Em vídeo, Metrô mostra as alternativas de traçado da futura Linha 20-Rosa

A terceira edição do seminário Memória, Pesquisa e Mobilidade explicou como a companhia define a escolha dos trajetos dos ramais e utilizou para isso parte do anteprojeto de engenharia e o projeto funcional da Linha 20
Trabalhos de sondagem da Linha 20 em outubro (Reprodução CMSP)

Juntamente com a Linha 19-Celeste, a Linha 20-Rosa é hoje um projeto que entrou numa fase concreta de implantação. Até então um estudo, o ramal que ligará a região da Lapa ao ABC Paulista é alvo de serviços geológicos e de projetos que ajudarão a definir seu perfil e futuro.

A despeito disso, tudo que envolve a linha é ainda muito incerto e depende justamente do que o Metrô irá descobrir nos próximos meses, enquanto recebe subsídios desses trabalhos.

Pois parte desse material, ao que tudo indica, pode ser apreciado numa apresentação realizada por Epaminondas Duarte Junior, chefe do departamento do Planejamento e Anteprojeto de Engenharia na gerência de Meio Ambiente e Planejamento da companhia.

Parte do 3º Seminário Memória, Pesquisa e Mobilidade, realizado pelo Metrô, a apresentação ocorreu na semana passada e mostrou como a companhia faz a escolha do traçado das linhas.

Embora Epaminondas tenha deixado explícito que o material apresentado é apenas ilustrativo, sem qualquer caráter oficial, algumas informações são bastante pertinentes e certamente trazem insumos que estão sendo considerados nas decisões a serem tomadas.

Uma delas diz respeito à escolha de possíveis traçados para a Linha 20 diante da grande extensão (cerca de 31 km) e diversidade de regiões por onde passa.

As alternativas para a Linha 20

No mapa compartilhado, há o projeto diretriz da Linha 20, que foi tornado público pelo Metrô, com início na estação Santa Marina e término na estação Santo André. Mas a imagem traz outras sete alternativas bastante curiosas.

O traçado de referência, por exemplo, mostra opções de chegada em Santo André com a estação mais ao norte da CPTM, uma mudança para atender a região da Paulicéia em São Bernardo e algumas alterações no traçado perto do bairro de Pinheiros.

A Alternativa A, por sua vez, imagina que a Linha 20 seguiria mais ao leste entre a estação Cerro Corá e Santa Marina, evitando a Lapa. A Alternativa B1 propõe que as vias deixem o eixo da Faria Lima na altura da Avenida Nove de Julho e sigam em direção à estação Fradique Coutinho (Linha 4), enquanto a Alternativa B2 cria um percurso paralelo à Faria Lima, passando por dentro dos Jardins.

Já a Alternativa C muda o traçado a partir de Indianópolis, levando o ramal para um encontro com a Linha 5 em Eucaliptos em vez de Moema. Dali a Linha 20 cruza a Santo Amaro mais próxima da Avenida Bandeirantes e então volta a apontar para o traçado conhecido na Faria Lima.

O Metrô analisa oito locais possíveis de comportar o pátio de manutenção

A Alternativa D encurta a Linha 20 no trecho entre a futura estação Cursino e Indianópolis, se afastando do Parque do Estado e possivelmente se ligando à Linha1-Azul em Saúde no lugar de São Judas. Por fim, a Alternativa E mostra o que parece ser um caminho mais curto e direto até a Linha 10-Turquesa, parando na estação Prefeito Saladino, uma hipótese já divulgada anteriormente.

O drama de encontrar espaço para o pátio de manutenção

A apresentação também aborda outro aspecto crítico no projeto de linhas metroviárias em São Paulo, a dificuldade em encontrar áreas suficientemente grandes para comportar um pátio de manutenção. Segundo Epaminondas, são necessários entre 200 mil e 300 mil m² para abrigar toda a infraestrura necessária.

Como essa estrutura é crucial para a implantação inicial do ramal, sua escolha pode até mesmo decidir que trechos irão estrear primeiro. No caso da Linha 20, a lógica é que a etapa Lapa-São Judas seja prioritária devido à demanda e quantidade de conexões com outras linhas.

