O ano de 2019 não foi tão cheio de novidades quanto 2018, quando houve um esforço do então governador Geraldo Alckmin com foco em sua campanha eleitoral para a Presidência da República. Ainda assim, seu sucessor João Doria pode inaugurar a estação Campo Belo, da Linha 5-Lilás, e quatro paradas do monotrilho da Linha 15-Prata, as últimas nesta segunda-feira – ah, sim, tivemos o acesso secundário da estação Oscar Freire entregue com pompa de nova estação também.

Mas e quanto à 2020, afinal que obras estão perto de serem concluídas para serem entregues à população? Certamente poucas. A razão envolve o descompasso de vários projetos que acabaram atrasando e voltando a quebrar o ritmo de expansão da malha metroferroviária em São Paulo. Sim, porque 2020 deveria ser marcado como ano da abertura de toda a extensão da Linha 6-Laranja caso as obras não houvessem sido interrompidas pela concessionária Move São Paulo em 2016. O fatídico monotrilho da Linha 17-Ouro é outro projeto que desandou e hoje não tem uma previsão clara, mas chegou a ser prometido para o ano que vem, quando ainda se trabalhava com a perspectiva de ter os trens da Scomi.

Na CPTM, a extensão da Linha 9-Esmeralda até Varginha é outra obra que já poderia estar na reta final, mas as novas licitações acabaram demorando a sair e somente nos últimos meses os avanços puderam ser percebidos pela população da região.

Ou seja, hoje pode-se dizer que apenas três estações têm condições de serem inauguradas em 2020, uma delas na verdade é uma reforma. Confira a lista:

Plataformas da estação Francisco Morato (GESP)

Estação Francisco Morato – Linha 7-Rubi

A nova estação de Francisco Morato, após o fracasso da primeira licitação, passou a ser construída no início de 2018 com previsão de entrega em 2020. Em setembro, no entanto, o presidente da CPTM, Pedro Moro, chegou a cogitar finalizá-la ainda no primeiro semestre do ano que vem, mas em uma visita recente da cúpula do governo o prazo do segundo semestre, mais palpável, voltou a ser anunciado.

Com 6 mil m² de área construída, duas plataformas e passagens subterrâneas, a nova estação promete mais conforto aos passageiros, equipada com itens comuns em outras estações modernas como escadas rolantes, elevadores e piso acessível. Imagens divulgadas pelo governo na semana passada mostram a cobertura metálica das plataformas tomando forma assim como os corredores subterrâneos de acesso ainda com execução de obras brutas.

Parece plausível que a estação seja concluída dentro do prazo e inaugurada em algum momento do segundo semestre de 2020, encerrando o longo período em que os usuários estão utilizando instalações provisórias.

Cobertura da estação Mendes foi concluída, afirmou a CPTM

Estação Mendes-Vila Natal – Linha 9-Esmeralda

Se Francisco Morato só trará conforto, Mendes-Vila Natal promete atrair novos usuários à Linha 9-Esmeralda e ampliar a extensão dos ramais da CPTM em cerca de 2,5 km. Parte da obra de ampliação da linha no extremo sul de São Paulo, nova estação é prometida pelo governo para o segundo semestre de 2020. Em fotos recentes já se vislumbra sua cobertura sendo montada assim como a instalação de trilhos e postes para a rede aérea foi iniciada a partir da estação Grajaú.

O projeto também contempla a estação Varginha, mas nesse caso o atraso no repasse de recursos federais acabou postergando o reinício das obras que têm previsão de conclusão em 2021. No caso de Mendes-Vila Natal, por envolver muitos serviços diferentes, espera-se que os trabalhos sigam dentro do cronograma já que a extensão deve atingir uma região bastante adensada. Caso não surjam imprevistos, a nova parada deve abrir no ano que vem, de fato.

Estação Vila Sônia – Linha 4-Amarela

A última estação da segunda fase da Linha 4-Amarela tem evoluído visivelmente a cada mês. Túneis estão sendo preparadados para receber o acabamento final, lajes do corpo da estação avançam e o terminal de ônibus anexo já entrou na reta final de obras. Mesmo assim, a chance de Vila Sônia abrir em 2020 não é tão grande. As obras têm previsão de conclusão em dezembro e o governo já admitiu que a inauguração deverá ocorrer no início de 2021.

Única estação subterrânea em construção atualmente em São Paulo, Vila Sônia é uma obra grande e complexa já que não se trata apenas da estação e sim novos túneis inclusive para manobras voltadas a inserir mais trens no carrossel em horários de rush, além da extensão no sentido Taboão da Serra. Ou seja, restam apenas 12 meses para que tanto trabalho seja feito até que finalmente a Linha 4 de metrô possa chegar à região.

Entregar a estação ainda no ano que vem depende de os trabalhos sejam adiantados, hipótese pouco comum nas obras metroviárias.

E depois?

Após entregar as três estações citadas, restarão ao governo poucas obras iniciadas. Além da mencionada estação Varginha, há a Linha 17-Ouro, mas cujo horizonte está cada vez mais distante. As duas licitações cruciais para concluir o que falta fazer de mais atrasado ainda não tiveram suas ordens de serviço emitidas, até onde se sabe.

A Constran, por exemplo, venceu a licitação para concluir as obras civis das vias, pátio e estações, porém, ainda aguardava a assinatura do contrato.  No entanto, um dos participantes da licitação, a COESA Engenharia, entrou com uma ação na Justiça para impedir que a Constran assuma a obra.

Já o consórcio Signalling, formado pelas empresas T´Trans, Bom Sinal e Molinari, aguarda a análise da sua proposta para fabricar os 14 trens de monotrilho além de sistemas associados. Após a apresentação das propostas no início de outubro, o Metrô até hoje não confirmou o resultado.

Se isso ocorrer no primeiro semestre de 2020, vislumbra-se que a Linha 17 possa enfim começar a operar durante 2022 com sorte. Até lá, resta usufruir do avanço na rede metroferroviária nos últimos anos e torcer para que outras linhas comecem a ser construídas, como a 6-Laranja, 2-Verde e a extensão da Linha 15.

Estação Morumbi da Linha 17: horizonte indefinido (GESP)