Confira como estão as obras de ampliação da estação Santo Amaro

Previstas para serem entregues em janeiro de 2022, obras de ampliação da estação Santo Amaro trarão melhorias para os passageiros. A obra contará com 8 escadas rolantes novas além de 4 novos elevadores.
Ampliação da estação Santo Amaro vai melhorar o fluxo dos passageiros e ampliar a acessibilidade (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

A ViaMobilidade, operadora das linhas 5-Lilás e 17-Ouro de metrô, está realizando a expansão da estação Santo Amaro. O projeto previsto no contrato de concessão tem como premissa fundamental prover a melhoria no deslocamento dos passageiros que utilizam a integração entre as linhas 5 e 9, uma das mais solicitadas do sistema metroferroviário.

Esse é o empreendimento mais importante que está sendo realizado na Linha 5-Lilás e tem o potencial de melhorar a qualidade do deslocamento na integração para milhares de passageiros. Segundo dados publicados pela ViaMobilidade, em fevereiro de 2020 (período pré-pandemia) a estação era uma das mais demandadas do trecho, com um carregamento de 95 mil passageiros por dia.

Tendo em vista o cenário de expansão da Linha 9-Esmeralda até a estação de Varginha e da Linha 5 até o Jardim Ângela, a previsão é de que a transferência seja cada vez mais solicitada, fazendo com que as obras tenham uma importância ainda maior.

Prevendo tal cenário, o Metrô incluiu a expansão no contrato de parceria com a ViaMobilidade, que está construindo duas novas passarelas em ambos os lados da ponte estaiada. As novas estruturas possuem 7 metros de largura cada uma, adicionando mais 14 metros para o deslocamento dos passageiros.

O comprimento da passarela no lado norte é de aproximadamente 160 metros enquanto no lado sul o comprimento pode chegar a 200 metros. Na parte leste da passarela sul está prevista a construção de um pequeno restaurante.

Concepção final da obra (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Em cada lado da passarela estão previstas 7 ligações com a ponte estaiada. Essas ligações serão flexíveis tendo em vista as leves movimentações da ponte principal. Segundo os engenheiros que estão realizando a gestão da obra, as passarelas são estruturas independentes da ponte estaiada, ou seja, elas foram construídas de forma a não solicitar esforços da ponte principal.

No total serão construídas aproximadamente 4 mil m² de novas áreas, incluindo as passarelas, a ampliação do mezanino e as plataformas. A ampliação deverá reorganizar o fluxo de passageiros existente na transferência.

Novas escadas rolantes serão implantadas, sendo 8 ao total. Elas estarão disponíveis no lado leste da estação. Duas delas vão realizar a ligação entre o mezanino e as plataformas da CPTM, enquanto as outras seis estarão divididas entre as duas novas passarelas, ou seja, três para a plataforma sentido Capão Redondo e outras três para a plataforma sentido Chácara Klabin. Duas escadas fixas serão construídas, uma de cada lado da passarela.

Ampliação da área de transferência (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

A acessibilidade também é um fator importante e que foi pensado nesta obra. Serão quatro novos elevadores instalados, dois por plataforma em cada lado da estação, sendo dois para o acesso Guido Caloi e outro dois para a área de transferência. Atualmente a estação conta com uma plataforma elevatória em cada uma das escadas fixas que dá acesso a plataforma da Linha 5. A mudança trará maior conforto e autonomia para os passageiros com mobilidade reduzida.

O aspecto da arquitetura é fundamental. A estação Santo Amaro da Linha 9-Esmeralda é atualmente tombada pelo Conpresp. Ela foi projetada pelo arquiteto João Walter Toscano e construída pela Fepasa na década de 80 sob o nome de Estação Largo 13. A ViaMobilidade pensou no projeto levando em conta a harmonização com o patrimônio tombado de forma que a estação da Linha 9 não fosse modificada em suas características originais. Este é um trabalho que requer criatividade e soluções diferenciadas por parte das equipes responsáveis pelo projeto.

