Tarcísio Freitas promete obras do People Mover em 2022 e entrega no final de 2023

Ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro prevê que obras terão início em janeiro do ano que vem, com duração de 24 meses. ANAC propôs aditivo em que projeto terá um teto a ser gasto pela GRU Airport, não importando o fornecedor
Projeto de People Mover da AeroGRU

Prometido pelo governador João Doria para março deste ano, o People Mover que ligará o Aeroporto de Guarulhos à Linha 13-Jade da CPTM deverá ficar pronto apenas no final de 2023.

A informação foi revelada pelo Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, ao site Poder 360 nesta quarta-feira, 18. Ele também previu que as obras terão início em janeiro de 2022 e durarão 24 meses.

Tarcísio disse ainda que o projeto custará R$ 145 milhões, que serão retirados da outorga paga pela concessionária GRU Airport, que administra o aeroporto.

Em julho, a diretoria da ANAC decidiu redigir uma nova minuta do aditivo que prevê a destinação no contrato de concessão do Aeroporto de Guarulhos.

Alegando que as partes envolvidas (várias instâncias do governo federal e a GRU Airport) já tinham esgotado as negociações, a agência de aviação civil decidiu estabelecer uma alteração focada na “precificação” do projeto, ou seja, criando um teto para investimento e operação do People Mover.

Com isso, a ANAC pretende evitar as discussões a cerca da escolha do fornecedor e as responsabilidade inerentes ao projeto. Caberá à GRU Airport decidir que empresa ou consórcio fará a implantação e, caso o valor extrapole o teto, os custos extras serão assumidos por ela.

Trecho do aditivo proposto pela ANAC para incluir o People Mover no contrato da GRU Airport

Segundo a minuta, a GRU terá acesso a um valor de R$ 376 milhões para implantar o projeto e mais um desconto mensal de R$ 1,243 milhão na outorga a partir da conclusão das obras e que servirão para custear sua operação.

No entendimento da ANAC, “embora tenha realizado processo concorrencial para a determinação dos valores e da forma de desenvolvimento do projeto, trata-se, em última instância, de contratação privada“.

Por outro lado, a construção proposta pela SRA para possibilitar o aproveitamento dos atos praticados aproximou o processo concorrencial de um procedimento destinado à precificação do investimento, estabelecendo, desse modo, um teto para a aplicação de recursos do FNAC neste projeto“, diz o relatório do diretor Tiago Pereira.

Ele então explicou que a aceitação dos termos pela GRU significa que ela tem ciência de que o reequilíbrio financeiro do contrato está limitado ao valor máximo proposto, mas que, por outro lado, terá a “a prerrogativa de contratar o proponente que entender reunir as melhores condições para execução do investimento, haja vista que quaisquer obrigações veiculadas pelo aditivo recaem exclusivamente sobre si“.

Pereira ainda enfatizou o fato de que a GRU Airport deve ter em mente esses aspectos ao decidir aceitar ou não o aditivo proposto, cujo projeto “ficará sob sua inteira responsabilidade“.

Em documento enviado ao governo, GRU Airport fez várias objeções ao Aeromovel

Carroceria de ônibus no People Mover

Resta saber, no entanto, se a concessionária assumirá esse risco no contrato já que não há, em tese, qualquer obrigação dela em implantar o sistema de transporte. Durante as discussões anteriores, a GRU tentou convencer o governo a aceitar a proposta do consórcio GRU Connecta, liderado pela austríaca Doppelmayr, bem mais cara que a da AeroGRU.

Mais tarde, em negociações com o grupo brasileiro, a concessionária levou à ANAC uma alternativa de implantação faseada, mas que não foi aceita pela agência.

Em um documento enviado pela GRU Airport em maio, ficam claras suas restrições em relação ao sistema Aerom (Aeromovel), desenvolvido pela empresa gaúcha (veja imagens).

