Durante a entrega do último trem da Série 9500 para a Linha 7-Rubi nesta quinta-feira (27), o secretário dos Transportes Metropolitanos Alexandre Baldy surpreendeu ao afirmar que as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô podem entrar na pauta de concessões do governo do estado caso o Sindicato dos Metroviários insista em promover greves com caráter político.

Segundo Baldy, hoje esse estudo de privatização não existe, mas pode ser revisto se as paralisações continuarem a ocorrer. “O Metrô é uma empresa que precisa se reestruturar e se modernizar, assim como a CPTM está fazendo, e é inadmissível que haja uma paralisação sem uma reinvidicação, sem uma pauta”, afirmou o secretário aos jornalistas presentes. A categoria decidiu participar da greve geral convocada por centrais sindicais para protestar contra a reforma da Previdência no dia 14 de junho. Os funcionários das concessionárias ViaQuatro e Via Mobilidade assim como os  da CPTM não aderiram ao movimento.

“Um metroviário ganha em média R$ 9.500 de salário com benefícios que são o sonho de muitos trabalhadores”, disse. “Caso o sindicato continue com uma reinvidicação absolutamente política e buscando a paralisação é claro que o governo pode começar a pensar em conceder as linhas que são operadas de forma competente pelo Metrô”, ameaçou o secretário.

Baldy fez menção às movimentações que o sindicato fez nos últimos dias e que podem levar a uma nova paralisação dos serviços. A entidade aproveitou as graves falhas na Linha 5-Lilás nesta semana para culpar a privatização como causa dos problemas. “A sociedade não pode ser prejudicada. O governo pensa primeiro na população, e se por ventura outras paralisações sem fins da própria categoria, por que não há reinvidicação perante ao governo e ao próprio Metrô, fica o alerta”, reforçou.

A postura mais dura do secretário contrasta com as gestões anteriores que tentaram contornar os conflitos com o sindicato. Embora demissões tenham sido feitas por ocasião de greves, os funcionários acabaram em alguns casos sendo readmitidos por meio da Justiça. A mudança de relação, no entanto, deve provocar manifestações da categoria cujo resultado não é claro.

Greve no dia 14 de junho paralisou parcialmente as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha (foto) (GESP)

Concessões

Na mesma linhas que a gestão Alckmin, também o governo Doria tem buscado a iniciativa privada como solução para ampliar e operar as linhas de metrô e trens metropolitanos. Projetos iniciados pelo antecessor como a concessão das linhas 8 e 9 da CPTM em conjunto, além da Linha 15-Prata estão sendo levados à frente. Também a Linha 7-Rubi deverá entrar no pacote do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas/Americana.

Caso isso de fato ocorra nos próximos anos, restariam apenas as três linhas mais antigas do Metrô e as linhas 10, 11, 12 e 13 na CPTM. Nas novas linhas cotadas para serem lançadas pelo governo, como a 19-Celeste e 20-Rosa, o discurso é de repassá-las à inciativa privada assim como deveria ter acontecido com as linhas 6 e 18, que hoje estão paralisadas.

Com informações do Diário da CPTM.

 

 

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