que pesem as críticas à demora em transformá-la em realidade, é fato que esse projeto teve uma evolução adequada para uma obra de mais R$ 2,3 bilhões e com 12 km de extensão. Após ter o contrato assinado em agosto de 2013, as obras da linha começaram em dezembro daquele ano, portanto, há quatro anos e três meses, prazo que poderia ser menor não fossem alguns problemas em liberar alguns trechos da via e também no reprojeto do viaduto que transpôs a Hélio Smidt e a Ayrton Senna.

A má fama da linha foi herdada de promessas anteriores como a da Linha 14 que foi descartada, mas também do governo de Alckmin. O ex-secretário Jurandir Fernandes, por exemplo, chegou a afirmar que a obra levaria apenas 18 meses porque não existiam entraves para começá-la. Tudo isso para aproveitar os holofotes da Copa de 2014. Agora Alckmin paga pelo que sua equipe divulgou anos atrás.

Outro aspecto muito criticado neste sábado foi a distância da estação dos principais terminais do aeroporto, problema causado exclusivamente pela concessionária GRU Airport. Mas em vez de se desculpar pela promessa de inaugurar um “people mover” um dia antes da Linha 13 (como disse um ex-presidente da empresa), a concessionária resolveu dividir a culpa com o governo do estado dizendo em nota que a mudança de local foi feita de comum acordo com a gestão Alckmin. Algo desmentido pelo secretário Clodoaldo Pelissioni em entrevista, que sugeriu inclusive aos jornalistas que cobrassem a GRU Airport e o governo federal pela não existência do “people mover” nem do shopping center que seria construído no local onde ficaria a estação do aeroporto e que não existe.

O “puxadinho” construído pela GRU Airport é patético para uma empresa que administra o maior aeroporto da América do Sul. Infelizmente, seus planos para o síto aeroportuário só ficaram no papel e hoje a concessionária mal consegue pagar a outorga por ter assumido Guarulhos que dirá construir um monotrilho para complementar o serviço da CPTM.

Mas, apesar de ser uma dificuldade para os usuários da linha em ter de se deslocar por ônibus até os terminais, esse não é o maior ponto fraco da Linha 13. Na verdade, sua ligação ao restante da rede metroferroviária feita pela Linha 12-Safira é que tira parte da atratividade em usá-la. Exceto pelos trens que seguirão para Brás e também para Luz (com tarifa de R$ 8 anunciada hoje), os demais pararão na distante estação Engenheiro Goulart onde seguirão viagem pela Linha 12, uma das mais precárias da CPTM.

Embora tenha recebido trens mais recentes, parte deles está num estado muito ruim. Eles se deslocam até Tatuapé e Brás em velocidade lenta por restrições de vias além de terem um intervalo alto. Ou seja, o tempo gasto para chegar à região central é alto demais além de cansativo. Para ser mais efetiva, a Linha 13 precisaria ter nascido conectada a alguma linha mais estruturada, mas esse cenário, graças a adiamentos na Linha 2-Verde que deverá um dia encontrá-la na região da avenida Gabriel Mistral, está hoje sem horizonte algum.

Mesmo o projeto de expandir a Linha 13 até a região da Mooca deve demorar bastante e depender da construção de outras linhas como a 16-Violeta, ainda em estudo, para se mostrar mais atraente.

Apesar de tudo isso, é um alento saber que Guarulhos agora pode ser acessado por trilhos mesmo que de forma tortuosa. Mas mais importante ainda é ver o segundo maior município do estado passar a entrar no mapa metroferroviário. Agora só falta Alckmin resolver o entrave da Linha 18 para que São Bernardo do Campo também um dia tenha trilhos mesmo que em forma de ‘monotrilho’.

Trem da Linha 13

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