Obras foram planejadas para que haja o mínimo de interferências entre as estruturas (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

A segurança do trabalho é um fator a ser destacado. Tanto durante a visitação, como durante as obras, as pessoas envolvidas passam por orientações quanto ao uso de equipamentos de segurança, assim como orientações ao acesso do canteiro de obras. Isso rendeu, até então, uma marca de 0 acidentes registrados na obra. Atualmente o empreendimento conta com 75 funcionários.

A questão ambiental também deve ser trabalhada com cuidado. Prospecções de solo foram realizadas para verificar a existência de interferências subterrâneas, bem como análises de contaminação da água e solo, uma vez que as fundações foram realizadas às margens do Rio Pinheiros.

Houve tratativas com os órgãos ambientais e destinação especial de efluentes e material contaminado. As supressões arbóreas necessárias para a realização das obras serão compensadas com o plantio posterior de novas árvores, denotando atenção ao aspecto ambiental com a promoção do reflorestamento.

Toda a estrutura metálica foi construída em São José do Rio Preto e está sendo montada no próprio local da obra. Segundo informações disponibilizadas no canteiro de obras, 99,21% das estruturas já foram fabricadas, sendo que 76% foram entregues. Deste percentual, 43% está montada. A previsão é que os trabalhos ganhem força ao longo dos próximos meses.

Percentual das estruturas metálicas (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

O projeto possui grandes números. Foram previstas grandes quantidades de material. Ao todo são 1.100 toneladas de estrutura metálica, 1.500 m³ de concreto e 3.300 metros de fundações profundas, que darão total estabilidade a todas as estruturas.

Durante as obras uma série de equipamentos e estruturas provisórias estão sendo utilizadas. Grandes pilares verticais garantem a estabilidade temporária das estruturas metálicas. Pontes rolantes foram instaladas para facilitar na movimentação dos segmentos metálicos que serão implantados. Segundo a equipe de engenharia, o processo para içamento e instalação de cada uma das estruturas que foram previamente montadas tem tempo estimado de 4 horas.

Outra curiosidade bastante interessante é a utilização de macacos hidráulicos em ambas as extremidades da passarela. No lado Sul, o mais adiantado, um par destes equipamentos está disposto em cada lado da passarela para conter a flecha que se forma ao longo da instalação dos segmentos. Uma equipe especializada em serviços de topografia realiza medições precisas e aciona os macacos para nivelar ambos os lados da passarela. Quando do encontro das duas estruturas é garantido que as diferenças entre os lados seja a mínima possível.

As obras estão ganhando mais força ao longo dos últimos meses. Segundo a planilha de avanços até o mês de julho a obra já estava com 67,57% dos serviços concluídos. A ViaMobilidade trabalha com o cenário de entregar 100% do empreendimento em janeiro de 2022, mesmo mês em que a ViaMobilidade Linhas 8 e 9 fará a assunção definitiva do serviço de trens metropolitanos.

O investimento nas obras de ampliação da estação de Santo Amaro é de aproximadamente R$ 100 milhões. Lembrando que, segundo o contrato de concessão, a ViaMobilidade Linhas 8 e 9 também deverá realizar adequações e melhorias na estação da Linha 9-Esmeralda.

Avanço físico da obras (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Em âmbito geral a obra tem avançado de forma consistente. A ampliação da rede metroferroviária, bem como a melhoria geral do serviços vai atrair cada vez mais passageiros. Para o cenário pós-pandemia é previsto uma retomada gradual da demanda, portanto, a finalização destes investimentos é a garantia de que os passageiros que utilizarão a estação Santo Amaro estarão diante de uma nova estrutura que proporcionará maior segurança e conforto nos seus deslocamentos diários.

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  1. Em um aspecto geral essa obra é horrível, tanto pela nova arquitetura que não respeita a história da estação tanto quanto pelo aspecto funcional da estação visto que não será exatamente uma expansão da plataforma, serão acessos a nova área de circulação, seria melhor se abrissem toda a lateral da estação e fazer uma conexão inteira com a estação e a nova passarela. Na minha opinião como arquiteto essa ampliação da estação foi muito mal planejada, daria até para manter a aparência externa da estação original no projeto.

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