Metrô recebe propostas para projeto da Linha 21-Vinho com destino a Diadema

Concorrência envolve elaborar anteprojeto e estudos ambientais para ramal que ligará ABC Paulista à Zona Leste da capital

Passageiros aguardando trem na plataforma do Metrô de São Paulo - Linha 21-Vinho
Passageiros aguardando trem na plataforma do Metrô de São Paulo - Linha 21-Vinho ((Imagem alterada por IA))

O Metrô de São Paulo recebeu nesta quinta-feira (20) as propostas da concorrência que contratará o desenvolvimento do anteprojeto de engenharia e do estudo de impacto ambiental da futura Linha 21-Vinho, ligação metroviária planejada entre o ABC Paulista e a Zona Leste da capital.

O processo é uma das etapas mais importantes até agora para transformar a Linha 21, ainda baseada em estudos preliminares, em um projeto com características técnicas mais bem definidas.

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Ao menos oito participantes apresentaram propostas na concorrência. Entre as empresas que permaneciam na disputa estavam Tylin Brazil, com R$ 14,6 milhões; Setec Hidrobrasileira, com R$ 15,19 milhões; Egis Engenharia e Consultoria, com R$ 15,96 milhões; Sener Setepla, com R$ 23,52 milhões; e ARX Brasil, com R$ 23,82 milhões.

Outras três propostas apareciam como desclassificadas no sistema nesta quinta-feira. O processo ainda aguarda o julgamento das propostas técnica e de preço, portanto o menor valor apresentado não determina a vencedora da concorrência.

O orçamento do Metrô é sigiloso. O valor de R$ 9,99 trilhões exibido no Compras.gov é meramente um preenchimento do sistema e não corresponde ao custo estimado da contratação.

O segundo traçado da Linha 21-Vinho, de março de 2026 (Metrô de São Paulo)

Traçado ainda não está fechado

A licitação foi lançada em maio e chegou a ter a abertura das propostas prevista para 4 de agosto, antes de ser transferida para esta quinta-feira. O objeto inclui serviços especializados de engenharia, arquitetura e geologia para desenvolver o anteprojeto, além dos estudos ambientais da Linha 21-Vinho.

É justamente esse trabalho que deverá aprofundar questões que permanecem em aberto. O Metrô trabalha atualmente com uma diretriz de aproximadamente 23 km e 21 estações, mas o traçado definitivo e a localização das paradas ainda não estão estabelecidos.

Documentos divulgados durante a licitação chegaram a mostrar duas alternativas de percurso. A versão mais recente indicou mudanças importantes em relação à concepção inicialmente apresentada, inclusive nas conexões com outras linhas. O próprio Metrô posteriormente retificou documentos para desconsiderar um dos mapas.

A concepção atual prevê uma linha de caráter perimetral, ligando Diadema e outras regiões do ABC à Zona Leste de São Paulo sem passar pelo centro da capital. Entre as conexões estudadas estão as linhas 10-Turquesa, 14-Ônix, 15-Prata, 16-Violeta e 20-Rosa, além de corredores de ônibus.

Uma das integrações mais relevantes deverá ocorrer com a Linha 20-Rosa na região de Taboão, entre São Bernardo do Campo e Diadema. Outra conexão importante será com a Linha 10-Turquesa em São Caetano do Sul.

Na Zona Leste, os estudos indicam uma ligação com a Linha 15-Prata e avanço em direção à região de Aricanduva. No extremo oposto, a Linha 21 deverá atravessar Diadema e prosseguir além da região central do município.

A definição desses pontos dependerá justamente do anteprojeto agora em contratação. Estudos de demanda, condições geológicas, interferências, áreas necessárias para estações e estruturas auxiliares e impactos ambientais poderão alterar a configuração atualmente considerada.

Mapa da Linha 21-Vinho, mostrando integração com a Linha 25-Topázio em Diadema (Divulgação Metrô de São Paulo)

740 mil passageiros por dia

Nas estimativas preliminares divulgadas pelo Metrô, a Linha 21-Vinho poderá transportar cerca de 740 mil passageiros diariamente. O investimento foi calculado inicialmente em aproximadamente R$ 35 bilhões, valor que também deverá ser refinado conforme os estudos avancem.

A linha tem potencial especialmente relevante por criar ligações transversais entre diferentes ramais. Em vez de obrigar passageiros do ABC e da Zona Leste a viajar em direção às áreas centrais para depois mudar de direção, a Linha 21 poderá funcionar como um eixo de conexão entre corredores existentes e planejados.

O Metrô estima, por exemplo, que uma viagem entre Diadema e São Caetano possa cair de cerca de 40 para 17 minutos. Com a integração à futura Linha 20-Rosa, o deslocamento entre Diadema e a região do Itaim Bibi poderia passar de aproximadamente 1h28 para 31 minutos.

Ainda é, porém, um projeto de longo prazo. O desenvolvimento do anteprojeto e dos estudos ambientais antecede diversas outras etapas necessárias para que a Linha 21 possa chegar à construção. Estimativas divulgadas pelo Metrô apontaram um horizonte de cerca de dez a 11 anos para implantação do ramal, colocando uma eventual abertura apenas em meados da próxima década.

Sondagens têm licitação separada

O Metrô abriu ainda uma segunda concorrência relacionada à Linha 21-Vinho. O processo prevê investigações geotécnicas e sondagens destinadas a fornecer informações sobre o subsolo para o desenvolvimento do anteprojeto.

Com isso, a companhia separou a investigação de campo da contratação que desenvolverá o anteprojeto propriamente dito e os estudos ambientais.