Chamado erroneamente pelo governo baiano de “VLT” (Veículo Leve sobre Trilhos), o monotrilho de Salvador começará a ser construído em outubro, afirmou o governador da Bahia, Rui Costa.

Com 20 km de extensão e 22 estações, o monotrilho será construído e operado pelo consórcio que reúne a Metrogreen e a BYD, fabricante que fornecerá os trens e sistemas. Nesta semana, o governador apresentou o projeto na Câmara Municipal de Salvador, prometendo que o novo modal se conectará à estação Acesso Norte do Metrô e terá a mesma tarifa deste.

O ramal será viabilizado por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada) semelhante à que foi feita com o Metrô da cidade. Ela terá 20 anos de duraçãoe as obras deverão durar dois anos, segundo o governador.

O monotrilho substituirá o trem de subúrbio que opera às margens da Baía de Todos os Santos, mas será elevado, inclusive com um trecho sobre o mar. O intervalo será de três minutos contra 20 minutos do atual sistema. O movimento previsto é de 150 mil passageiros por dia com composições de três vagões e capacidade para 600 pessoas, mas há possibilidade de ampliar esse volume com redução do “headway” ou possível ampliação dos vagões.

Apesar disso, nem o governo baiano nem a BYD divulgaram qualquer ilustração sobre o modal, que foi inicialmente pensado como um VLT – uma espécie de bonde moderno como o que opera no centro do Rio de Janeiro e Santos e que circula em vias na superfície sem segregação de veículos. Porém, a proposta da BYD é completamente diferente, com vias elevadas e segregadas além de estações de fato.

O projeto do governo baiano, ao contrário, será elevado e abrirá espaço para a implantação de equipamentos urbanos em seu trajeto. O custo estimado da obra é de R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão será gasto na fase 1 que vai do Comércio à Ilha de São João.

Mapa de implantação do monotrilho (GEBA)

De olho no Brasil

O consórcio que fará o modal foi escolhido em fevereiro do ano passado e agora está definindo o projeto junto com o governo. É a primeira vez que a chinesa BYD vence uma licitação no Brasil com seu inédito e futurista monotrilho. A empresa chegou a ter seu nome envolvido em uma possível troca com a falida Scomi na Linha 17-Ouro de São Paulo, mas o contrato acabou rescindido pelo Metrô.

No entanto, a BYD certamente é uma das candidatas a disputar o fornecimento do mesmo monotrilho, mas em um novo contrato cujo leilão ocorrerá em setembro. Conhecida por ser a maior produtora de baterias de íon de lítio do mundo, a empresa chinesa também é uma das maiores montadoras de veículos do país e se instalou no Brasil para produzir ônibus.

Vale ressaltar que o projeto baiano apresenta similaridades com o extinto monotrilho da Linha 18-Bronze de metrô e que foi cancelado pelo governador João Doria em favor de um corredor de ônibus rápido. A demanda é a mesma, considerando a afirmação da atual gestão paulista, que estima (sem até hoje comprovar por meio de estudos) que a linha no ABC Paulista terá 150 mil usuários por dia contra 340 mil passageiros/dia apontados por levantamentos factíveis realizados anteriormente.