Em documentos divulgados recentemente pelo Metrô de São Paulo e que traziam os planos futuros de expansão foi possível notar a ausência da segunda fase da Linha 19-Celeste, que daria continuidade ao ramal após o Anhangabaú e seguiria até a região do Campo Belo.

A princípio, a supressão do trecho pode ser entendida como o foco da companhia em tirar do papel a primeira fase, que ligará o município de Guarulhos ao centro da capital paulista, mas o edital de projeto funcional de outro ramal, a Linha 20-Rosa, evidenciou uma novidade: o Metrô estuda um traçado alternativo que pode levar a Linha 19 até pelo menos a região da Vila Olímpia.

Uma ilustração mostrando um ainda hipotético mapa de estações da Linha 20 revelou uma inesperada conexão com a Linha 19 na futura estação Juscelino Kubitschek, que deverá se localizar próxima ao cruzamento entre a avenida de mesmo nome com a Faria Lima. Embora o edital não traga mais detalhes, é de se supor que a equipe de planejamento do Metrô tenha alterado o traçado a partir da estação Itaim Bibi, que ficará na confluência das avenidas São Gabriel e Brigadeiro Luis Antonio, e seguido o eixo da avenida Juscelino Kubtischek.

Essa nova configuração sugere que a região da Vila Olímpia, que concentra milhares de empregos, pode ter influenciado os futuros planos, assim como a Pesquisa Origem Destino de 2017, que fornece subsídios sobre os deslocamentos dos habitantes da Grande São Paulo. Até então, a Linha 19 seguiria o eixo da avenida Santo Amaro, conectando-se com a Linha 20 na estação Helio Pelegrino e então avançando até encontrar a estação Campo Belo da Linha 5-Lilás e 17-Ouro, e com duas estações no caminho, Alvorada e Jesuíno Maciel.

Parecia ser um trajeto natural afinal o corredor de ônibus da Santo Amaro utiliza esse mesmo caminho em direção ao centro da cidade. Com a ligação com a Linha 5, seria possível dividir o fluxo de passageiros do extremo sul da região metropolitana e assim equilibrar a oferta e a demanda. No entanto, uma hipotética ligação com a Linha 9-Esmeralda da CPTM na estação Vila Olímpia também traria benefícios importantes nesse sentido, além de ajudar a desafogar a parada às margens do Rio Pinheiros.

O novo trajeto possível para a Linha 19-Celeste

É cedo para tirar conclusões definitivas sobre essas mudanças, mas uma rápida observação da região onde a Linha 19 aponta nesse novo caminho indica que entre as possibilidades estariam atravessar o rio e seguir em direção à região do bairro do Morumbi ou rumar sentido sul num traçado paralelo ao da avenida Berrini, por exemplo. Claro, há de se considerar também que a linha Celeste acabe terminando na própria estação Juscelino Kubitschek, num esquema semelhante ao da Linha 4-Amarela na Luz.

Originalmente, a segunda fase previa seguir no sentido sul da cidade num percurso paralelo à avenvida Brigadeiro Luis Antonio, com as estações Bela Vista (conexão com a Linha 6), Brigadeiro (Linha 2), Jardim Paulista (com a futura Linha 16), Parque Ibirapuera e Itaim Bibi, quando tomaria o rumo da avenida Santo Amaro. Ao contrário da primeira fase, com perfil pendular, o trecho final traria maior capilaridade para a rede metroferroviária e a tornaria ainda mais atraente como destino para milhares de trabalhadores.

Projeto de longo prazo

Seja qual for o traçado definitivo da Linha 19-Celeste, fato é que o projeto ainda está dando seus primeiros passos e já enfrenta dificuldades, como é praxe em empreendimentos desse porte e complexidade. O Metrô iniciou estudos de campo para permitir a realização do projeto básico da primeira fase, que terá 17,6 km de extensão e 15 estações, mas já esbarra numa disputa jurídica para lançar a licitação justamente do próprio projeto básico.

Mapa de possíveis estações da Linha 20-Rosa revelou a ligação com a Linha 19-Celeste (CMSP)

Para tentar mudar a realidade dessas obras, a gestão Doria está estudando uma concessão do projeto à iniciativa privada com uma modelagem inédita. A ideia é que o parceiro privado arque com quase todo o custo do projeto, mas que tenha maior liberadade para explorá-lo comercialmente. Isso inclui até mesmo a negociação para obter os terrenos necessários para estações, que evitariam desapropriações no formato tradicional. No novo cenário, os proprietários desses terrenos seriam convidados a participar de parte do projeto, que poderia envolver empreendimentos comerciais anexos às estações. Também está na pauta do governo a simplificação das próprias estações, numa releitura do modelo atual, que tem favorecido construções enormes e que não aproveitam quase nada dos espaços criados.

Se essa nova concessão se mostrar frutífera – o que não é algo fácil diante de um ambiente de negócios imprevísivel no Brasil -, a Linha 19 poderia avançar num ritmo mais veloz e começar a operar ainda na década de 20. Quem sabe, até lá a segunda fase também passe a fazer parte desses planos.