CPTM rescinde contrato de manutenção de trens da Série 3000 com a Alstom

O contrato assinado no ano de 2018 foi rompido de forma amigável entre as empresas. A estatal agora será responsável pelos cuidados dos 5 trens que compõe a frota e têm destino incerto
Composições da Série 3000 no Pátio Luz (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

A manutenção na ferrovia é um dos temas mais relevantes nas empresas operadoras. Na CPTM, a manutenção dos trens é feita de forma periódica com base nas distâncias que os trens percorrem ao longo do tempo. Quanto mais um trem roda, mais complexa deverá ser sua manutenção, o que faz com que, em determinado ponto, os reparos se tornem verdadeiras revisões de grande complexidade.

A CPTM, em alguns casos, terceiriza esse tipo de serviço, repassando as atribuições da manutenção para outras empresas, enquanto o serviço da estatal fica restrito apenas na fiscalização da atuação da contratada. É o caso dos trens da Série 3000 que estavam com um contrato de manutenção em curso mas que foi rescindido, fazendo com que o ambicioso plano de revisão geral fosse adiado.

Histórico

Os trens, fabricados pela alemã Siemens, começaram a operar na CPTM no ano de 2001 na antiga Linha C, atual 9-Esmeralda. Eles traziam algumas características que passaram a ser utilizadas em futuras encomendas da empresa como a construção em aço inoxidável, o ar-condicionado e a taxa de aceleração de 0,9 m/s, mas são um pouco menores que os modelos da CAF, por exemplo.

Originalmente, as composições trafegavam em comboios menores, de apenas 4 carros (vagões). Conforme as necessidades da CPTM ao longo dos anos, os trens foram remanejados para outras linhas como a 8-Diamante, 7-Rubi e a 10-Turquesa, atuando principalmente no serviço Expresso Linha 10 entre as estações de Tamanduateí e Santo André.

Composição da Série 3000 em seus primeiros anos de serviço (GESP)

A licitação para os serviços de manutenção foi aberta em maio de 2018 e contou com a participação de empresas como Alstom e CAF, duas gigantes do setor ferroviário. O consórcio TMTTRENS 3000 foi o terceiro proponente, porém, foi inabilitada segundo as regras do certame. O contrato foi de fato homologado em novembro de 2018, e possuía a duração de 48 meses e valor de aproximadamente R$ 103 milhões.

Os principais serviços que deveriam ser executados pela Alstom eram:

  • Manutenções preventivas e corretivas
  • Revisão geral e modernização dos sistemas
  • Restabelecimento operacional de trens
  • Atuação em socorro ou acidentes
  • Fornecimento de materiais e peças
  • Elaboração e revisão de procedimentos de manutenção
  • Serviços de engenharia e análise de dados de desempenho
  • Melhorias tecnológicas

Desde o ano passado, no entanto, os trens da Série 3000 estavam realizando raras aparições até o momento em que as composições simplesmente sumiram. Tal desaparecimento pode ter sido o motivo da remobilização dos trens da Série 2100, dados como fora de operação quando houve a grande renovação de frota promovida na Linha 10-Turquesa.

O Diário Oficial do Estado do dia 29 de maio confirmou o que já era esperado: a Alstom e a CPTM rescindiram o contrato de forma amigável, ou seja, a partir deste momento a manutenção dos trens da Série 3000 fica sob a responsabilidade da própria companhia de trens metropolitanos. Não há informações se a empresa planeja realizar uma nova licitação para a manutenção desses trens.

Rescisão do contrato (DOE)

Conclusão

A saída de uma empresa do porte da Alstom de um contrato de manutenção é algo que causa certo estranhamento. Não se sabem os motivos exatos que motivaram a rescisão por parte da empresa, mas, especula-se que o estado dos trens esteja, em geral, bastante degradado. Há também a declaração do presidente da CPTM, Pedro Moro, que admite a possibilidade de remover os trens da série 3000 do parque de tração da empresa, tendo em vista que atualmente a companhia conta com uma vasta quantidade de trens modernos.

Em linhas gerais é incerto dizer qual será o destino dos trens alemães. Caso voltem a operar é capaz que estejam restritos ao serviço Expresso Linha 10, cumprindo viagens mais curtas e apenas em horário de pico, evitando assim maiores desgastes dos equipamentos, quando não, uma falha que interrompa o serviço unificado entre as linhas 7 e 10.

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  1. Poderia ser interessante colocar um dos trens no museu do transportes para contar as pessoas conhecerem a história da cada composição e quais linhas realizavam enquanto transportava os passageiros. Os demais faria um leilão a quem gosta de colecionar este tipo de veículo para restaurantes, café e coisas do tipo. Semelhante o que ocorreu em Jaguariúna para atrair turistas.

  2. É uma pena se tratando de um trem que fazia um som de violino espetacular em sua aceleração. Na minha opinião ele é o mais bonito depois dos trens série 2000.

  3. A manutenção desses trens era precária desde o consórcio tmt. A alston terminou de acabar, tanto q desde fevereiro já não roda mais nenhum 3000. A CPTM se fosse esperta, fazia um contrato de revisão geral e modernização , e depois tocava a manutenção própria. Terceirização só empurra com a barriga.

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