Entenda como a CPTM pretende levar as linhas 11 e 13 até a estação Barra Funda

O serviço, que chegou a operar nos anos 90, voltará dentro de alguns anos, juntamente com a Linha Jade, propiciando ao passageiro mais opções de deslocamento
Trens da Linha 11 deverão atingir a Estação Barra Funda nos próximos anos (Roberto Andrade)

A expansão da Linha 11-Coral para a estação Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, representa não só um esforço para melhorar a qualidade de vida dos milhares de passageiros que dela se beneficiam todos os dias, mas o cumprimento de uma importante premissa: garantir ao cidadão uma melhor maneira de se deslocar entre os principais pontos da cidade.

Essa será a segunda tentativa de viabilizar o serviço até Barra Funda. A primeira viagem ocorreu no dia 27 de setembro de 1994, ano em que a CPTM assumiu oficialmente a administração da sua antecessora, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Apesar das vantagens em promover viagens no novo trem expresso (que na realidade era parador), a recepção não foi das melhores para o usuário. Reclamações de lentidão, atrasos e defeitos técnicos eram comuns, o que fez a CPTM abrir mão do projeto para se dedicar ao Expresso Leste, serviço que funciona até os dias de hoje.

A realidade atual, diferente daquela enfrentada há 27 anos, é muito melhor. A CPTM evoluiu sua estrutura técnica e operacional está mais preparada para dar o próximo grande salto. De quebra, o serviço também incluirá a Linha 13-Jade, caçula da companhia e que foi aberta em 2018.

As obras

Para quem usa o trecho entre Luz e Barra Funda diariamente talvez se questione quais as dificuldades existentes em simplesmente levar o trem até a estação localizada na Zona Oeste, afinal as vias já estão lá. A realidade é que, apesar de existir uma estrutura física ligando esses dois pontos, a mesma precisará passar por adequações no intuito de tornar o trecho plenamente operacional. Em geral, podemos dividir as intervenções em quatro grandes blocos.

Rede Aérea

Em resumo, a rede aérea (RA) consiste dos cabos condutores que alimentam diretamente os trens com energia elétrica e da estrutura de sustentação e tensionamento mecânico. Deverá ser realizada a instalação de um novo sistema de RA que será auto tensionada com dois cabos mensageiros de cobre eletrolítico (253 mm²) e dois fios de contato de cobre ranhurado (107 mm²). Todas as estruturas deverão respeitar o gabarito dinâmico dos trens.

Rede Aérea usada na Linha 13 – Jade (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Sinalização

No que se refere ao Sistema de Controle de Tráfego (SCT), deverá ser implantado um novo sistema de controle e sinalização no domínio da Estação Barra Funda para que os trens possam ser devidamente rastreados e sinalizados. Vale lembrar que haverá modificações no plano de vias entre Luz e Barra Funda. Nada foi dito acerca do CBTC até o novo terminal, mas há de se concordar que o ideal seria que o sistema de sinalização proposto exclusivamente para a Linha 11-Coral seja contemplado no projeto de expansão. O edital da licitação ainda menciona que a Linha 7-Rubi deixará de atender o trecho até o Brás, confirmando a supressão dos atendimentos da Linha 7, limitando-se a atuar até o terminal Barra Funda.

Energia de tração

Energia de tração é um ponto sensível uma vez que ela pode se tornar um fator limitante para a quantidade de trens que rodam nas linhas. De nada adianta um sistema de sinalização moderno, capaz de propiciar baixos intervalos, se o sistema de energia não estiver devidamente dimensionado. A CPTM tem feito investimentos vultuosos para a ampliação da capacidade energética da Linha 11-Coral e esses investimentos também serão também feitos na ampliação até Barra Funda. Uma nova subestação será construída para dar suporte ao atendimento. A Subestação Memorial da América Latina (SE MAL) deverá ter entrada de energia em 138/88kVca, que será rebaixada aos seguintes níveis: 34,5kVca para linha de distribuição; 13,8kVca para o sistema de sinalização e 3kVcc para a Rede Aérea de tração.

Via permanente

A Via permanente consiste de infraestrutura e superestrutura necessárias para que os trens possam circular com segurança. Como mencionado anteriormente, a CPTM realizará modificações no plano de vias, ou seja, a disposição dos trilhos, aparelhos de mudança de via, entre outros componentes que serão modificados para melhor se adequar ao projeto de extensão das linhas até Barra Funda. A revitalização a ser realizada contemplará a demolição (desmontagem) e reconstrução de 7 km de via em linha singela que será dotada de dormentes de concreto, melhorias no sistema de drenagem e banco de dutos. As vias da Linha 7-Rubi também deverão passar por reformas. O investimento se faz necessário para propiciar as melhores condições possíveis ao tráfego de trens além de solucionar possíveis problemas, uma vez que as vias em questão são subutilizadas e necessitam de reparos.

