Destaques Linha 17 Metrô de São Paulo

Empresas suíça, paulista e cearense fazem melhor proposta para fornecer trens e sistemas da Linha 17-Ouro

Abertura de propostas foi realizada nesta segunda-feira e teve apenas três participantes: o consórcio liderado pela Molinari Rail, que pediu quase R$ 1 bilhão, e dois grupos chineses, incluindo a BYD e a CRRC
Uma das integrantes do consórcio é a Bom Sinal, fornecedora do VLT do Ceará (Metrofor)

O Metrô de São Paulo recebeu nesta segunda-feira (07) pela manhã as propostas das empresas e consórcios interessados em fornecer os sistemas e trens de monotrilho para a Linha 17-Ouro. O certame, no entanto, teve baixa participação: apenas três grupos entregaram a documentação e os valores propostos, dois deles liderados por empresas chinesas. Mas foi o Consórcio Sinnaling, composto pela suíça Molinari, pela paulista TTrans e a cearense Bom Sinal que fez a menor oferta.

O consórcio propôs um valor de R$ 982.177.917,18 para entregar os 14 trens e sistemas como sinalização, portas de plataforma, redes de fibras ópticas, veículos para manutenção e serivços e aparelhos de mudança, entre outros. A chinesa BYD, que participou com suas subsidiárias, chegou perto desse valor: R$ 988.985.340,69, seguido do consórcio CQCT Golden Phoenix Monorail, liderado pela também chinesa CRRC, pela Chongqing Investimento Industrial de Trânsito Ferroviário e a Construtora Transvia que pediu um valor bem mais alto de R$ 1.332.312.195,42.

Como as propostas tiveram parte dos valores considerados em dólar foi preciso aplicar uma fórmula de oneração prevista no edital e que atualizou os valores da seguinte forma:

1º Consórcio Sinnaling – R$ 1.042.373.178,63
2º Consórcio BYD Skyrail São Paulo – R$ 1.139.291.033,25
3º Consórcio CQCT Golden Phoenix Monorail – R$ 1.569.974.207,35

Agora, o Metrô analisará os documentos da empresa apontada com a melhor proposta a fim de validar sua proposta.

A chinesa BYD fez a segunda melhor proposta (BYD)

Bombardier ausente

A licitação surpreendeu pela ausência de fabricantes de monotrilhos mais conhecidos como a japonesa Hitachi e a canadense Bombardier, esta fornecedora dos trens e sistemas da Linha 15-Prata. O fato de o projeto exigir a adaptação de produtos para os padrões da Scomi, que originalmente deveria ter fornecido os trens, pode ter pesado nessa decisão.

Como se imaginava, os chineses participaram do certame, mas apenas a BYD fez um oferta competitiva. A empresa, que é uma gigante ligada à veículos elétricos e produção de bateria de íon de lítio, lançou seu primeiro monotrilho há pouco tempo, o futurista Skyrail, que será usado no VLT de Salvador. A BYD chegou a ser apontada como provável fornecedora antes que o contrato com o Consórcio Monotrilho Integração fosse rescindido.

A CRRC, por sua vez, é a fornecedora dos novos trens da Série 2500 da CPTM, em que fez uma proposta bem mais vantajosa que a da CAF e Rotem. Mas nesse caso, o valor ficou muito acima das demais.

Já o consórcio Sinnaling é um mistério. A suíça Molinari tem um histórico de fornecer sistemas e outros serviços para a indústria ferroviária desde 1994, mas não fabrica trens. A Bom Sinal, por sua vez, fabrica os VLTs utilizados no Ceará, enquanto a TTrans reformou parte das frotas antigas do Metrô em sociedade com outras empresas.

Ou seja, não está claro que modelo de monotrilho o consórcio pretende oferecer ao Metrô já que o documento divulgado por ele não traz esses detalhes. Sem um produto próprio com as características desse modal, fica um tanto complicado imaginar como desenvolver um novo produto apenas para esse negócio. Uma hipótese é que o grupo produza sob licença algum modelo e faça as adaptações necessárias, mas só quando o Metrô divulgar detalhes da proposta isso deve ser esclarecido – ainda assim o site entrou em contato com a Molinari nesta segunda-feira e aguarda um posicionamento.

