Destaques Linha 15

Testes se alongam e expansão do serviço na Linha 15-Prata já não tem prazo claro

Expectativa era de que operação do novo trecho inaugurado em abril ocorresse durante setembro, assim como abertura da estação Jardim Planalto
Monotrilho da Linha 15: atrasos sem fim (Guilherme Lara Campos/ A2 Fotografia)

Este site já havia alertado para a complexidade de colocar em funcionamento uma linha férrea tão peculiar quanto a Linha 15-Prata do Metrô. “Empurrada” por gestões anteriores, o monotrilho da Zona Leste teve um desenvolvimento cheio de percalços causados por falta de planejamento e gestão aliados ao fato de ser um modal completamente novo no Brasil.

O resultado é que quatro anos depois de ter sido inaugurado o primeiro trecho, o ramal ainda funciona de forma precária. Se a ligação entre as duas primeiras estações Vila Prudente e Oratório já ocorre em período integral desde outubro de 2016 apenas 11 mil pessoas circulam por elas diariamente durante a semana, um “grão num universo” de 2,8 milhões de passageiros que utilizaram em julho as cinco linhas sob administração do Metrô (em agosto a Linha 5 foi repassada para a ViaMobilidade). Outras 2,5 mil utilizaram o trecho em operação assistida que compreende quatro novas estações, muito pouco perto do potencial da linha, de 400 mil passageiros/dia quando estiver pronta na atual fase.

Abertas às pressas em abril, as estações São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União deveriam ter sido as transformadoras do minúsculo ramal numa linha significativa para o Metrô, porém, desde então houve apenas uma ampliação de horário sem que com isso a oferta tivesse crescido a contento, limitada pelo sistema de sinalização CBTC. Responsável por ele, a Bombardier realiza seguidos testes, fechando a linha aos fins de semana quase que de forma ininterrupta como no próximo sábado e domingo. Mas nada acontece.

Quer dizer, até aconteceu em agosto quando uma ordem interna havia autorizado a divulgação da expansão do funcionamento. O suposto mal-entendido, no entanto, não tinha fundo verdadeiro afinal a linha não estava pronta para operar naquela magnitude. Mas o horizonte de ampliação do serviço realmente não está distante.

Já há algumas semanas o Metrô e a Bombardier realizam testes cada vez maiores já em preparação para suportar a enorme demanda da região, carente de transporte público de qualidade. Havia a expectativa de ampliar a operação em etapas durante setembro até que a versão definitiva do software de controle dos trens fosse entregue, mas o que se vê, pelo anúncio dos novos testes, é que ele ainda não está maduro para funcionar para valer. Por essa razão, o Metrô já não estipula prazos para ampliar o serviço, como em nota enviada para o jornal Folha de São Paulo.

Se não bastasse isso, o trecho em obras, composto das estações Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus, está num ritmo de trabalho lento, afetado pelas dificuldades financeiras da empresa responsável pelo acabamento e finalização, a Azevedo & Travassos. Assim como na operação, o Metrô apenas diz que pretende abri-las neste ano. Uma notícia que certamente afeta o humor de muita gente que sonha um dia em ganhar tempo e qualidade de vida com a expansão da Linha 15.

Veja também: Terceira fase da Linha 15 contará com apenas uma estação

 

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

3 Comentários

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  • Uma coisa pode acontecer:

    Qdo entregarem as Estações Jardim Planalto e as demais até São Mateus, pode anotar aí: O risco delas ficarem em operação assistida por pelo menos 6 longos meses após sua inauguração é bem alta.

    E eu nem vou estranhar se isso vier a acontecer, vide os exaustivos protocolos de testes do CBTC na extensão da linha 2 até V.Prudente, o primeiro trecho do monotrilho que ficou 1 ano em testes, a linha 4, entre outras.

  • Vai ser ótimo daqui uns 2 anos – 2020
    A cara de SP
    Sistemas ineficientes
    Operações fracassadas
    Promessas não cumpridas
    É como sempre meu avô falava, não conte com serviço público – nunca vai funcionar.
    Obs.: só quero saber se a fundação / Pilar / viga foi calculada para receber tamanho vibração…. vamos ver quem o CREIA vai atrás.
    Boa sorte linha prata

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