De um passado de lentidão e restrições de deslocamentos para um cenário de intervalos baixos, viagens mais velozes e mais opções de destino. É basicamente essa a previsão dada por Paulo Galli, secretário em exercício dos Transportes Metropolitanos, durante conferência na 26ª Semana de Tecnologia Metroferroviária realizada na semana passada em São Paulo, para tornar o eixo de ramais da região central capaz de oferecer mais viagens e linhas no eixo que vai do Brás à Barra Funda, uma espécie de “super linha”.

Ao explicar as ações da pasta, Galli destacou a previsão de investimento de mais de R$ 400 milhões oriundos do BNDES, o Banco de Desenvolvimento Nacional, na modernização das vias das linhas 12 e 11 na região central da capital paulista. Segundo o executivo, que assumiu o lugar de Alexandre Baldy interinamente enquanto este está licenciado, tratam-se de vários projetos tocados hoje pela CPTM que deverão permitir que mais trens circulem entre Barra Funda e Engenheiro Goulart.

“Vamos fazer uma série de investimentos com recursos do BNDES na parte central da cidade. É um conjunto de contratos e investimentos que permitirá uma melhor sinalização, melhor viário, melhor energia para que a gente possa ter novos serviços sendo alocados. Vamos tirar um pouco do estrangulamento que nós temos na área central da cidade de São Paulo. Esse investimento que o Pedro (Moro, presidente da CPTM) e a equipe conseguiram junto ao BNDEs, será mais de R$ 400 milhões que serão investidos nesse conjunto de obras”, afirmou.

A informação já havia sido antecipada por Baldy em julho, mas sem trazer grandes detalhes. A companhia já tem um contrato recentemente assinado para reduzir o intervalo mínimo entre os trens na Linha 12-Safira para três minutos, ou praticamente metade do atual headway.

Segundo Galli, “esses investimentos serão feitos pela Linha 13 mas eles irão melhorar também a Linha 11, a Linha 10, a Linha 7 e também a Linha 12”. A ideia é que com um sistema mais robusto e capaz seja possível oferecer mais viagens intercaladas de várias linhas, por exemplo, algo que é comum em metrôs mundo afora.

O secretário vai mais longe e prevê que os quatro ramais que ficarão sob a responsabilidade da CPTM (as linhas 10, 11, 12 e 13) poderão ser estendidos até mais do que se pensava. “É o que vai permitir trazer a Linha 11 até a Barra Funda, a Linha 10 poderá chegar até a Luz e talvez Barra Funda. São contratos que a gente deve concluir até o final de 2022”, imagina.

O governo deve investir mais de R$ 400 milhões para levar a Linha 13 até Barra Funda (CPTM)

Muitos projetos, poucas realizações

O eixo de vias da CPTM entre a Lapa e Tatuapé corta regiões bastante adensadas e com atividade econômica elevada e por isso naturalmente deveria apresentar uma infraestrutura ferroviária maior, com várias estações e fluxo de trens com baixo intervalo. Mas o que se vê há anos é justamente o contrário. Por conta de restrições de vias, sinalização precária e poucas e ultrapassadas estações os trens circulam em baixa velocidade e as baldeações são complicadas.

Há vários anos, o governo do estado promete soluções para esse eixo como o projeto “Nova Luz”, a integração das estações Lapa e a construção de novas paradas como Bom Retiro. Mas praticamente nada saiu do papel.

Os detalhes do projeto da CPTM, no entanto, permanecem desconhecidos como qual será o desenho da malha da empresa e das linhas 7 e 8 concedidas quando essa nova concepção for implantada. Dentro desse escopo também está a segregação das vias de carga na região central, a cargo da MRS, que deverá realizar a obra como contrapartida para a renovação da sua concessão.

Galli se mostrou otimista, no entanto, que a situação dos passageiros que utilizam a CPTM nessa região será sensivelmente melhor até o final da atual gestão em 2022.