Concessionária considerou temerária utilização de carroceria de ônibus como veículo do People Mover e relatou a falta de experiência das empresas do consórcio

A concessionária relata uma visita feita ao People Mover em funcionamento no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, que é operado pela Trensurb. Em forma de perguntas e respostas, o relatório aponta diversos aspectos considerados por ela negativos ou ausentes no sistema.

A GRU Airport considerou temerário que os veículos incluídos na proposta de Guarulhos sejam oriundos de um ônibus. “O material rodante ofertado pelo consórcio para implantação em GRU é um protótipo, nunca antes testado dinamicamente. Este veículo é baseado em uma carroceria de ônibus, não implantada em sistemas similares ao APM [Automated People Mover]”.

A minuta proposta pela ANAC ainda está sendo analisada por outras áreas do governo, a própria GRU Airport e o Tribunal de Contas da União (TCU) antes de ser ou não assinada.

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  1. AGORA SIM!

    Se tem uma coisa que ninguém pode falar mal do governo Bolsonaro, é do Ministro Tarcísio!

    O cara vai lá e faz, sempre. Se ele finalmente está envolvido, eu já fico tranquilo.

    Agora resta a GRU Airport escolher outro fabricante que não o brasileiro.

    1. Realmente o ministro Tracísio é um dos poucos que vale alguma coisa nesse governo, veja a ferrovia Norte-Sul que está sendo concluída depois de décadas de incompetência e corrupção. Também as ferrovias FIOL e FICO estão sendo construídas.

    2. O ministro Tarcísio prometeu em 2019 ampliar o metrô de Belo Horizonte com recursos federais de mais 1 bilhão de reais.
      Estamos em 2021 e nenhum centavo foi investido no metrô de Belo Horizonte. E nem será, dado que a ideia agora é conceder o metrô (se conseguirem encontrar interessados-algo que o governo federal tenta desde 1992 e nunca achou).

      O ministro Tarcísio prometeu em 2019 a retomada das obras da ferrovia Transnordestina e a conclusão do primeiro trecho Piauí – Ceará em 2021 e do trecho Piauí-Pernambuco em 2027.
      Estamos em 2021 e o trecho Piauí – Ceará continua com obras paradas e o trecho Piauí-Pernambuco foi cancelado.

      E ainda tem gente que acredita cegamente no “ministro Tarcísio”. Hahahaha

      1. Mais de 3 BILHÕES vão ser investidos no Metrô de BH e em seguida ele vai ser estadualizado já que não compete a União operar sistemas de metrô, depois disso a linha vai ser concedida. E se as coisas não saem do papel a culpa não é do ministro, ele é um ministro competente, uma das poucas indicações técnicas desse governo, e não é fácil trabalhar com o Bolsonaro não viu…

  2. Impressionante o amadorismo dessa empresa que pretensamente quer vender esse “aeromovel”.
    Observando o texto acima, somente um maluco (e existem muitos) para assumir os riscos em implantar o Projeto com o historico do “aeromovel”.

    1. Isso é só a concessionária querendo construir a opção mais cara, o aeromovel já foi usado como sistema de transporte em Canoas e inclusive é produto de exportação, se não fosse confiável a própria prefeitura de Canoas está reconstruindo esse sistema.

  3. Mais uma vez venho aqui comenta sobre a buRRocracia que o governo federal tem, se a concessionária e o aeroporto fossem responsabilidade do Governo do Estado nada disso estaria acontecendo, a linha 13 já teria conexão direta com o terminal 2 do aeroporto, já para o gov. fed. construir um simples sistema é uma dificuldade imensa, não sei se é tudo isso mesmo ou é algum tipo de “birra” com São Paulo

    1. O problema não é ser federal , estadual , municipal ou intergaláctico. O problema é a concessão. A infraero já tinha acordado e separado um espaço para a estação. Quando fizeram a concessão, a concessionária alegou que o espaço destinado a estação ela iria construir um shopping. E a estação foi construída do outro ado da rodovia. A verdade é q a concessionária não quer o povo indo de trem porque ganha muito com estacionamento.

