Baldy confirma intenção de conceder todas as linhas da CPTM à iniciativa privada

Secretário dos Transportes Metropolitanos revelou planos em comentário nas redes sociais. Concessão das linhas 11, 12 e 13, reveladas em primeira mão pelo site, devem ser objeto de estudo da CCR
Trens da Linha 11-Coral (GESP)

Pela primeira vez, o governo Doria confirmou planos de conceder todas as linhas da CPTM à iniciativa privada. A intenção foi revelada pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, em seu perfil no Twitter neste fim de semana.

Estaremos concedendo as Linhas 8 e 9 da CPTM em alguns meses. Logo abriremos a concessão da Linha 7+Trem InterCidades São Paulo-Campinas, eventualmente incluindo a Linha 10. E ainda devemos abrir concessão das Linhas 11, 12 e 13, depois desta inacreditável greve“, afirmou o responsável pela STM em resposta a um seguidor que discutia a paralisação parcial promovida pelos sindicatos dos ferroviários na semana passada.

O site já vislumbrava essa possibilidade desde abril quando ocorreu o leilão de concessão das linhas 8 e 9. Na ocasião, nossa percepção era de que seria questão de tempo para que a gestão Doria encaminhasse o repasse de toda a malha sob responsabilidade da CPTM para a iniciativa privada.

Não demorou para que surgisse então o primeiro movimento nessa direção quando revelamos com exclusividade que a CCR, atualmente líder das principais concessões sobre trilhos no Brasil, fez uma proposta para estudar a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.

Linhas 11, 12 e 13: concessão à iniciativa privada

A manifestação de interesse feita em maio ao governo estadual prevê que o estudo leve cerca de 150 dias e custe R$ 5 milhões. Se for considerado válido, o projeto será usado como base para desenvolvimento do edital de concessão no futuro.

Numa prévia do potencial da concessão, a CCR estimou investimentos de R$ 3,5 bilhões e custo operacional de R$ 20 bilhões num horizonte de 30 anos. As três linhas ganhariam alguns quilômetros extras, estações e redução do intervalo para até 2 minutos.

Fim da CPTM

Caso esse projeto seja viabilizado, restaria apenas a Linha 10-Turquesa nas mãos da CPTM, mas Baldy voltou a citar que o ramal pode entrar no projeto do Trem Intercidades. Não está claro, no entanto, como isso será feito já que até aqui todas as apresentações e documentos divulgados pelo governo não incluíram a Linha 10.

A Linha 10-Turquesa deverá ser incluída na concessão do TIC (CPTM)

O TIC está prestes a ter suas audiência e consulta públicas divulgadas, onde constarão o edital de concessão e detalhes do projeto. Será o momento de entender como a Linha 10 se encaixaria num plano que é gestado há vários anos apenas com a Linha 7-Rubi.

Se tudo correr como pretende o governo Doria, a CPTM, surgida em 1992 como herdeira das antigas ferrovias da CBTU e Fepasa, sairia de cena na hipótese mais provável. Se isso pode ser o fim das greves, no entanto, ainda não é possível afirmar.

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  1. Acredito eu que dentro de uns 10 ou 15 anos não haverá nenhuma empresa estatal sob o controle do Estado de São Paulo.

    1. Como o colega disse aí o custo para criar, operar e manter uma estatal é absurdo, além disso as greves frequentes são um fator enorme favorável a concessão, e não venha dizer que o governo não pagar PLR e outras coisas sendo que os salários e benefícios para esses empregados já são enormes. Sem falar nas melhorias que a concessionária vai fazer em todas essas linhas, estações, trens, intervalo entre trens. Eu sei exatamente como funciona as coisas na CPTM e no Metrô estatal, sou sobrinho de um ex presidente do sindicado dos metroviários.

  2. Gente por favor, não está óbvio que o governador Dória quer conceder SP a todo custo?

    A CPTM melhorou muito a ponto de ser referência na América Latina, dizer que as concessões acabarão com as greves é a desculpa mais esfarrapada, fajuta, sem conhecimento cultural e técnico.

    Independente se for estatal ou privado, haverá greves do mesmo jeito. Não é possível que a própria população é a favor da destruição da CPTM, da mesma forma que foi com a Feoasa e a Rede Ferroviária Federal.

    O povo aceita tudo calado, omisso, e faz questão de defender quem destrói seu próprio transporte. Não é à toa que o Brasil está hoje, do jeito que está. A culpa é do brasileiro que assiste tudo à companhia de pão e circo!

