O grupo Itapemirim e a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) anunciaram um acordo para formar um consórcio que participará da licitação de concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, da CPTM. O edital, que foi lançado em 1º de dezembro, tem leilão marcado para 2 de março de 2021.

Em caso de vitória, as duas empresas formarão uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) para operar e manter os dois ramais num contrato de concessão de 30 anos. A Itapemirim, do empresário Sidnei Piva, é a líder do consórcio e será responsável pelos estudos de viabilidade (análise técnica, jurídica e econômica) da proposta a ser preparada para o projeto. Já a Odebrecht fará os estudos especializados de engenharia e concederá os certificados que habilitarão tecnicamente o consórcio para participar da concorrência. A construtora terá exclusividade sobre a realização obras civis previstas no edital, segundo os dois grupos.

“Estamos muito felizes em ter ao nosso lado uma empresa com a capacidade da OEC e que acredita também no nosso know-how e solidez de mercado”, afirmou Piva, que também controla outras empresas do setor ferroviário como a T’Trans e Bom Sinal.

“Colocaremos toda a nossa experiência acumulada como construtor, operador e mantenedor de ativos desta natureza à disposição do nosso parceiro e do poder concedente para garantir, dentro dos prazos e custos estabelecidos, que as cidades da região metropolitana contempladas nos trajetos das duas linhas possam usufruir o quanto antes de uma nova referência de serviço de transporte urbano”, afirmou Paulo Ribeiro, diretor da OEC.

O grupo Itapemirim reúne empresas que participaram da licitação da Linha 17-Ouro (Reprodução)

Empresas em recuperação

Os dois grupos brasileiros passam por reestruturações nos últimos anos. A Viação Itapemirim, por exemplo, está em recuperação judicial que deve ser concluída no ano que vem. Isso  não impediu que Piva ampliasse sua participação em outras empresas como ao assumir a T’Trans, que realizou vários serviços como reforma dos trens da Frota A do Metrô e a fabricação do VLT da Baixada Santista. Já a Bom Sinal, também em recuperação judicial, é conhecida por produzir VLTs em uso em outras regiões do país.

O grupo tentou emplacar uma proposta para assumir a licitação de sistemas da Linha 17-Ouro com o consórcio Signalling mas, a despeito do preço mais baixo, acabou desclassificada por problemas técnicos e financeiros, segundo julgamento do Metrô.

Piva, no entanto, tem circulado no mercado com várias propostas, incluindo a concorrência pelo People Mover do Aeroporto de Guarulhos e a iniciativa mais ambiciosa, o lançamento da companhia aérea ITA Transportes Aéreos, que deve começar a operar em 2021.

Já a Odebrecht tenta deixar o passado recente, abalado pela operação Lava Jato. De gigante com atuação em vários segmentos, a empresa vendeu subsidiárias e repassou ativos como a concessão da Linha 6-Laranja do Metrô, onde era uma das sócias da Move São Paulo. Para tentar se livrar da imagem arranhada, o grupo baiano adotou um novo nome, Novonor, para a holding.

No comunicado enviado à impresa, o nome ‘Odebrecht’ é omitido, substituído pela sigla OEC. Ainda assim, a empresa ressalta suas conquistas em seus 76 anos de história.

A Odebrecht fazia parte da Move São Paulo, concessionária que deveria ter construído e operado a Linha 6 (GESP)

Grupos variados

A concessão das linhas 8 e 9 deve exigir investimentos de pelo menos R$ 3,2 bilhões ao longo dos primeiros anos. Entre as tarefas da futura concessionária estão a reforma das estações, a compra de 34 novos trens e a implantação de sistemas modernos, entre outros.

A expectativa no mercado é que vários grupos brasileiros e estrangeiros participem da concorrência já que o governo do estado modelou o projeto para que seja possível a formação de consórcios diversos, com fabricantes de trens, operadores de linhas e grupos de investimentos, entre outros.