A Via Permanente deverá passar por grandes melhorias (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Prazos e custos

As empresas interessadas deverão entregar as propostas na sessção pública do dia 26 de fevereiro. O contrato terá prazo de 36 meses (3 anos) para ser concluído. Caso o contrato seja assinado em março de 2021, o prazo para entrega será até o ano de 2024, que coincide com o ano para a finalização da implantação do CBTC.  O orçamento das intervenções está estimado em R$ 156 milhões, divididos na da seguinte forma:

Um retorno mais digno

Será por meio dessa série de investimentos que a CPTM pretende viabilizar a extensão de sua principal linha até o Terminal Intermodal da Barra Funda. Diferentemente da primeira tentativa na década de 90, agora a CPTM possui a real capacidade para concretizar essa ligação que beneficiará de forma consistente milhares de passageiros que usam a linha todos os dias. Cabe lembrar que uma das metas é promover um atendimento pela Linha 11-Coral com headway (intervalo entre trens) de até 3 minutos em dois loopings: Barra Funda – Suzano e Barra Funda – Estudantes.

Trens da Linha 11 – Coral deverão chegar até Barra Funda em meados de 2024 (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)
Total
39
Shares
6 comments
  1. Eu ontem cheguei a sugerir ao secretário Silvani algo mais abrangente. Houve numa época ao qual não sei ao certo uma proposta de haver uma linha-3 estendida, que ligasse a Lapa (Lapa, Água Branca, Barra Funda…) até Guaianases (…Itaquera, Dom Bosco, José Bonifácio, Guaianases). Porém, devido à superlotação da linha 3, foi totalmente descartada essa expansão. Mesmo com as estações do eixo oeste projetadas originalmente para o Metrô.
    Como agora há a tendência de uma sinergia entre a CPTM e o Metrô, poderiam fazer como é feito em outras grandes cidades. Ou a abertura de estações anexas às já existentes, ou talvez o compartilhamento das vias. Não sei como isso funcionaria de maneira técnica operacional. Mas ajudaria a diminuir a lotação na zona leste.
    Se existirem duas linhas paralelas para uma quantidade grande de pessoas, com alguns trajetos diferentes, e eu falo da linha 3-Vermelha e da linha 11-Coral, isso com certeza melhora a qualidade de vida dos passageiros que se utilizam do transporte público, e, devido a um número maior de conexões entre estações, aumentaria a oferta e diminuiria a demanda por um único modal.

    1. não sei se entendi direito, mas rodar trem e metrô na mesma via é praticamente impossivel por motivos obvios. a nao ser que coloque locomotivas para rebocar os carros do metrô.
      o que poderia ser feito, é uma pequena extensao da linha 3 até agua branca, onde futuramente terá a linha 6 . é um trecho pequeno, mas que aumentaria e melhoraria a questao das integraçoes entre as linhas metroferroviarias

      1. And, não se trata de de rodar trem e metrô em uma mesma linha.

        Para que o ramal da linha 13-Jade chegue até Barra Funda ela tera que fazer no mínimo duas conexões em “Y”, a 1ª em engº Goulart interpenetrando na Linha 12-Safira e a 2ª antes do Brás onde se interpenetraria na saturadíssima Linha 11-Coral, mesmo que tenha o CBTC-Controle de Trens Baseado em Comunicação que exigira um grande esforço operacional, e em caso de pane em uma comprometera as outras.

        Causa espanto os gestores cancelarem e reafirmarem que o plano de estender o ramal da Linha 13-Jade com mais quatro estações até a região de Bonsucesso, onde seria também construído um pátio e oficina de manutenção e aguardaria a chedada da Linha 2-Verde “Não está mais no escopo da gestão Dória“. Ou seja, assim como aconteceu com a Linha 18-Bronze entre outras, novamente o planejamento técnico está sendo desprezado para serem tomadas medidas adaptadas sem fundamentos técnicos plausíveis, visto que a Linha-13 não previa em seu projeto original seguir até Barra Funda. Embora seja uma alternativa aceitável até Brás diante dos altos intervalos da Linha 12, levar o ramal até Barra Funda significa contrariar as leis da Física com a impossibilidade de se disputar espaço ao mesmo tempo com a linha 11-Coral, sem a retirada dos trens de carga e uma ampliação, construção e reforma de novas estações no trecho saturadíssimo entre as estações Brás e Lapa, que é o que possui a maior capacidade de se eliminar e redistribuir as múltiplas baldeações desnecessárias e desconfortáveis, e preparar para os futuros quatro Trens intercidades que hoje não existe espaço para recebe-los, se é que um dia eles irão voltar!

Comments are closed.

Previous Post

Vídeo de dezembro do Metrô mostra estação Vila Sônia quase pronta

Next Post

Metrô contrata empresa para ampliar estação Vila Prudente da Linha 2-Verde

Related Posts