  3. Discurso muito bonitinho mas não haverá tempo habil (felizmente) para tal. Por mais que algumas privatizações mostrem algum “resultado” de uns anos pra cá, a questão dos transportes é diferente, pois não dará lucro apenas pelo valor das passagens, então mesmo com a CCR o Estado teria de “dar” reequilibrio economico, principalmente se a CCR não puder reajustar as passagens, semelhante aos 0,20 centavos de 2013. Ou seja, mesmo na iniciativa privada as linhas ainda receberiam dinheiro do governo.
    Sobre as greves, é bom lembrar que ainda seriam possíveis em linhas privadas (e não a empresa não demitiria à todos porque custa caro).

    É rezar pra não acabar como uma SUPERVIA

  4. Filipe..a solução para investimentos vultuosos, qualidade de gestao, e recuperacao dos gastos em qq campo é sim a privatizacao. E a unica forma de gerar empregos, diminuir sim as greves (grevista deveria ser avaliado e se quiser só tumultuar é demissao- no mercado privado o risco e muito menor. Entao sim,, privatiza tudo

    A proposito, site – e o imbroglio da linha 15 – vai voltar as maos da CCR? ou nao ha mais jeito? o que o juridico do metro esta fazendo pra isso.. vai abrir de novo uma licitacao por la ?

    E nao, em SP – sem chances de se tornar supervia – aqui nao há o conceito da balburdia descarada dos governos cariocas. Há algumas confusoes muitas, mas nao naquele nivel

    1. Até concordo que as confusões de SP não chegam no nível das do Rio, mas essas concessões a meu ver não vão melhorar em nada o transporte público. A linha 5, depois de concedida, não melhorou em nada sua operação, continua tão boa quanto antes. Acontece que, com o tempo, a CCR, dominando o transporte em SP, vai relaxar e diminuir a qualidade, pois não vai ter mais necessidade de mostrar serviço, já que terá o monopólio. Tende a ficar pior sim…

  5. O fato é que manter uma empresa pública no Brasil é extremamente complicado, custoso e ineficiente. Pra se comprar qualquer coisa, desde contratar grandes obras até papel higiênico pra funcionário, você precisa fazer licitação pra tudo. Tudo isso carrega um custo para se coibir a corrupção (que mesmo assim acontece). Se você precisa contratar um funcionário, tem que fazer concurso e pagar salários muito acima da média de mercado por toda a sua vida (aposentadoria integral).
    Concessão é o estado fugindo das jabuticabas do próprio estado.

    1. Concessão de algo público com garantia de não ter prejuízos, fica fácil pro empresariado. CCR recebeu mais de 1 bilhão como compensação e “arrendou” as linhas 8 e 9 por menos. Vai acabar acontecendo com as outras linhas e vai levar de graça.
      Será que o déficit que eles alegam dessas empresas públicas são maiores que essas compensações?

      1. Se essas empresas desse prejuízo quem iria investir nelas? Ninguém. Elas dão lucro mas o governo quer é tirar uma fatia durante essas concessões. A da CPTM vem com esse assunto desde da era Alkimim e Serra, mas só agora o calça apertada conseguiu e numa pressa pra acontecer. Aproveitou a era da pandemia pra acelerar os papéis. Com certeza levou algo por fora. E ainda tem trouxa que acredita que é pelo bem da população.

    2. De onde tirou essa informação de aposentadoria integral? Está querendo debater onde não possui o mínimo de conhecimento. Se informe, para não passar vergonha.

      1. Rodrigo, quem está passando vergonha aqui é você. Vá estudar um pouquinho sobre o assunto depois você volta.

  6. Eu defendo que a CCR deva ser proibida de participar, pois senão vai acabar igual a Supervia, na mão de um dono só, e serviços sem concorrência tendem ao fracasso.
    É claro que isso é fruto da própria política de Estado brasileiro em funcionar na base da concessão em vez de regime de autorização.
    Regime de concessão só beneficia grandes empresários. Estatal só beneficia burocratas. Regime de autorização já!

    1. Para quem não sabe a Super Via é a única empresa totalmente independente do Estado. A única privatização de verdade, onde a empresa assumiu toda a responsabilidade de operação e investimentos sem nenhuma contrapartida governamental. Deu no que deu.
      O que precisa ser entendido é que o Estado, no caso agora São Paulo, garante a saúde financeira do ente privado mediante contrato, eliminando os riscos. O ônus continua com o Estado, com os pagadores de impostos.
      Por conta disso, em alguns países do mundo o sistema de transporte sobre trilhos retornou para o controle estatal.
      O que deve ser defendido é um modelo de gestão eficiente, não garantir que o concessionário não tenha prejuízo pois isso provocará tanta despesa aos cofres públicos como se tivesse com o controle estatal. Sem falar na diminuição, com o passar do tempo, da função social de transportar pessoas em detrimento do equilíbrio financeiro destes malfeitos contratos, que farão num futuro próximo o custo do transporte tornar-se proibitivo para as pessoas.

