Igreja católica quer batizar estação da Linha 6 como “Dom Paulo Arns”

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e representantes de movimento pró-Metrô entregaram pedido de troca do nome da estação Vila Cardoso por homenagem ao arcebispo emérito de São Paulo, falecido em 2016
Estação Vila Cardoso (iTechdrones)

No início do mês, o Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Brasilândia, Dom Carlos Silva, e representantes do Fórum Pró-Metrô Freguesia/Brasilândia entregaram ao presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, Carlão Pignatari (PSDB) uma proposta para substituir o nome da estação Vila Cardoso, da Linha 6-Laranja, para “Dom Paulo Arns”, arcebispo emérito de São Paulo, falecido em 2016.

A carta, assinada pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, pretende homenagear o religioso, reconhecido pelo trabalho junto à população mais pobre e também durante o período da ditadura e em defesa da redemocratização.

Segundo o site “O São Paulo”, publicado pela Arquidiciose de São Paulo, Dom Paulo atuou na região ao ajudar da Comunidade Guadalupe, que deu lugar recentemente ao Hospital Municipal da Brasilândia, vizinho da futura estação.

Os integrantes do Fórum também questionam a escolha do nome “Vila Cardoso“, que não teria qualquer relação com seu entorno, localizado, segundo eles, no Jardim Maristela, entre a divisa dos distritos da Freguesia do Ó e Brasilândia.

Neste ano, celebra-se o centenário do nascimento de Dom Paulo Evaristo Arns, chamado também de “Cardeal da Esperança”. Segundo a nota divulgada pela publicação, Pignatari assumiu o compromisso de dar sequência ao trâmite na Assembléia, além de repassar o pedido ao presidente do Metrô, Silvani Pereira.

O ex-arcebispo emérito de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns (Arquidiocese de São Paulo)

Nomenclatura de estações não devem servir para homenagens

Como já faz há vários anos, este site é contra homenagens que acrescentem nomes de pessoas à estações de trem. Diferentemente de logradouros e outros equipamentos públicos, estações devem tão e somente serem nomeadas com base em referências consagradas e que facilitem a identificação de destinos pelos passageiros.

Por essa razão, o site deixou de citar acréscimos desnecessários em seus textos como a recente inclusão do nome do ex-prefeito Bruno Covas à estação Mendes-Vila Natal. E assim ocorrerá quando estações que tiveram seus direitos de renomeação vendidos à iniciativa privada passarem a utilizar marcas em sua identificação.

Portanto, consideramos o pedido da Igreja Católica desnecessário, da mesma forma que criticamos a tentativa de renomear a estação Vila Mariana em homenagem a um pastor evangélico anos atrás.

Não se trata de desmerecimento a Dom Paulo Arns, mas sim de impedir uma iniciativa danosa ao transporte público, que é o de desfigurar o nome de estações. Mais justo e objetivo seria que a LinhaUni e o governo do estado bancassem um espaço na estação Vila Cardoso que pudesse mostrar as ações e a história do arcebispo, por exemplo.

Apesar disso, este site acredita que o pedido acabará aceito em algum momento.

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  1. Tenho uma dúvida. O fato dessa linha ser privada não desobrigaria o consórcio a adotar nome impostos por autoridades políticas?

    1. Não, pq a linha continua pertencendo ao Metrô e ao estado. A Acciona tem apenas a concessão da construção e operação da linha.

      1. Ola, creio que o senhor não saiba a diferença entre laico e ateu.
        Uma breve explicação:
        – laico: aquele que aceita QUALQUER crença (cristianismo, umbandismo, ateísmo, hinduísmo, etc)
        – ateu: aquele que não aceita QUALQUER crença, o estado deve professar que não há qualquer divindade.
        Portanto, se o estado der preferência a qualquer crença, ele deixa de ser laico, passa a ser daquela mitologia escolhida e não protegerá ou respeitará as outras.
        Logo, o ponto de vista do site é adequado observando exlusivamente a tese que o senhor apresentou.

  2. nada a ver, o nome da estacao deve remeter ao bairro ou alguma construcao referencia para o bairro onde esta instalada ! nada mais que isto !

  3. Também não concordo em mudar nomes de estações apenas com o intuito de homenagear algo ou alguém.
    Mas se eles querem tanto prestar homenagem, por que não mudam o nome do Hospital que está no local onde aquele religioso prestava assistência?

  4. Desnecessário essa nomenclatura, concordo com a posição de apenas reservar um espaço da estação que dedique a contar a história do Dom Paulo.
    Que se for pra fazer alguma alteração, que seja para o nome do bairro mesmo, como citado, Jardim Maristela.
    Alterações como essa são descabidas, como aconteceu em Mendes, e acontece com São Caetano do Sul e Ribeirão Pires que tem acréscimo de nome e não tem relevância nenhuma e não pega na memória dos passageiros.

  5. Joselito….
    Grande coisa o país NÃO SER ateu, mas vive idolatrando nomes de pessoas, denominações religiosas, líderes religiosos e suas religiões, estátuas de imagens no lugar do CRIADOR.
    As religiões cegam e escravizam as pessoas.

    1. É uma coisa muito importante o estado ser laico e não ateu, cristão, judeo etc…. Isso garante a liberdade de crença. Sou contra o nome proposto na estação, o problema foi seu fraco argumento mesmo.

  6. Nomes de estações devem estar relacionadas com a posição geográfica e não com “homenagens”. Se for assim, eu sugiro estação Magda Cotrofe… bem melhor que políticos e líderes religiosos…

  7. Fraco foi a sua interpretação em achar que algum momento devendí um estado ateu.
    Volte para as aulas de língua portuguesa para aprender interpretação de texto!

  8. Na minha humilde opinião, nome de estações devem estar relacionadas ao local onde se encontram, e nada mais além disso.

  9. As estações não devem servir como homenagem à pessoas ou políticos, sendo assim algumas exceções são válidas, como por exemplo a estação João Dias, que é ao lado da ponte de mesmo nome.
    Sobre a questão do nome do bairro, se realmente o bairro não é conhecido como Vila Cardoso pela população, isso só vai gerar confusão para quem não usará a linha diariamente.

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