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O que esperar do Metrô e da CPTM em 2017

Depois de mais um ano sem inaugurações, Metrô deve abrir novas estações. Na CPTM, a expectativa é de aposentar quase todos os trens mais antigos

CPTM e Metrô: um 2017 menos pior que 2016

A data é 15 de novembro de 2014. Há pouco mais de dois anos a rede metroferroviária de São Paulo, composta pelas linhas de metrô e trem metropolitano não ganha uma nova estação – a extensão não é ampliada há mais tempo, desde que Oratório, da Linha 15, foi aberta em agosto do mesmo ano. Ou seja, a região metropolitana mais populosa da América do Sul sofre um longo hiato no ritmo de expansão da malha, justamente num período em que o investimento nunca foi tão amplo.

Os problemas se sucederam e são de diversas razões: planejamento ruim, dificuldades com desapropriações, licenças ambientais e, recentemente, a operação Lava Jato, que conseguiu atingir quase todas as construtoras que participam das obras do Metrô e CPTM. Mas será que 2017 será diferente? Terá chegado a hora de vermos várias inaugurações e um rápido crescimento da rede?

Difícil. Embora alguns projetos estejam entrando na reta final, a quantidade de desafios pela frente motiva uma séria preocupação. Ao mesmo tempo, espera-se que o fator eleitoral faça com que o governo do estado esteja mais presente no dia a dia dos canteiros, afinal o governador Geraldo Alckmin é considerado um pré-candidato à presidência em 2018. Ou seja, inaugurar estações e linhas é uma questão estratégia para o tucano.

O blog analisa a seguir o que podemos esperar de 2017 em relação à expansão e modernização da rede:

Metrô

Das seis linhas que deveriam estar em obras duas estão sem previsão de início, a expansão da Linha 2-Verde e a Linha 18-Bronze. Destas, apenas o monotrilho do ABC pode, enfim, sair do papel. Basta para isso que o governo do estado consiga um empréstimo para bancar as desapropriações. Já a Linha 2 segue sem recursos para ser iniciada e isso não deve mudar em 2017.

Novas estações

No papel, cinco estações poderiam ser entregues no ano que vem, duas na Linha 4 (Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire) e três na Linha 5 (Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin). No caso da linha amarela, a primeira pode realmente ser terminada até o final de 2017, mas Oscar Freire corre o risco de ficar para 2018 já que há todo um poço para ser escavado ainda. Na Linha Lilás, o que impede a ampliação das estações é a concessão prometida para o primeiro semestre. Se isso ocorrer a tempo, o gestor privado deve acelerar a abertura das três estações do trecho novo.

Trens novos

Além da frota pertencente à ViaQuatro e que já recebe novos trens, a Linha 5-Lilás precisará estrear a Frota P em 2017 caso seja ampliada. Os trens fabricados pela CAF começaram a chegar em 2013, mas não entraram em operação por conta dos testes com o CBTC, novo sistema de sinalização utilizado por eles. Assim que isso for resolvido, os intervalos devem cair no ramal.

Além disso, o programa de modernização dos trens originais do Metrô segue em frente, mesmo com as suspeitas de corrupção apontadas há alguns anos. Faltam cerca de 10 composições para que o projeto se encerre e, com isso, o Metrô passará a ter quase toda sua frota com ar-condicionado (a exceção serão os trens da Frota E, hoje alocados na Linha 2).

Autoatendimento e mais serviços

O ano que vem também deve ser marcado por uma mudança na forma como a companhia é gerida hoje. Em vez de depender apenas das tarifas, o Metrô deverá ampliar a participação das receitas não tarifárias como a cessão de áreas comerciais nas estações e da gestão do ativo de publicidade. Com isso, os passageiros devem ter acesso a mais informações e serviços. A companhia também concederá vários terrenos contíguos às estações, geralmente usados hoje como terminais de ônibus para a construção de shoppings, supermercados, faculdades e outras atividades que possam se beneficiar do grande fluxo de passageiros.

Há também um projeto de instalação de totens de autoatendimento nas estações para facilitar a compra de bilhetes, inclusive com cartões de débito.

CPTM

Neste ano, a CPTM entregou parcialmente a nova estação Suzano e recuperou a estação Poá, ambas na Linha 11-Coral. E ficou nisso. A modernização das vias continua mas num ritmo muito lento. Projetos importantes como o da recuperação das estações das linhas 7 e 10 ficaram parados e, em alguns casos, sem previsão. Da mesma forma, o TIC, trem intercidades, que seria licitado e previa quatro linhas de trem expresso para cidades próximas a Grande São Paulo, não evoluiu.

Novas linhas

Com apenas duas linhas em obras, a CPTM, no entanto, está atrasada em ambas. O caso mais grave é o da Linha 9 que prevê a construção de mais duas estações – Mendes e Varginha, no extremo sul da cidade. No entanto, a empresa rescindiu o contrato por falta de verbas e pretende relicitar a obra no ano que vem. Com isso, há uma pequena chance delas serem entregues em 2018.

Já a Linha 13-Jade está num estágio avançado de obras, porém, depende da construção de um viaduto estaiado sobre a rodovia Ayrton Senna. Como foi feito posteriormente, o projeto ainda está no começo e deve segurar a entrega da linha em 2018.

Novos trens

A situação da frota da CPTM é otimista para 2017. A companhia iniciou em julho a entrega da encomenda de 65 trens que promete retirar de circulação todas as composições herdadas da CBTU em 1992. Até o final deste ano já eram sete unidades operacionais e outras sete em testes. Acredita-se que até o final de 2017 a maior parte da encomenda seja entregue, colocando um ponto final nas viagens em trens barulhentos, desconfortáveis e sem ar-condicionado.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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