Projeto básico da Linha 20-Rosa atrasa e fica para 2027

Metrô prorroga contrato em oito meses e prevê novo aditivo para cobrir custos de alterações feitas no projeto do ramal que irá do ABC até a Zona Oeste de São Paulo

Linha 20-Rosa terá 33 km e 24 estações
Linha 20-Rosa terá 33 km e 24 estações (Montagem feita com uso de IA)

O projeto básico da Linha 20-Rosa do Metrô de São Paulo não ficará pronto em 2026, como estava previsto. Um novo aditivo prorrogou em oito meses o contrato responsável pelo desenvolvimento do empreendimento, empurrando a conclusão dos trabalhos para junho de 2027.

O contrato com o Consórcio MNEPI Linha 20 previa originalmente o encerramento dos serviços em 6 de outubro deste ano. Com o Aditivo nº 1, o prazo de execução foi estendido até 6 de junho de 2027. A vigência contratual também foi ampliada, passando de 29 de janeiro para 29 de setembro do próximo ano.

O consórcio é formado pelas empresas Maubertec Tecnologia em Engenharia, Nova Engevix Engenharia e Projetos, Pólux Engenharia e Intertechne Consultores e responde pelo desenvolvimento do projeto básico de toda a Linha 20.

Além da prorrogação, o documento revela que o projeto passou por adequações provocadas pelo que o Metrô chama de “fatos supervenientes”, expressão utilizada para situações surgidas ou identificadas depois da contratação.

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O aditivo não detalha quais foram esses fatos nem quais alterações tiveram de ser feitas no projeto. Os impactos financeiros das mudanças também ainda estão sendo calculados.

Futura estação Girassol da Linha 20-Rosa causa polêmica (Montagem livre com uso de IA)

Segundo o documento, Metrô e consórcio deverão concluir as negociações para definir os valores adicionais. O aumento do custo será formalizado posteriormente em um novo termo aditivo, destinado a remunerar os serviços decorrentes das adequações e do período adicional de execução.

Novo cronograma terá de ser apresentado

A mudança também substitui as datas-marco utilizadas para acompanhar o desenvolvimento do projeto. O consórcio terá 15 dias para entregar ao Metrô um novo cronograma físico e um cronograma físico-financeiro compatíveis com a extensão do contrato.

Entre os marcos estabelecidos estão a aprovação do traçado geométrico da via permanente em até 180 dias e a conclusão da concepção das estações, dos poços de ventilação e saída de emergência (VSEs) e das unidades do pátio em até 240 dias.

O desenvolvimento completo da modelagem e dos documentos técnicos das estações e VSEs, incluindo os quantitativos necessários para elaborar o orçamento das obras, tem prazo de até 750 dias. O mesmo limite foi estabelecido para as unidades que compõem o pátio.

A Linha 20 é projetada para ligar Santo André, no ABC, à região da Lapa, na capital, passando por São Bernardo do Campo, Saúde, Moema, Itaim Bibi, Faria Lima, Pinheiros e Vila Madalena.

Os estudos de alternativas para a Linha 20-Rosa (Metrô de São Paulo)

Projeto passou por discussões e alterações

A prorrogação ocorre após um período em que diferentes aspectos do projeto da Linha 20 passaram a ser discutidos publicamente. Parte das controvérsias surgiu na Zona Oeste, onde grupos de moradores dos Jardins e da Vila Madalena passaram a contestar a localização de estações e o traçado escolhido pelo Metrô.

Uma das discussões envolve a passagem pela Avenida Faria Lima, mas essa alteração não é recente. A decisão de retirar parte do traçado do eixo da avenida e direcionar a Linha 20 para a Estação Fradique Coutinho, da Linha 4-Amarela, já fazia parte do projeto antes da mobilização dos moradores. O assunto voltou à tona neste ano com as críticas de associações dos bairros atingidos pelo empreendimento.

Também houve alteração na localização da estação antes denominada Teodoro Sampaio, posteriormente chamada Cardeal Arcoverde, em razão da compatibilização da Linha 20 com o projeto da futura Linha 22-Marrom.

Na Vila Madalena, moradores também passaram a pressionar o governo contra a localização prevista para a Estação Girassol. Os grupos defendem mudanças no projeto sob o argumento de reduzir os impactos das obras e das futuras estações sobre os bairros.

Projeção do Pátio da Linha 20-Rosa em São Bernardo (CMSP)

Outra questão precisou ser negociada no extremo oposto da linha. Em São Bernardo do Campo, o Metrô planejou instalar o pátio da Linha 20 em parte do terreno da antiga fábrica da Ford, área adquirida pela empresa de logística Prologis.

A desapropriação entrou em conflito com os planos da companhia para construir um centro logístico no local. Após negociações, governo e Prologis chegaram a um acordo para compatibilizar os dois empreendimentos, preservando uma área de aproximadamente 230 mil m² para o futuro pátio do metrô.

O aditivo não informa se alguma dessas questões está relacionada aos “fatos supervenientes” responsáveis pelas adequações do projeto e pela extensão do contrato.

A postergação também empurra uma etapa importante da Linha 20 para um ano em que o projeto ainda não possui recursos compatíveis com o início de sua implantação. A proposta orçamentária do Estado para 2027 reserva valores reduzidos para diversos novos projetos metroferroviários, sem uma dotação capaz de sustentar o começo das obras da Linha 20.

O governo Tarcísio apontava o ano que vem como o da realização de licitações de obras civis, mas elas dependem justamente da conclusão do projeto básico e de outros estudos.