Estação Varginha, da Linha 9-Esmeralda, continua a mostrar pouco avanço nas obras
Vídeo recente com imagens aéreas da futura estação terminal do ramal da CPTM revela canteiros quase vazios mesmo após vários anúncios de retomada
Quem acompanha os perfis em redes sociais da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, Metrô, CPTM e sobretudo de seus executivos certamente notou a grande frequência de atualizações sobre o avanço das obras e de projetos que são postados praticamente todos os dias. Trata-se de uma iniciativa que deve ser valorizada, não há dúvida, porém precisa ser estendida também para o que não está evoluindo como planejado.
A eterna promessa de que os trens da Frota F da Linha 5-Lilás voltarão ao serviço é um desses assuntos que não entram na pauta dessas postagens. Ou as obras na estação Varginha, parte da extensão da Linha 9-Esmeralda em direção ao extremo sul. Ao contrário de Mendes-Vila Natal, que avança firmemente para ser concluída no final deste ano, Varginha teima em não sair do papel.
Nesta semana, a STM até postou algumas imagens de funcionários da empresa contratada levantando uma parede e concretando uma escada, mas o cenário do canteiro de obras é desolador. As estruturas da estação, pichadas por meses de abandono, continuam praticamente da mesma forma, mesmo após sucessivos anúncios de retomada dos trabalhos.
O cenário fica mais claro graças a um vídeo com imagens aéreas de um drone realizadas semanas atrás e postado no Youtube que mostra o estado real das obras. Nele é possível notar alguma movimentação de terra, três máquinas e uma modesta construção em madeira que deve servir aos funcionários da construção. Nada que lembre a mobilização necessária a uma obra dessa envergadura e que inclui também um terminal de ônibus anexado.

O vídeo revela que os trabalhos de fato estão ocorrendo nas vias que ligarão Varginha à Mendes-Vila Natal. Nesse trecho de 1,6 km já se notam a construção de estruturas que comportarão o cabeamento da linha. A via está praticamente desempedida, com exceção de um pequeno viaduto que foi deixado incompleto pelo consórcio que havia iniciado a obra anteriormente. No geral, o descompasso com o primeiro lote, que vai de Mendes à Grajaú, é gritante. Nesse trecho já até a rede aérea sendo instalada, assim como trilhos – sem falar na própria estação.
Promessas de retomada
A lentidão com que Varginha vem sendo tocada preocupa. As obras de extensão da CPTM dependem de recursos federais e foram atrasos nesses repasses que teriam impedido que a estação fosse retomada. Ao que parece, esse dinheiro não está chegando como deveria. Dos quase R$ 1 bilhão que custará o trecho, pouco mais da metade sairá dos cofres da União.
Em janeiro, quando a gestão Doria anunciou pela segunda vez a retomada da obra, os trabalhos já estavam parados desde maio do ano passado. Na ocasião, o governador comemorava o recebimento de R$ 87 milhões para destravar os trabalhos em Varginha, mas passados quatro meses pouca coisa mudou.
Prevista apenas para 2022, a estação Varginha deverá atrair uma demanda de mais de 50 mil passageiros que hoje precisam usar ônibus para chegar até a estação Grajaú. Espera-se que essa promessa não fique pelo caminho novamente.