  7. Na minha modesta opinião, para acabar com os problemas de greves não é com a privatização e sim com a automação de trens e bilheterias. Isto é uma tendência mundial com o advindo da inteligência artificial.
    Entendo que greve é um direito do trabalhador, mas empresa de transporte público não pode virar cabine de empregos e privilégios, aumentando seu custo de operação.
    No final quem paga esta conta é a população!

    1. População que também devem ter seus trabalhos automatizados por máquinas, no fim todos ficam desempregados.

      Já dizia o velho ditado, pimenta no “colo” do outro é refresco.

  8. Lamentável essa postura do governo! O estado de SP virou um grande balcão de negócios.
    O transporte de passageiros sobre trilhos não dá lucro, aqui e em qualquer lugar do mundo; o governo tem que subsidiar os custos da operação com dinheiro público, sendo que aqui as primeiras beneficiadas são as concessionárias, ou melhor, a concessionária, pq só tem a CCR (quem quiser saber mais, pesquise por “câmara de compensação CPTM”).
    Se todas as linhas da CPTM forem concedidas, muito provavelmente o governo continuará garantindo o lucro da concessionária com subsídios, ou seja, dinheiro público garantindo o lucro de empresa privada, como já acontece na linha amarela.
    Falar que as concessões geram emprego (como alguém falou em um comentário aqui) é uma grande mentira, ou será que a CCR irá contratar todos os funcionários da CPTM? Óbvio que não.
    Outra coisa, a linha 13 acabou de ser construída com dinheiro público, seria um absurdo entregá-la para empresa privada operar/explorar.
    Enfim, o governo deveria usar o dinheiro público para melhorar os serviços públicos. Ano que vem têm eleições; seria ótimo se conseguíssemos eleger um governador de verdade, e não um “homem de negócios”.

  9. Felipe, se pensássemos assim estaríamos vivendo no tempo da idade média.
    O que seria das viagens de aviões e de automóveis se fossem preservados os empregos de condutores de carroças?
    O que seria da energia elétrica que trouxe tanto progresso e conforto para a humanidade se pensássemos nos acendedores de lampiões a gás de rua?
    Será que você está disposto a viver sem energia elétrica e viajar de carroça só pra manter o emprego de alguém?
    Desaparecem muitas profissões, porém nascem muitas outras. Cabem a nós nos qualificarmos para elas!

    1. De qualquer forma, é muito mais fácil o emprego do atendente de fast food, do aux. administrativo, do caixa de supermercado… ser automatizado, do que reformar todo um sistema centenário, com centenas de km, cheio de invasões às vias.

      Se você acha que um dia Amador Bueno, Baltazar Fidélis, Aracaré, ou mesmo Guapituba terão trens autônomos… sinto lhe informar… você tá sonhando acordado!

  10. Que bom que existe CCR para ampliar a rede metroferroviaria de SP ! Vultosos investimentos nas ampliações e ainda valor de passagem inferior, que beneficia a população. Empresa extremamente eficiente e de grande valor para a população paulistana. A solução e privatizar tudo ! Rsrs

    1. Onde a CCR ampliou a rede metroferroviária?!? Onde a CCR cobra valor de passagem inferior?!? Em que mundo você vive?
      A CCR pegou as linhas 4 e 5 do Metrô prontas, assim como vai pegar as linhas 8 e 9 da CPTM prontas. Ou seja, a CCR pega as linhas prontas para operar/explorar e ainda tem o lucro garantido pelo governo (com dinheiro público). O Estado de SP está sendo um verdadeiro “paizão” para essa concessionária.

  11. Sinto lhe dizer mas você está um pouquinho equivocado, já existem ônibus e VLT’s autônomos em testes pelo mundo.
    Aqui no Brasil a MRS já opera seus trens de forma remota em alguns pátios e trechos que apresentam risco para o maquinista.
    Operação autônoma não está tão longe assim dos transportes de superfície como pensa, agora tudo é questão de tempo.

  12. Quem diz que a privatização é a solução para acabar com as greves, deve achar que os ônibus de São Paulo são operados por empresas estatais

  13. Como o colega disse aí o custo para criar, operar e manter uma estatal é absurdo, além disso as greves frequentes são um fator enorme favorável a concessão, e não venha dizer que o governo não pagar PLR e outras coisas sendo que os salários e benefícios para esses empregados já são enormes. Sem falar nas melhorias que a concessionária vai fazer em todas essas linhas, estações, trens, intervalo entre trens. Eu sei exatamente como funciona as coisas na CPTM e no Metrô estatal, sou sobrinho de um ex presidente do sindicado dos metroviários.

    1. Sim intervalo entre trens. Nas linhas 4 e 5 os intervalos sao menores que nas linhas 1, 2 e 3. Fonte: confia.
      Sim, melhorias. Todas feitas com dinheiro publico e ainda assim, o governo continua pagando a ccr pela estimativa de usuarios que nao usam.
      Melhor se informar mais.

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