Vale o conselho aos moradores do entorno da Linha 15-Prata (e futuramente da Linha 17-Ouro): trens de monotrilho podem ser usados para rebocar outros trens que estão com algum problema técnico. Trata-se de um recurso genial que dispensa o uso de veículos especializados nessa função e que possibilita retirar uma composição com alguma falha com mais agilidade da via.

Foi o que ocorreu nesta semana quando um trem da Linha 15 teve uma falha e foi rebocado por outro monotrilho. No entanto, a cena rara logo viralizou nas redes sociais com a rápida e errônea conclusão que os dois trens haviam colidido. Nada mais falso.

Contribuiu para essa impressão o lamentável incidente ocorrido em janeiro de 2019 na estação Jardim Planalto quando uma falha possibilitou que dois trens se chocassem. O episódio gerou acusações do Sindicato dos Metroviários, ferrenho crítico do modal, que apontou falha na sinalização, e do Metrô, que na época considerou o choque como falha humana.

Seja lá quem está com razão, é fato que o problema não foi causado pelo monotrilho em si. Colisões de trens infelizmente ocorrem, mas por falhas em sinalização ou causadas por intervenção humana (ou ambas) e afetam de monotrilhos a metrôs convencionais e trens de alta velocidade.

Trens do monotrilho são conectados por um mecanismo no “nariz” da composição

Muitas vezes, composições com problemas no Metrô acabam sendo rebocadas sem chamar tanta atenção já que as vias em geral são subterrâneas ou mais protegidas por muros e barreiras. Não é o caso do monotrilho que, por suas características, acaba ficando mais exposto ao público. Por isso, não será novidade se a cena presenciada dias atrás ocorrer mais vezes, sem no entanto colocar em risco nenhum passageiro.

Desempenho aprimorado

Após meses de investigações e correções bancadas no sistema runflat pela Bombardier, fabricante do monotrilho, a Linha 15-Prata voltou a operar em junho. Desde então, o serviço tem se mostrado mais confiável e regular, segundo dados do Metrô. A velocidade média tem sido de 33 km/h, a mesma da Linha 1-Azul, por exemplo, com picos de 83 km/h em alguns trechos.

Já o intervalo está sendo reduzido gradualmente: se foi de 4 minutos e 47 segundos em agosto (média), atingiu 4 minutos e 16 segundos no mês passado. O ramal, no entanto, ainda está longe do patamar de passageiros transportados atingido no início do ano, antes do incidente que paralisou a operação. Em outubro, passaram diariamente pela Linha 15 cerca de 64 mil usuários contra 116 mil em fevereiro, recorde até hoje.

Veículo de reboque do monotrilho da Disney: operação mais demorada ( Wastemanagementdude/CC)