Haddad quer manter novas linhas de metrô públicas e criar bilhete único metropolitano

Candidato do PT também diz que pretende acelerar obras em andamento, mas não detalhou custos, cronogramas ou como pretende colocar as propostas em prática

Trem da Linha 1-Azul
Trem da Linha 1-Azul (Metrô CPTM)

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que, se eleito, não pretende conceder à iniciativa privada novas linhas de metrô e trens construídas pelo Estado. A declaração foi feita nesta segunda-feira (21), durante entrevista à TV Record.

Haddad também prometeu acelerar obras de novas estações atualmente em andamento e criar um bilhete único metropolitano para integrar tarifas do transporte público entre diferentes municípios.

“Eu não vou privatizar as linhas do metrô, e nem as novas, e nem as que não foram privatizadas, porque isso não está dando certo para o usuário”, afirmou.

Segundo a Record, o candidato disse ainda que pretende agilizar obras em andamento de novas estações, algumas delas necessárias para a abertura de novas linhas. Haddad, no entanto, não especificou quais empreendimentos receberiam prioridade nem apresentou novos prazos para sua conclusão.

Fernando Haddad (Divulgação)

Novas linhas permaneceriam sob controle público

A declaração sobre futuras linhas amplia a posição que Haddad vem apresentando durante a campanha contra o modelo de concessões adotado pelo governo paulista.

Na prática, a promessa significaria manter sob controle estatal novos ramais construídos durante uma eventual gestão do petista, embora o candidato não tenha detalhado como seria estruturada a operação dessas linhas.

Haddad também afirmou que pretende revisar contratos firmados durante o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ao abordar o assunto na Record, citou entre eles as concessões envolvendo a CPTM.

A revisão de contratos, no entanto, não significa automaticamente a retomada das linhas já concedidas. Haddad não explicou durante a entrevista quais contratos ferroviários pretende alterar ou quais pontos seriam objeto de renegociação.

Os estudos de alternativas para a Linha 20-Rosa (Metrô de São Paulo)

Bilhete único para viagens metropolitanas

Outra proposta apresentada por Haddad foi a criação de um bilhete único metropolitano, que permitiria integrar tarifas cobradas em deslocamentos que envolvem diferentes municípios.

“Eu não concebo uma pessoa que mora numa cidade e precisa se deslocar porque tem emprego e obrigar a pagar duas, três passagens. Vou começar uma integração metropolitana não apenas na capital, devemos levar para Santos e Campinas”, disse à Record.

A proposta pode envolver ônibus municipais e metropolitanos, além de metrô e trens, mas Haddad não apresentou o modelo de integração tarifária que pretende adotar.

Também não foram informados o custo estimado do programa, a participação financeira do Estado e dos municípios ou como seriam compensadas as empresas públicas e concessionárias responsáveis pelos diferentes sistemas de transporte.

Trem com pintura da Trivia Trens estacionado na estação Brás, Linha 12-Safira ((MetrôCPTM))

Programa de governo já prometia expansão dos trilhos

As declarações dão mais detalhes a alguns dos compromissos apresentados anteriormente pelo candidato, mas ainda deixam em aberto como seriam executados.

O programa de governo de Haddad, analisado pelo MetrôCPTM em agosto, promete expandir o transporte sobre trilhos na Região Metropolitana de São Paulo, avançar na integração entre sistemas e modais e fortalecer as agências responsáveis pela fiscalização das concessões.

O documento, porém, não aponta quais linhas seriam priorizadas, quanto o Estado pretende investir na expansão da rede ou quais seriam os cronogramas para os projetos.

Na entrevista à Record, Haddad tornou mais clara sua posição sobre a operação das futuras linhas e acrescentou a promessa do bilhete único metropolitano, mas também não apresentou estimativas de investimento, fontes de financiamento ou prazos para colocar essas medidas em prática.