Outra situação pouco clara diz respeito ao sistema de sinalização CBTC, parte do escopo do contrato. As chinesas têm tecnologia própria, já o consórcio também precisaria buscar no mercado um fornecedor.

Apesar do resultado favorável, será preciso esperar pela conferência de documentos antes de termos o vencedor. Como mostrou o caso da obras civis da mesma linha, sempre é possível surgiu algum impedimento.

O consórcio liderado pela CRRC fez a proposta mais cara (China Times)

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

8 Comentários

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  • Olá Sr. Roberto, olá pessoal tudo bem? Desejo que sim!. Eu ainda não tinha ido para a região da linha Ouro e na sexta dia 4/10 eu peguei um ônibus que faz a linha Ter/ João Dias ao Metrô São judas e o que eu vi foi deplorável, é muito triste a forma que está sendo executado este projeto, e mais parece que o que menos contou foi o interesse da população que deveria ser abrangida. Na região da av. R. Marinho x Washington Luiz está tudo abandonado e estão pichando tudo entre outras coisas. Por conta do tempo que eu tinha não deu para mim voltar e fotografar. Segue segunda parte :-
    Gilberto

  • Cá estamos de volta, bem com relação a quem vai fazer e implantar toda a parafernália embarcada nesse projeto não é coisa para iniciantes, tecnologia custa muito dinheiro e quem tem cobra muito e empurra muitos “Jabutis” no projeto. Erraram o primeiro tiro e sobrou apenas mais uma bala para o segundo, ou acerta ou vamos ver o maior elefante branco da história por muitos anos.
    Abraços a todos e fiquem com Deus.
    Gilberto

  • Pelo portifólio da BYD, ela me parece ser a empresa mais confiável que as concorrentes mas… as leis de licitação exigem o menor preço, então Sinnaling … que não possui resultados no Google … aí complica … sem contar que provavelmente terão que construir um veículo com base nas especificações do veículo da Scomi, visto que as dimensões das vigas trilho mudam de fabricante para fabricante, pelo que pesquisei.

  • Infelizmente podemos ver vários Efelantes brancos em SP, Ex: (Monotrilho obra com mais de 10 anos parada ao tempo.) (Estacao vila Sonia mais de 12 Anos obra em andamento) ( Estação trem Engenheiro Goulart ate GRU mas não
    Chega dentro do GRU) Entre outras obras super faturadas, Brasil tem uma incompetência muito grandes com obras desse porte :aí me pergunto porque formarmos Engenheiro civil?
    E Digo mais ,corrupção escancaradas nessas mega obras. O governo liberou 4 bilhões, no mes de Agosto 2019, e diz em pronúncia o Governador João Doria, Bruno covas e companhia,e um terço vai para esses elegantes brancos (trem metrô Onibus) Ampliação da Av M boi Mirim, e outro terço e para
    ( Despoluição do Rio Tietê) chega a concorre com o Sr Presidente Bolsonario
    O prêmio Piada do Ano 2019 e com direito a troféu.
    Digo em alto e bom som, o grande culpado pela falta de infraestrutura em todas as áreas do Brasil é o
    ( Brasileiro), pela falta de competência em Fiscalizar e Cobrar quem ele elege como representante no poder público.
    É vamos ver se as empresas brasileira iram ganhar a licitações, Queiroz Galvão/ Camargo Corrêa/Odebrecht etc… ou alguma empresa com parceira no exterior, se tiver, pode ter certeza Obras super Faturadas e 30 anos para fazer 20km de Vias intermodal Férrea.
    Transporte público no Brasil além de ser mega caro e de péssima qualidade comparados a países de 1 mundo.( França Inglaterra Japão entre outros).

    Simplesmente Vergonhoso Esse Brasil.

    Obrigado pelo espaço aberto.
    Minha opinião é respeito a todas ao contrário.

    • Assino em baixo sr. Fernando, isso tudo e muito mais ” Legado da copa, legado das “olimpiádas”, transposição do São Francisco, VLT de Cuiabá, etc. etc. Faríamos um compendio se listássemos tudo o que já vimos. Abraços
      Gilberto

Airway