      1. Negativo, se fosse responsabilidade do GESP o aeroporto, mesmo concedido já teríamos trens por lá. Isso é só uma questão de pressionar a concessionária, ninguém quer perder a concessão. Mas como o PT sempre achou o PSDB rival então isso nunca se concretou, a mesma coisa continua com Bolsonaro e Dória…

        1. Meu amigo, a estação não está dentro do aeroporto por causa da gru airport. Unica e exclusivamente por causa dela. A infraero já tinha disponibilizado o espaço, assim como fez no aeroporto de Congonhas pra linha 17. Se fosse picuinha política não teria em nenhuma hipótese. Houveram diversos financiamento do PAC e do BNDES para o sistema metrô-ferroviário em SP. O problema definitivamente não é esse, mas se aí vai de cada um acreditar no q bem entender

    2. Isso vem dos tempos da concessão do aeroporto. Na época o governo Federal e o governo do Estado estavam brigando para cada um passar seu trem pelo aeroporto, o PT com o trem bala e o PSDB com a linha Jade. O governo federal não conseguiu levar adiante o trem bala e também não quis colaborar com o trem “rival”, não incluindo nenhuma cláusula no contrato que garantisse a conexão sobre trilhos.

  4. O único problema que o aeromovel teve é o carro articulado construído pela extinga T’Trans que houve defeito no dispositivo de acoplamento entre os dois vagões, o sistema pneumático continua perfeito, sendo ventiladores usados em indústria, material de prateleira. Não é a atoa que o serviço não parou pois sempre usaram o vagão de carro único.

    E o relatório de meia tigela ainda se auto refuta com “veículo inoperante” e “material rodante operacional”.

    Acho engraçado a GRUAirport estar preocupada em um carro da Marcopolo Rail, sendo um sistema empurrado por uma vela, qualquer “bagulho” sob um truque ferroviário tradicional, preso a uma vela no sistema da Aeromovel anda.

    O aeromovel do Salgado Filho é cheio de curvas, numa bitola métrica, em rampa de 3%, deve balançar um pouco mesmo, mas a GRUAirport usa isso como argumento contrário. Risonho.

    GRUAirport quer é pagar mais (não sei se é para caixa 2), para um sistema da mesma empresa que foi colocado no morro do Alemão e que por um rompimento no cabo, está até hoje parado.

    O único erro que continuarei a dizer da Aerom(ovel), é que passaram muitos anos dando mole. A BYD construiu uma linha na própria fábrica, onde funciona todos os dias, e serve como vitrine da tecnologia, pra evitar exatamente esses argumentos desses “potenciais” e “bem intencionados” clientes.

  5. Conforme opinião recente já emitida neste blog pelo Ricardo Meier com as quais concordo totalmente, uma vez que existe este bloqueio contratual por conta de um contrato de concessão mal elaborado, para a extensão da Linha 13-Jade sem baldeação para os vários terminais da GRU Airport que comprovadamente seria tecnicamente a solução correta a exemplo que já ocorre atualmente no Terminal Tietê da Linha-1 Azul, entendo ser a melhor alternativa se manter os atuais ônibus circulares, uma vez que com as alternativas propostas se ira manter as mesmas baldeações desnecessárias e nem aumentara a demanda desta linha e sim a expansão até Guarulhos, uma das clausulas de negociação para renovação deste contrato no futuro seria a eliminação deste inconveniente e desconfortável transbordo desnecessário com a linha Linha-13 Jade chegando até os terminais.

  6. People mover de Guarulhos atravessou pelo menos 3 presidentes e nada. Enquanto isto, o estado fez a parte mais difícil, que foi a construção da linha até o aeroporto. Governos petistas e o governo do bozo são nota zero em mobilidade, já que não investiram ou investem em mobilidade no país. Uma verdadeira piada. Enquanto isto, o estado de São Paulo aumenta sua malha metroferroviária com qualidade, sem investimentos federais.

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