No entanto, das oito alternativas apresentadas, três se localizam na etapa secundária, que atenderá o ABC Paulista, incluindo uma área ao norte do Parque do Estado, um terreno ocupado pela Rhodia em Santo André e até mesmo um espaço em Capuava, distante do eixo do ramal.

Uma das possibilidades estudadas envolve uma área de galpões ao lado da Linha 6

Os demais terrenos ficam todos próximos à Lapa ou mesmo após a Marginal Tietê. Um dos que foi detalhado pelo Metrô é o que envolve vários terrenos ao norte da estação Água Branca. É justamente uma área de galpões que margeia o caminho da Linha 6-Laranja.

A despeito das informações não serem confirmadas e o projeto esteja numa etapa incipiente, é bastante oportuno vislumbrar o possível impacto positivo que a Linha 20-Rosa gerará para toda a rede ao incluir regiões na malha sobre trilhos e também criar novas possibilidades de viagens.

Total
10
Shares
8 comments
  1. Alternativa A: Não! Fica muito melhor a distribuição de passageiros se a trindade Oeste da CPTM: Lapa / Água Branca / Barra Funda tiver cada uma sua própria conexão com o Metrô.

    Alternativas B1 e B2: Não! Remover o Largo do Batata e a própria Faria Lima do trajeto não faz o menor sentido!

    Alternativa C: Talvez. Se for pra ter uma estação na Avenida Bandeirantes esquina com Washington Luiz, funciona.

    Alternativa D: Talvez. Pode dar certo ir pela Saúde, porém o caminho que vai por São Judas e Água Funda é mais apropriado.

    Alternativa E: Por que não em Y? Esse já deveria ser o final de toda linha no sentido bairro, porém o erro de ser um traçado “reto” continua sendo cometido geração após geração.

    1. Olha, as alternativas B eu acho interessantes, porque os Jardins não tem quase transporte público nenhum.
      A C eu discordo, melhor Moema.
      A alternativa D pra mim é bem melhor, pois atende o Shopping Plaza Sul, que teria muito mais demanda do que a Água Funda.
      A alternativa A eu concordo que deva ir pra Lapa, porém fazendo integração com a linha 2 na Vila Madalena, não estendendo mais a linha verde até a Cerro Corá, a linha 20 que iria pra lá a partir da estação Vila Madalena.
      E a alternativa E eu achei legal sua ideia em “Y”, realmente todo fim de linha no sentido bairro poderia ter essa opção.

    2. O traçado em Y seria uma ótima opção. Poderiam levar um dos ramais ao centro de SBC. Não seriam mais do que 6 km. O problema seria Metra deixar.

  2. Os Jardins não terem transporte é ruim, mas é muito pior não ter Metrô na avenida mais cara de São Paulo, e que também é um polo de empregos.

    E no futuro, na região da Oscar Freire, terá a Linha 16 – Violeta cortando o bairro.

    Tanto faz a C, mas a verdade é que chegar Metrô pesado tão próximo ao aeroporto de Congonhas, depois de anos de instalação do monotrilho, seria no mínimo de mau gosto.

    A Linha 2 – Verde precisa de Cerro Cora por causa do gargalo que existe em Vila Madalena e que impede a Linha de abaixar seu intervalo.

    Além disso, os entornos de Vila Madalena já são muito ocupados pra ter desapropriação. Se fizerem direito, Cerro Cora será igual República / Sé / Chácara Klabin, um único corpo pra duas linhas.

    A Linha 6 – Laranja foi, até onde sei, a última vítima da morte do Y.

    Era pra seguir pra Cachoerinha, depois de Freguesia do Ó, o lado direito da linha.

  3. Na falta de espaço para pátio de trem, poderiam considerar a fábrica da Ford no Taboão, em SBC. Esta que fechou recentemente e fica no trajeto proposto.

Comments are closed.

Previous Post

Trens da Série 8000 já são maioria na Linha 11-Coral

Next Post

Metrô suspende licitação do acesso Bela Cintra da Linha 4

Related Posts