Consórcio Signalling é derrotado em julgamento sobre fabricação dos trens da Linha 17

Decisão colegiada não deu provimento a alegações do grupo, que tentava invalidar contrato assinado entre o Metrô e a BYD SkyRail para fornecer os sistemas de monotrilho do ramal na Zona Sul de SP
Disputa entre BYD e Signalling

Após meses de espera, a 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo julgou a apelação cível movida pelo consórcio Signalling (T’Trans, Bom Sinal e Molinari) que questionava a escolha da rival BYD SkyRail pelo Metrô no contrato de sistemas de Linha 17-Ouro.

O processo estava na 2ª instância e dependia do voto de três desembargadores. A relatora da ação, Silvia Meirelles, havia aceitado os argumentos da Signalling em janeiro, suspendendo a execução do contrato. Em maio, no entanto, o Metrô conseguiu derrubar a liminar no Superior Tribunal de Justiça, abrindo caminho para que a BYD retomasse os trabalhos.

Restava então esperar pelos votos dos desembargadores. Meirelles voltou a acatar o pedido do Signalling, mas a desembargadora Maria Olívia foi contrária a essa posição, restando o voto do desembargador Evaristo dos Santos que, no entanto, pediu vista, ou seja, tempo para analisar o caso.

Ele só entregou seu voto na semana passada e nesta segunda-feira, durante nova sessão, Evaristo também negou provimento à Signalling, somando dois votos contrários à ação da empresa. Curiosamente, a relatora Silvia Meirelles deve mudar sua posição embora ressalvando o posicionamento original.

O acordão, onde estarão os detalhes da decisão, será redigido por Maria Olívia e publicado nos próximos dias. Só então se saberá o teor do julgamento. Caso haja unanimidade, como tudo indica, o Signalling terá poucas chances de reverter o caso.

Sidney Piva, que comanda a T´Trans e a Bom Sinal: consórcio Signalling derrotado após disputa de mais de dois anos (Divulgação)

Entenda o processo

O edital da licitação de sistemas da Linha 17, que envolve a fabricação de 14 trens de monotrilho, portas de plataforma, sistema de controle de trens e comunicação, entre outros, foi lançado em meados de 2019 para tentar resolver a demorada implantação do modal.

O consórcio Signalling apresentou o menor valor, mas teve sua proposta desclassificada por não conseguir comprovar experiência em alguns serviços a serem executados. O Metrô então chamou a BYD, segunda colocada, para apresentar a documentação.

O movimento do Metrô gerou protestos, incluindo do 3º colocado, um consórcio liderado pela chinesa CRRC. Apesar dos recursos administrativos, a companhia acabou assinando contrato com a BYD, mas o Signalling seguiu acionando a Justiça para tentar barrar o trabalho.

Mesmo antes do último voto ser proferido, o grupo liderado pelo empresário Sidnei Piva tentou uma manobra curiosa ao alegar que o recente aditivo assinado pela BYD, e que estendeu o prazo de entrega do projeto, seria a prova de a empresa chinesa e o Metrô haviam mentido a respeito da pressa em executar o contrato – argumento usado para conseguir destravá-lo na Justiça.

Na verdade, o tempo acrescido aos prazos foi justamente o que se perdeu quando a Justiça barrou sua execução, a pedido do Signalling.

Segundo recentes declarações da BYD, o primeiro trem de monotrilho será entregue até o final de 2022. Paulo Galli, secretário dos Transportes Metropolitanos, revelou que a Linha 17 deve começar a operar em 2023.

BYD SkyRail: primeiro trem deve chegar ao Brasil até o final de 2022
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  1. Quando te perguntarem o que é um absurdo mostre esse caso da linha 17, um processo demorar 2 anos é um verdadeiro ABSURDO! Quando a justiça brasileira quer, consegue fazer um verdadeiro inferno na vida da cidadão. Se fosse em um país realmente sério isso teria sido resolvido em no máximo um mês. E em relação da Signaling em insistir na justiça para fornecer os trens é outro absurdo, a empresa não faliu? Espero que essa seja a decisão final e definitiva!

    1. O problema nesse caso não é a justiça brasileira e sim o Metrô que faz licitações mal feitas com um monte de brechas, que fica fácil pra parte perdedora apelar. Se com a justiça avaliando caso a caso já rola corrupção à beça em obras públicas, imagine se ela simplesmente ignorasse qualquer caso suspeito apenas para a obra acelerar. É o ônus de se ter empresa pública gerenciando obra no Brasil. Não vai ter o empresário malvadão ficando rico com a exploração de serviços públicos, mas em compensação leva-se 15 anos pra ter uma linha que foi planejada para ficar pronta em quatro.

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