TCU adia decisão sobre implantação do People Mover do Aeroporto de Guarulhos

Em sessão plenária do Tribunal de Contas da União nesta quarta-feira (03), relator do processo revelou que a ANAC está atualizando os valores pedidos pelos concorrentes e que isso “pode mudar o mapa da licitação”
Linha de people mover terá 2,6 km de extensão e intervalo de seis minutos (AeroGRU)

Após vários meses de análises, o Tribunal de Contas da União (TCU) abordou o andamento do processo de inclusão do projeto do People Mover do Aeroporto de Guarulhos no contrato de concessão junto à GRU Airport. A implantação do sistema de transporte automatizado prevê a ligação dos três terminais com a Linha 13-Jade da CPTM e será bancado pelo governo federal por meio da dispensa de parte dos valores de outorga anual.

Como o site mostrou aqui anteriormente, a GRU recebeu várias propostas de fornecedores, selecionando a dos consórcios AeroGRU (liderado pela Aeromovel) e GRU Connecta (da empresa austríaca Doppelmayr), sendo que a primeira fez a proposta mais barata. A concessionária, no entanto, demonstrou preferência pela segunda proposta alegando riscos contratuais e técnicos.

Durante a breve apresentação nesta quarta-feira, o ministro Vital do Rêgo, relator do processo, explicou que o processo depende de dois fatores atualmente, a atualização das propostas dos concorrentes e a decisão da ANAC a respeito da sugestão da GRU Airport, de repassar ao governo federal os riscos de uma implantação problemática no caso do sistema Aeromovel.

A ANAC informou que as atuais propostas venceram em 19 de agosto, mas que já requereu a atualização dos valores pelas empresas em fevereiro. A agência também considerou que as novas propostas podem “mudar o mapa de licitação” realizada para selecionar a subcontratada que irá construir o sistema.

People Mover da Doppelmayr que será implantado no Aeroporto de Luton, na Inglaterra (Divulgação)

Além disso, a ANAC afirmou que deverá analisar a solicitação da GRU Airport a respeito da posição da agência em relação às condições que afetam a ‘matriz de risco do processo’. Acredita-se, nesse caso, se tratar da insegurança da concessionária sobre a capacidade da AeroGRU de entregar e manter o sistema proposto.

“Diante desse cenário, não há como formular aditivo nesse momento para inserir o sistema APM (Automated People Mover) no contrato de concessão”, afirmou o ministro Vital do Rêgo.

O relator encerrou a exposição afirmando que repassará à ANAC e GRU Airport as pendências no processo para que sejam esclarecidas.

O traçado do People Mover da GRU Airport

Expectativa de um desfecho em março frustrada

No final de janeiro, o secretário Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos) publicou em suas redes sociais que esperava um desfecho do assunto neste mês. “Estabelecemos o plano de trabalho e cronograma de execução das obras. Após liberação do TCU pelo ministro Vital do Rêgo, os órgãos firmaram compromisso de emitir a ordem de serviço na segunda quinzena do mês de março. Seguimos firmes para honrar mais este compromisso com a população do Estado de SP”.

No entanto, a indefinição deve prolongar essa situação por mais algum tempo. A solução da ligação entre o maior aeroporto da América do Sul e o ramal da CPTM se arrasta há anos, mas em 2019, o governador João Doria (PSDB) anunciou ter chegado a um acordo com o governo Jair Bolsonaro e a GRU Airport para tirar o projeto do People Mover do papel.

Atuando apenas como consultora no processo, a gestão estadual pouco pode fazer para desatar os nós, que dependem de um entendimento entre a União, a concessionária e o TCU, a quem cabe permitir que seja assinado um aditivo contratual que libere os recursos necessários para a obra.

Na época do anúncio do acordo, a previsão sobre a entrega do sistema de transporte era de maio de 2021.

Total
20
Shares
3 comments
  1. Essa concessão foi uma das piores já criadas. GRU atrapalhou e continuará atrapalhando, as idas e saídas do maior aeroporto do país.

  2. Eu não consigo entender por que não deixaram o trem avançar mais um pouco e atender os terminais. Soa para mim como burrice ou algum interesse fora de padrão.

    1. Provavelmente custaria bem menos construir uma nova estação no terminal 1,isso não afetaria as existentes o passageiro já poderia desembarcar dentro do terminal.

Comments are closed.

Previous Post

Pesquisa Origem Destino do Metrô testa uso de celular para colher dados de deslocamentos

Next Post

Sem aviso, CPTM entrega o último trem chinês da Linha 13-Jade

Related Posts