ANTT aprova renovação antecipada da concessão da MRS, necessária para o Trem Intercidades

Concessionária de carga será responsável por parte das obras de segregação das vias entre Jundiaí e São Paulo, necessárias para viabilizar o TIC Eixo Norte
Modelo de trem regional da CRRC

Mais um passo do longo caminho para viabilizar a implantação do Trem Intercidades Eixo Norte, entre São Paulo e Campinas. Trata-se da renovação antecipada da concessão de cargas junto à MRS Logística.

A concessionária de carga, que é responsável por quase 1.700 km de trilhos na região Sudeste, propôs a segregação das vias entre Jundiaí e a capital paulista como parte das obras para abrir caminho para o trem regional do governo do estado.

Para que isso ocorra, no entanto, é preciso que a renovação antecipada do contrato junto ao governo federal seja aprovada. A MRS assumiu esse trecho em 1996 e deveria ficar à frente dele até 2026. Com a antecipação da renovação, a empresa deve continuar responsável pela concessão até 2056.

Como contrapartida, a MRS investirá cerca de R$ 16 bilhões na modernização e ampliação da malha, entre eles a construção de um túnel na região de Botojuru e a segregação também do trecho entre o centro de São Paulo e a Baixada Santista e que servirá para um eventual TIC para Santos.

O projeto de renovação estava em audiência pública desde 2019 e foi aprovado nesta semana pela ANTT, a Agência Nacional de Transportes Terrestres. Agora, a proposta será submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU), que se for aceita, terá sequência com o parecer técnico-jurídico e por fim a assinatura do termo aditivo.

No entanto, o processo tem sofrido seguidos atrasos. Antes a conclusão do projeto era prevista para o fim deste ano, mas agora o governo federal estima assinar o novo contrato apenas no segundo trimestre de 2022.

Trem de carga da MRS em estação da CPTM (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Projeto do TIC Eixo Norte pode ficar para a próxima gestão

Apesar das previsões otimistas do governo Doria, o projeto do TIC Eixo Norte está cada vez mais perto de ser decidido pela próxima gestão, que assumirá o mandato em janeiro de 2023. Isso porque, além do atraso na renovação da MRS, cuja participação é fundamental para tirar o trem regional do papel, a própria concessão do estado está numa etapa ainda preliminar.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos concluiu a consulta pública ao edital de concessão apenas nesta semana e agora precisa promover sondagens no mercado a fim de colher mais informações que ajudem a adequar o projeto à concorrência pública.

Durante a audiência pública realizada em agosto, o governo estimava publicar o edital em dezembro, porém, o curto tempo para formatar a modelagem do projeto leva a crer que isso só ocorrerá no início de 2022. A etapa de divulgação do edital até a realização do leilão deve durar quatro meses, a princípio, mas a indefinição quanto à renovação da MRS pode postergar todo o processo, que então se aproximaria do fim do mandato atual.

O governo do estado espera que o Trem Intercidades entre em operação apenas em 2029.

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  1. Resumindo…
    NÃO sairá do papel este trem regional!
    A linha de carga sim, por se tratar de um empresa privada encabeçada de realizar as obras, á exemplo da segregação leste entre Manoel Feio e Suzano, a MRS fará em pouco tempo comparado com as obras do governo.

    1. Me empresta a bola de cristal? Tambem quero prever o futuro.

      Todos aqui conhecem o caso da linha 6 Laranja, cujas obras começaram em 2015 e em 2021 ja teria um trecho funcionando. As obras estão longe da metade ainda. Ter a iniciativa privada construindo nao significa absolutamente nada… pode dar certo ou não. Afirmar algo agora é puxo achismo.

    2. Esse assunto parece ano bissexto, aparece de 4 em 4 anos, sempre próximo das eleições. E não há interesse por parte do PSDB, pois tiraria “clientes” da Anhanguera/Bandeirantes, que é gerido por eles.

  2. É muita burocracia, desde que surgiu o projeto do antigo trem regional Expresso Bandeirante e no final dos anos 90, nunca nenhum projeto dessa envergadura saiu do papel por causa dessas travas burocráticas insuportáveis! Agora, algo assim sair só em 2029 e olhe lá, nem sei se estarei vivo para ver isso, pois nem de estar amanhã dá para saber, imaginem em 2029, data muito distante!

  3. Eu viajei muito de trem de SP a Campinas (e alem). Meus filhos nunca. Meus netos talvez consigam. Mas demorar 30 anos para se conseguir chegar 44 km além de Jundiaí? No século 19 conseguiram em 4 anos a partir do zero…

  4. Bom dia. Eu acompanho os trens de passageiros do EUA e a maioria dá prejuízos infelizmente. Se não der lucro não vai ter mesmo. Meu filho morou na Europa e só viajava de avião pq é barato, trem lá é muito caro tb. Mas gostaria que voltassem esses trens por todo o país. Parabéns pela matéria.

    1. Verdade inconveniente que não quer ouvir ou saber. Trem de alta velocidade se justifica em país rico, com densidade populacional alta e com a capacidade dos outros modais esgotados. Para não esquecer do aspecto cultural também.

    2. trens de passageiros enquanto negócios não são lucrativos em nenhum lugar do mundo. sua função é social, não empresarial.

      no entanto os ganhos para a sociedade são enormes.

  5. Esses malditos políticos e grupos q não deixam o país ir p frente,, projetosq geram empregos diversos em vários níveis de cargos como no caso das ferrovias cargas/passageiros isso deveria ser prioridade 1 não ter burrocracias,tendo emprego significa roda da economia das cidades estados país,se fossem p eles ter dinheiro na cueca esse projeto e tantos outros já estaria em pleno vapor.

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